Cuiabá, 02/11/2026

PF cumpre ordens de busca em escritório e avícola de Cidinho; 68 mandados no país

Atualizada às 7h50

 

Último Segundo

Na foto, policiais federais atuam na Operação Carne France, que chega nesta 3ª à 4ª fase, denominada "Romanos"

A Polícia Federal tem ordem para cumprir mandados de busca e apreensão em Mato Grosso pela 4ª fase da Operação Carne Fraca, deflagrada na manhã desta terça (1). São suspeitos auditores fiscais agropecuários federais, acusados de receber propina, para beneficar grupo empresarial do ramo de frigoríficos. Em Mato Grosso, policiais vasculham o escritório ex-senado Cidinho (PL), em Cuiabá,  e a uma avícola, de propriedade dele, em Nova Marilândia (a 274 ) da Capital.

Gilberto Leite/Arquivo

Cidinho confirma mandados e se diz tranquilo: "não vão achar nada"

O #rdnews ouviu o ex-senador, que confirmou o cumprimento dos mandados e afirma que a operação apura o pagamento de propina a um auditor fiscal. "Estou tranquilo e as investigações vão mostrar que não ocorreu nenhum tipo de pagamento indevido".

Os outros mandados em Mato Grosso estão sendo cumpridos em Nova Mutum e Mirassol D´Oeste.

Nas outras fases da Carne Franca, a JBS, dona da Friboi e Seara, e a BRF, dona da Sadia e da Perdigão, estavam entre as empresas investigadas. No país, são 68 alvos.

Nesta 4ª fase, denominada Romanos, as medidas cautelares foram expedidas pela 1ª Vara Federal de Ponta Grossa (PR) e 280 policiais federais cumprem mandados também no Paraná, em São Paulo, Santa Catarina, Goiás, Pará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O inquérito é fruto de delação feita pelo grupo empresarial envolvido, que passou a atuar em colaboração espontânea com as autoridades públicas.

O grupo empresarial indicou que ao menos 60 auditores que teriam sido favorecidos com as vantagens indevidas. Há indicativos de que foram destinados 19 milhões de reais para os pagamentos de propinas. Os valores eram pagos em espécie, por meio do custeio de planos de saúde e até mesmo por contratos fictícios firmados com pessoas jurídicas que representavam o interesse dos fiscais.

A prática ilegal teria sido interrompida no ano de 2017, quando o grupo passou por uma reestruturação interna.

O nome da operação faz referência a diversas passagens bíblicas do Livro de Romanos que tratam de confissão e Justiça.

A PF dará mais detalhes do esquema ainda nesta manhã

Carne fraca

Iniciada em março de 2017, a investigação da PF mira fraudes laboratoriais no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e irregularidades cometidas por frigoríficos de grandes companhias. 

A primeira fase envolveu 1.100 agentes, 309 mandados judiciais, 27 pedidos de prisão preventiva, 11 de prisão temporária e ocorreu em 6 estados mais o Distrito Federal.

A PF, que investigou cerca de 30 frigoríficos por depoimentos e escutas telefônicas, afirmou que funcionários ofereciam propinas por certificados de qualidade adulterados.

Essa fase da operação foi a mais conturbada, com erros na divulgação das informações por parte da PF, que chegou a afirmar que algumas empresas adicionavam papelão à carne. O áudio gravado pelos fiscais na verdade se referia à embalagem do produto. (Com Assessoria)

Às 15h51 - PF analisa celulares e documentos

Ao divulgar balanço sobre a 4ª Fase da Operação Carne Fraca, denominada Romanos, a PF revela que todos os 68 mandados de busca foram cumpridos e que foram apreendidos diversos celulares e documentos; além de terem sido realizadas "várias extrações de servidores de pessoas jurídicas". Todo o conteúdo vai ser analisado.