Cuiabá, 15/10/2026

PF flagra Teis jogando cheques fora, após sair de fininho, e ele acaba denunciado

Assessoria/TCE

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou ontem (30) ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) o conselheiro afastado do TCE Waldir Teis por embaraço à investigação de infração penal, no âmbito da Operação Ararath, deflagrada dia 17 de junho. Acontece que durante a busca e apreensão na 16ª fase da operação, Teis saiu "de fininho” do local, pegou um elevador, mas foi flagrado por uma agente da Polícia Federal descartando cheques.  

Conforme a denúncia, o conselheiro afastado tentou embaraçar a atividade da polícia que cumpria mandados de busca e apreensão em um escritório no Edifício Maruanã em Cuiabá. A essa etapa da investigação, que está na 16ª fase, foi dado o nome de Operação Gerion. Na mitologia, Gerion é um gigante difícil de combater.

O denunciado, ao notar que os policiais se concentravam em uma segunda sala, recolheu uma série de talões de cheques com cifras milionárias e outras folhas assinadas, mas sem preenchimento do valor, que estavam em sala ainda não analisada pelas autoridades. Mas acabou sendo flagrado, e o material, que havia sido jogado numa lixeira, foi recolhido.

Foram deferidos pelo STJ os pedidos de afastamento de sigilo bancário de diversas sociedades empresárias; o levantamento e utilização de dados de inteligência financeira de pessoas físicas e jurídicas; o afastamento do sigilo telefônico de alguns investigados, e busca e apreensão a ser realizada em locais ligados a pessoas investigadas, além do compartilhamento de dados com a Receita Federal do Brasil.

De acordo com a defesa do conselheiro afastado informou que Teis prestou depoimento e admitiu que jogou as folhas de cheque por desespero, pois não queria envolver familiares na situação.

Durante a mesma ação foram apreendidos aproximadamente R$ 50 mil, no mesmo escritório. As buscas no local foram acompanhadas pelo advogado Diógenes Curado, que faz a defesa do conselheiro.

A Operação Ararath investiga, desde 2013, a prática de crimes de corrupção, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e organização criminosa por conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso.

Pedidos

Além da condenação pela infração de embaraço à investigação, o MPF requer à Justiça indenização por danos morais coletivos, no valor de R$ 3 milhões, além da prorrogação do afastamento do conselheiro até o trânsito em julgado da denúncia.