PF vê relação de megatraficante preso em MT com garimpo ilegal e criptomoedas
Informação consta em relatório final da PF que embasou operações Fluxo Capital e Caixa Fria
Arte: Rodinei Crescêncio
Relatório da PF traz as conexões do traficante Cabeça Branca com diversos segmentos
A Polícia Federal em investigação apontou relação de esquema de lavagem de megatraficante Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, preso em 2017 em Sorriso (a 340 km da Capital) com garimpo ilegal e criptomoedas. A informação consta em relatório final que embasou operações Fluxo Capital e Caixa Fria obtida pela Folha de S. Paulo.
De acordo com a publicação, a PF mapeou por meio das quebras de sigilo a rede de empresas utilizadas pelo grupo, os laranjas utilizados, o registro das firmas e a atuação de integrantes do grupo no transporte de valores provenientes do narcotráfico. As empresas e pessoas ligadas direta e indiretamente movimentaram R$ 4 bilhões.
De acordo com a matéria, a PF apontou as características que unem as pessoas alvos da apuração são a movimentação financeira em volume superior ao faturamento, recebimento de grande volume de depósitos em espécie, contrapartes ligadas à comercialização de ouro em áreas de garimpo e envolvidas com crimes relacionados a criptoativos.
Fernando Trevisan, um dos alvos, mantém sociedade com um empresário preso pela própria PF em uma investigação sobre garimpo em Mato Grosso.
Operação
Na quinta (03) foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão. Na Capital de Mato Grosso, a PF visitou dois alvos em prédios de luxo da cidade. Foram apreendidos dois carros de luxo e 4.800 dólares, equivalente a aproximadamente R$ 26 mil na cotação do dia. O #rdnews apurou que o alvo do mandado foi identificado como José Vilela Neto, que é síndico do prédio do Forrest Hill, localizado no bairro Jardim Ubirajara.
Os nomes das operações fazem alusão, respectivamente, ao fato de os alvos serem familiares do traficante Cabeça Branca e à vultosa quantia de dinheiro movimentada pela organização criminosa.
De acordo com a assessoria de imprensa da PF do Paraná, o objetivo de desarticular organização criminosa que atua com a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas entre outros crimes.
A Operação Sucessão é um desdobramento da Operação Spectrum, que resultou na prisão de Cabeça Branca, considerado um dos maiores traficantes de drogas do Brasil.
Já a Operação Fluxo Capital, por sua vez, tem por objetivo desmantelar organização criminosa responsável pela lavagem do dinheiro por meio de movimentações milionárias, com a utilização de “laranjas”, empresas de fachada e contadores.
O que diz o síndico
A defesa do sindico José Vilela Neto, patrocinada pelo advogado Ulisses Rabaneda, informou que teve acesso a investigação. Ele informou que consta alguns depósitos na conta do cliente, pois ele fez algumas operações financeiras licitas, dentro do negócio que ele exerce e recebeu créditos destes negócios, que acabaram vindo de contas de terceiros, do qual ele não conhece, mas que estão tendo suas contas investigadas. Contudo frisou que não conhece estas pessoas mas vai que o alvo vai esclarecer dentro dos processos.
“Ele fez um negócio absolutamente regular, dentro do ramo de atividade que exerce. Tinha um crédito a receber e veio de contas que agora são suspeitas. Ele não conhece estas pessoas”, diz a defesa.