Cuiabá, 18/09/2026

PJC: homem matou companheira e depois bebê de 4 meses; irmão viu

Crime aconteceu manhã dessa quinta-feira, em uma propriedade rural às margens da MT-412, no município de São Félix do Araguaia

Jailton Gonçalves Coelho, de 29 anos, matou a facadas a companheira, Thamylla Reis da Silva, de 23, e em seguida executou o filho deles, de apenas 4 meses, após uma discussão motivada pelo possível fim do relacionamento. O crime ocorreu na manhã de quinta-feira (17), em uma propriedade rural às margens da MT-412, em São Félix do Araguaia (1.014 km de Cuiabá). O suspeito foi preso em flagrante por feminicídio e homicídio.

Em entrevista ao #rdnews, o delegado Daniel Moura, responsável pela investigação do caso, revelou que, até onde foi apurado, o casal não tinha histórico de violência doméstica anterior e nem de relacionamento conturbado. “Era réu primário. Ele alega no interrogatório dele que ela já agrediu ele, que ele tinha até BO contra ela, mas a gente procurou e não encontrou nada disso”, revela Moura.

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 Thamylla Reis da Silva e Jailton Gonçalves Coelho

“Até então, tinha relação tranquila. A gente não teve a oportunidade ainda de ouvir o resto da família dela, por conta do luto, mas até então não tinha nenhuma ocorrência. Eles estavam juntos há oito anos”, acrescenta.

Ainda segundo o delegado, o casal teve um relacionamento por 8 anos, que resultou em cinco filhos. Um deles faleceu recentemente, em decorrência de meningite. As outras três crianças tinham entre 3 e 8 anos de idade e moram em Porto Alegre do Norte, com a avó, para frequentarem a escola.

Brigas e álcool

Nos dias que antecederam o crime, o casal ingeriu bebidas alcoólicas e se desentenderam, momento em que Thamylla revelou que queria ir embora da fazenda. Eles dormiram, acordaram e continuaram a discussão no dia seguinte. Novamente, a mulher reafirmou o desejo de deixar o companheiro.

Conforme o delegado, Jailton disse que teria sido agredido pela vítima e, em seguida, "perdeu a cabeça", por isso acabou atingindo o filho.

“Eu estou na polícia aí há mais de dez anos, e na época que eu fui investigador, nunca vi nada parecido com isso. O interrogatório dele é todo desconexo. Ele fala que ela o agrediu e ele perdeu a cabeça, ele ficou meio cego, não lembra direito, mas que ela estava com a criança no colo. Ele esfaqueou ela e acabou esfaqueando o menino também”, revelou Moura.

Na manhã de quinta-feira (17), a vítima ligou para a mãe dela, com medo, dizendo que o marido iria matá-la e pediu que o irmão fosse ao local. O jovem, de 18 anos, flagrou parte do crime.

“Quando ele chegou, o Jailton estava no meio da execução. Ele viu o homem puxando a irmã pelos cabelos, esfaqueando ela e o bebê chorando a uns metros deles. Ou seja, ele matou o bebê depois, não foi no meio da luta. Provavelmente deve ter perdido a cabeça realmente, não sabe nem direito o que fez, porque não faz sentido uma pessoa humana fazer isso. Matar a mulher e ir lá e matar o filho também. Não sei o que passou na cabeça dele. Mas à princípio, pela testemunha, ele matou primeiro a mulher e depois o filho”, destacou.

O delegado também falou sobre as lesões em Jailton. Segundo ele, os ferimentos podem ter sido provocados pela vítima, que tentou reagir ao feminicídio. “Provavelmente ela viu que ele estava vindo com uma faca, por isso pegou o pau para se defender e aí lesionou ele também”, completa.

Prisão

Jailton foi preso em flagrante pela Polícia Militar. Ele foi encontrado dormindo, dentro da casa. Durante a abordagem, os policiais constataram que o suspeito apresentava um ferimento na cabeça. Ao ser questionado sobre a lesão, ele alegou ter sido atingido por uma paulada desferida por Taymilla e negou envolvimento nos assassinatos.

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Jailton Gonçalves Coelho (de costas)

A área foi preservada e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) acionada para os procedimentos de coleta de provas. Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) para exames de necropsia.

A pedido do perito responsável pelos exames na cena do crime, o médico plantonista acompanhou a escolta do suspeito até o hospital do município para avaliação clínica e curativos. Após o atendimento e a liberação médica, o homem foi encaminhado à Delegacia da Polícia Civil para a lavratura do flagrante e os procedimentos de praxe.

Annie Souza/Rdnews