Polícia apreende ouro e armas; alvos foram denunciados por advogado morto
Delegado Bruno Abreu revela ainda que polícia apreendeu mais de R$ 30 mil em espécie
João Aguiar/Rdnews
O delegado Bruno Abreu, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), fala sobre investigações da morte de Renato Nery
O delegado Bruno Abreu, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), revela que os alvos da operação Office Crime, deflagrada hoje (28), são os mesmos denunciados pelo advogado Renato Nery, antes dele ser executado em 05 de julho deste ano, aos 72 anos. “Os alvos que estão aqui são os que o Renato denunciou, mas a investigação não partiu apenas da denúncia do Renato, houve uma investigação mais complexa que resultou na operação de hoje. A gente não pode comentar muitos detalhes para não prejudicar às investigações”, disse Bruno à imprensa após cumprir ordens de busca e apreensão no escritório JB Advocacia, na avenida Presidente Marques, em Cuiabá.
O delegado detalha que os três advogados investigados - Antônio João de Carvalho Júnior, Agnaldo Bezerra Bonfim e Gaylussac Dantas de Araújo - trabalham no JB Advocacia. “Nós apreendemos tudo que possa servir para a investigação, para buscar elementos que possam subsidiar às apurações. Foram apreendidos notebooks, computadores, celulares e GPS que pode ter sido utilizado em veículos”, conta.
Além disso, investigadores apreenderam armas, R$ 34 mil, diversas barras que aparentam serem de ouro e dispositivos eletrônicos, como celulares, computadores e notebooks. Os equipamentos passarão agora pela análise de dados da equipe responsável pela investigação. As barras serão submetidas à perícia técnica.
Além dos advogados, são alvos da operação os empresários Julineri Goulart e César Jorge Sechi, que são de Primavera do Leste. Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam que a motivação para o homicídio de Renato Nery seria a disputa de terra. O inquérito policial apura os crimes de homicídio qualificado e organização criminosa contra o advogado.
As medidas cautelares foram expedidas pelo Núcleo de Inquéritos Policiais de Cuiabá (Nipo), após representação dos delegados da DHPP responsáveis pela investigação. O nome da operação faz referência a um escritório do crime criado para a execução do crime.
Denúncia
Antes de ser morto a tiros, o advogado Renato Nery havia ingressado com representação disciplinar na Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso (OAB-MT), contra os advogados Antônio João de Carvalho e Gaylussac Dantas de Araujo, por conta de um suposto descumprimento de regras disciplinares em processos relativos à disputa por terra.
Na denúncia, Nery acusava Antônio de chefiar um “escritório do crime” que, por meio de manobras processuais, atuaria fraudando disputa de terras em Mato Grosso para “tomar” as propriedades. Nesta quinta-feira (28), Antônio e Gaylussac foram alvos da Polícia Civil por suspeita de envolvimento no assassinato.