Cuiabá, 23/10/2026

Polícia de Poconé investiga 17 execuções e grupo de extermínio com pistolagem

Reprodução

Polícia Civil investiga 17 execuções na cidade que estariam ligadas a grupo de extermínio. Já há provas de que 7 delas foram contratadas por comerciantes

Uma série de homicídios em Poconé (a 100 Km de Cuiabá) levou a Polícia Civil a suspeitar de que estaria ocorrendo “limpeza social” na cidade. Já são investigadas 17 mortes violentas registradas este ano e, conforme apurou o #rdnews, há provas que confirmam a ligação de pelo menos sete delas com grupo de extermínio contratado por comerciantes locais cansados de assaltos constantes. Há indícios que comerciantes envolvidos pagavam as execuções encomendadas a pistoleiros.

O caso mais recente envolve Luzia Marisangela da Silva, 28 anos, e o sobrinho dela, Gilvan Gilberto Silva da Costa, 15, assassinadas a tiros em plena luz do dia quando saiam de uma audiência no Fórum da Comarca. A tia teria morrido só por estar junto com Gilvan.

Comerciante Wanderley Marcelo de Almeida, acusado de contratar pistoleiros, está preso

Os alvos seriam o adolescente e o irmão dele, J.E.S., 17, conhecido pelo apelido “Barbinha”, que praticavam roubos na cidade. Barbinha escapou por pouco, pois era escoltado por um agente das forças policiais em um outro carro. Ele se intitula membro da facção criminosa Comando Vermelho e mesmo com pouca idade tem várias passagens pela polícia por roubo e tráfico de drogas.

A investigação está a cargo do delegado Hércules Batista Gonçalves que pediu a prisão de seis pessoas pelo duplo homicídio. Duas estão foragidas e quatro foram presos durante diligências da polícia na madrugada desta quarta (30) na Cohab Santa Tereza, em Poconé.

 Entre os presos está o dono de um mercado da cidade Wanderley Marcelo de Almeida, 43. Ele é apontado como o responsável por arrecadar dinheiro entre os comerciantes e contratar pistoleiros para executarem os alvos, principalmente jovens poconeanos envolvidos com roubo à mão armada. Ainda foram presos Ronecleyton Máximo Pereira, 26, Fabien Douglas da Silva, 21, que são acusados de executarem o serviço e Eduardo Javan Santos Costa, 22, suspeito de dar suporte para os pistoleiros. Eduardo aguardará o julgamento em liberdade.

Uma fonte do #rdnews afirma que Poconé era considerada uma cidade pacata de 32 mil habitantes e que o cenário foi dando espaço a ações cada vez mais violentas. A região de comércio registrava de 2 a 3 assaltos à mão armada por dia e depois que as mortes dos “bandidos das cidade” tiveram início a criminalidade reduziu drasticamente.

Segundo esta fonte, o grupo de extermínio atuava por encomenda. Quando um empreendimento comercial era alvo de assalto, Wanderley arrecadava o dinheiro e contratava os pistoleiros. O pagamento só ocorria depois que o suspeito fosse eliminado. No caso mais recente, Wanderlei teria ido até o Fórum e apontado aos pistoleiros quem deveria morrer.

Não há informações de que o mercado de Wanderlei tenha sido assaltado, mas ele é antigo conhecido da polícia poconeana por prática de agiotagem e por “prender” cartões de aposentados que haviam feito empréstimo com ele e não honrado a dívida. Por ter este contato com o mundo do crime, conhecia os pistoleiros. Nenhum outro comerciante foi preso na operação e nem o preço por morte encomendada foi revelado.

Barbinha cumpre medida socioeducativa no Pomeri, na Capital, e as autoridades ainda consideram como um dos marcados para morrer pelo grupo. Wanderlei e os suspeitos de pistolagem foram transferidos para a Penitenciária Central da Capital. O delegado Hércules Batista Gonçalves tem 10 dias para concluir o inquérito e apresentar a denúncia.