Polícia faz busca em escritório em nova investida para apurar morte de advogado
Renato Nery foi executado a tiros em julho de 2024; ninguém foi preso pelo crime até hoje
A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá cumpriu medidas cautelares na manhã desta terça-feira (11) em um escritório de advocacia dos investigados na execução do advogado Renato Gomes Nery, ocorrido em julho do ano passado. Nery foi assassinado a tiros quando chegava em seu escritório na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá.
Montagem: PJC/Reprodução
Segundo a Polícia Civil, essa é mais uma fase da Operação Office Crime. Não foi divulgado qual mandado foi cumprido nesta terça. Desde a ocorrência do homicídio, a DHPP realizou inúmeras diligências investigativas, com levantamentos técnicos e periciais, a fim de esclarecer a execução do profissional.
As investigações da DHPP apontam a disputa de terra como a motivação para o homicídio de Renato Nery. Ninguém foi preso até o momento pelo crime. O inquérito segue em sigilo, a fim de não comprometer o andamento das investigações.
Em novembro do ano passado, a DHPP cumpriu mandados de busca e apreensão no escritório JB Advocacia, na avenida Presidente Marques, em Cuiabá. Na época, os alvos eram: Antônio João de Carvalho Júnior, Agnaldo Bezerra Bonfim, Gaylussac Dantas de Araújo, em Cuiabá; e Julineri Goulart e César Jorge Sechi, em Primavera do Leste.
Caso
Ex-presidente da OAB-MT, Renato Gomes Nery, morreu aos de 72 anos, alvo de emboscada em frente ao seu escritório. Ele foi alvejado por 7 tiros durante, sendo atingido na cabeça. Renato ainda chegou a ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao Complexo Hospitalar Cuiabá, mas morreu na unidade hospitalar.
Advogado responde
O advogado Gaylussac Dantas Araújo, que teve seu escritório alvo de buscas e apreensões pela segunda vez pela Polícia Civil, vê sua vida pessoal e profissional exposta de forma injusta. Segundo nota enviada à imprensa, desde a primeira fase da operação, em novembro de 2024, ele colaborou espontaneamente com as autoridades, entregando seu telemóvel e senha de acesso na expectativa de uma apuração célere e da rápida devolução do aparelho, o que não ocorreu.
Leia a nota na íntegra
• O advogado Gaylussac Dantas Araújo, que pela segunda vez teve seu nome envolvido na investigação, está tendo sua vida profissional e pessoal devassada pelo fato de possuir endereço profissional no mesmo espaço onde funciona um escritório de advogados que foram alvo de buscas e apreensões tanto na primeira fase, em novembro de 2024, quanto nesta segunda fase.
• Na primeira fase, o advogado, seguro de seu completo alheamento aos fatos investigados, entregou seu celular e senha de acesso ao aparelho, em livre colaboração e na esperança de garantir uma investigação célere e a rápida devolução do bem, o que não aconteceu.
• Avalia-se que as primeiras diligências da PJC/MT deveriam ter sido suficientes para indicar os culpados ou, ao menos, indicar os inocentes, fazendo com que seus nomes fossem excluídos da investigação ou, na pior das hipóteses, não manchados mais do que já estão, e de forma irreversível.
• Portanto, repudia-se a continuidade da associação do nome do advogado Gaylussac Dantas Araújo a essa investigação e registra-se sua indignação em mais uma vez ter sua reputação envolvida em uma investigação que já extrapola os limites do ordenamento jurídico.
Cuiabá-MT, 12 de fevereiro de 2025.
Gaylussac Dantas Araújo