Cuiabá, 18/09/2026

Preso, delegado não passa senha e polícia tenta desbloquear celular

Delegado tentou se livrar do aparelho, que foi recuperado. Ele é suspeito de integrar gabinete do crime

Reprodução

Delegado Geordan Fontenelle segue preso

O delegado Geordan Fontenelle se negou a passar a senha do seu celular para análises da Polícia Civil. Ele  tentou se livrar do aparelho no dia em que foi preso, na quarta-feira passada (17), mas o celular, um iPhone 14 Pro Max, foi encontrado logo depois pelos agentes.

Geordan e o investigador Marcos Paulo Angeli, foram presos suspeitos de montar um esquema de corrupção na delegacia de Peixoto de Azevedo (a 691 km de Cuiabá).

O aparelho, segundo o delegado Rodrigo Azem Buchdid, responsável pela investigação do caso, está bloqueado por senha e Geordan não quis passar o código para análise pericial.

“A questão dos celulares que foram apreendidos, isso é muito importante para nós. Só que isso demanda uma extração dos dados e depois uma análise desses dados. É difícil, mas temos condições para isso tecnicamente”, completa.

Como já informado pelo #rdnews, Geordan tentou se livrar do aparelho antes de sua prisão, o jogando em um terreno baldio, ao lado de sua residência. “Nós não vimos ele jogando. No tempo que a gente ia entrar na casa, como ele tinha acesso às câmeras, deve ter visto a gente entrando e ele jogou o aparelho celular para dificultar”, salienta o delegado.

“Uma atitude dessas a gente só vê desses faccionados, de quebrar o aparelho celular, fazer alguma coisa para evitar provas. Se ele jogou é porque tem alguma coisa”, completa.

Uma atitude dessas a gente só vê desses faccionados, de quebrar o aparelho celular, fazer alguma coisa para evitar provas. Se ele jogou é porque tem alguma coisa

Delegado Rodrigo Azem

Marcos Paulo e Geordan ficaram em silêncio durante depoimento. “Eles foram ouvidos no mesmo dia da deflagração da operação. Mas, como era um interrogatório, eles têm o direito de permanecer em silêncio e optaram por permanecer assim. Não quiseram falar nada”, afirmou o delegado Rodrigo Azem.

Geordan foi alvo da Operação Diaphthora, deflagrada na quarta-feira (17), pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso. Foram cumpridas 12 ordens judiciais, sendo dois mandados de prisão preventiva, sete de busca e apreensão e três medidas cautelares.

Caso

As investigações iniciaram após denúncias recebidas no Núcleo de Inteligência da Corregedoria Geral, que apontavam o suposto envolvimento de policiais civis, advogado e garimpeiros da região de Peixoto de Azevedo em situações como a solicitação de vantagens indevidas, advocacia administrativa e ainda o assessoramento de segurança privada pela autoridade policial, caracterizando a formação e uma associação criminosa no município.

Com o aprofundamento das investigações, segundo a polícia, foram identificados os servidores que estariam envolvidos no esquema criminoso sendo apontados como mentor e articulador o titular da Delegacia de Peixoto de Azevedo e um investigador da unidade, aliados a advogado e garimpeiros do município.  

Segundo a PJC, foi demonstrado no inquérito que o delegado e o investigador solicitariam o pagamento de vantagens indevidas para liberação de bens apreendidos; exigiriam pagamento de “diárias” para hospedagem de presos no alojamento da delegacia e, ainda, pagamentos mensais sob a condição de decidir sobre procedimentos criminais em trâmite na unidade policial. 

A Polícia Civil, ao deflagrar a ação, disse que "todos os esquemas e acertos levam à conclusão de que existia um verdadeiro gabinete do crime".

"Com a operação, a Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Corregedoria-Geral, demonstra o caráter republicano em garantir a integridade pública da instituição, investigando e responsabilizando seus integrantes, bem como verticalizando as investigações para desarticular a associação criminosa que agia, de forma oculta, na estrutura estatal, trazendo descrédito às ações da Polícia Civil no município", reforçou à instituição na semana passada.