Cuiabá, 20/10/2026

Preso por morte de advogada, ex-PM diz que ficaria impune por ser louco

Crime aconteceu em Cuiabá e o suspeito foi preso na manhã desta segunda no Bairro Santa Amália

Luis Vinicius/Rdnews

Ao ser preso, o ex-soldado expulso da Polícia Militar Almir Monteiro dos Reis, suspeito de ter matado a advogada e consultora do Sebrae-MT Cristiane Fonseca Castrillon, de 48 anos, disse que acreditava na impunidade por ser considerado "louco" pelo Estado. Segundo o titular da Delegacia de Homicídios (DHPP), Marcel Oliveira, ele chegou a trocar várias vezes as versões do crime. Durante o depoimento na DHPP, ele ficou em silêncio. O ex-militar foi preso no bairro Santa Amalia, em Cuiabá, na manhã desta segunda-feira (14).

"Na verdade, durante a entrevista pessoal, realizada no momento da sua captura, ele foi ficando sem saída e começou a fazer diversas afirmações para as equipes de investigação. Primeiramente ele falou que a vítima tinha caído uma vez. Passou mais 10 minutos, falou que se lembrou que também tinha caído uma segunda vez. E aí foi passando o tempo e ele se lembrou que ela teria caído uma terceira vez. Então, no final das contas, ele falou que a vítima tinha caído quatro vezes e batido a cabeça quatro vezes dentro da residência. E aí, na medida que ele via que o cerco estava se fechando dentro daquele ambiente, ele começou a alegar que seria interditado judicialmente", disse.

Contudo, o delegado afirmou que, do ponto de vista penal, isso não influencia em qualquer tipo de situação porque, embora ele alegue ser interditado judicialmente, tirou a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). "Ele tirou sua carteira de motorista recentemente. Então tem a capacidade para exercer diversos atos da vida civil. E a responsabilidade [civil] é diferente da responsabilidade penal. No nosso caso aqui, a gente está apurando a responsabilidade penal dele e é perfeitamente passível, ao nosso ver, de punição", afirmou.

O chefe da DHPP detalhou que a Polícia Civil investiga se o ex-PM usou um travesseiro para matar a advogada ou se ele pode ter se irritado depois dela ter se negado a ter relação sexual com ele. Laudo preliminar da perícia já teria identificado indícios de lesão na genitália da vítima.

"Essas informaçõesainda estão em uma fase preliminar. A gente está ouvindo algumas testemunhas. Iremos ouvir outras ao longo da semana para procurar construir, de forma sólida, uma motivação, mas já pode ser levada em consideração que uma delas é o feminicídio. Uma violência de gênero contra a vítima e possivelmente por alguma negativa. Agora, através da investigação, a gente vai buscar justamente elementos para concretizar essas afirmações", pontuou. 

O caso

Conforme informações preliminares, a advogada teria sido espancada e asfixiada até a morte. Depois, teve o corpo deixado no Parque das Águas, na região do Centro Político Administrativo. Apontado como autor da morte, o ex-soldado da PM chegou à DHPP com a camisa cobrindo o rosto.

Investigação

Com base nas informações de rastreamento do celular da vítima, os policiais da DHPP deram início às diligências, chegando até o último local em que Cristiane esteve antes de morrer, uma residência no Bairro Santa Amália.

Por meio de imagens de câmeras de segurança foi possível ver o veículo da vítima saindo do endereço, na parte da manhã, com o suspeito na direção.