Cuiabá, 05/10/2026

Primeiro motorista sequestrado por trio conseguiu fugir: “Eles iam me matar”

Segundo motorista, ele aceitou uma corrida no bairro Cristo Rei, em VG, foi rendido, obrigado a transferir dinheiro e ameaçado de morte

O primeiro motorista de aplicativo sequestrado por Lucas Ferreira da Silva, 20 anos, e os dois adolescentes, sendo um de 15 e um de 17 anos, em Várzea Grande, conseguiu fugir do trio e pedir por socorro. Os suspeitos foram pegos em flagrante nessa segunda-feira (15).

Reprodução

No detalhe, Lucas Ferreira da Silva, de 20 anos, preso suspeito de participação nas mortes de três motoristas de aplicativos em Várzea Grande

Ao #rdnews, o motorista, que não quis ser identificado por medo, contou que o caso aconteceu no domingo (07). Ele aceitou uma corrida no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, com destino à Cohab Primavera. “Peguei uma corrida no Cristo Rei, na cidade mesmo, não foi em quebrada, não foi em escuro, nada. Levei eles depois do Costa Verde, ali na Cohab Primavera”, relata.

“Quando cheguei, pediram para eu entrar numa estrada de chão. Logo depois eles já gritaram: ‘perdeu, perdeu, perdeu’, meteram a faca em mim, mandaram eu descer e me jogaram no porta-malas. Depois de lá, sumiram comigo”, conta.

A vítima deu uma volta com os suspeitos, que pararam em uma distribuidora, compraram bebidas, comida e cigarro, tudo com o dinheiro da vítima. “Mandaram eu fazer a biometria no aplicativo (do banco) e já começaram a me pedir Pix. Eles queriam dinheiro”, continua.

“Abriram meu aplicativo do banco, viram que tinha disponível um empréstimo de R$ 8 mil. Pararam comigo, mandaram mostrar o rosto no aplicativo, depois a senha”, completa. Segundo a vítima, eles não conseguiram transferir o dinheiro.

Em seguida, o condutor afirma que foi levado até a ponte Juscelino Kubitschek, na rodovia dos Imigrantes. “Eles falaram que iam me jogar da ponte, iam me jogar no rio. Eles discutiram que não precisava. Nisso eles passaram pela ponte e depois entraram num matagal, mandaram eu passar por um portão, uma cela”.

“Aí um veio me dar um soco, quando outro me deu, o terceiro deu também. Só que eu esquivei de um, passei o braço no outro e saí correndo. Foi uma luz que Deus me deu, eu senti Deus falando: ‘corre’. Foi na hora que eu ‘torei’ no matagal”, conta.

Segundo o motorista, ele passou a madrugada no meio do mato, escondido. Quando amanheceu, conseguiu sair e pediu socorro na pista. A equipe da Rota do Oeste prestou os primeiros socorros e logo depois a polícia chegou. A vítima registrou boletim de ocorrência sobre o caso.

Desaparecimentos

Como já informado pelo #rdnews, o primeiro motorista a desaparecer foi Elizeu, no dia 11 de abril, quando saiu para trabalhar por volta das 21h. Devido ao Fiat Uno que usava ser alugado, a esposa da vítima pediu ao dono para acionar o rastreador, encontrando o carro no bairro Novo Mundo, em Várzea Grande.

Já Nilson Nogueira, morador do CPA 3, sumiu no sábado (13) após sair para trabalhar, também em bairros várzea-grandenses. O pai da vítima procurou a Polícia Civil no domingo relatando que não conseguia falar com Nilson, que ele não tinha o hábito de dormir fora de casa e o celular estava fora de área

O desaparecimento de Márcio, terceiro motorista de aplicativo foi confirmado, nessa segunda-feira (15), pela Polícia Civil. Ele sumiu no último domingo (14) no bairro Ponte Nova, em Várzea Grande.

A esposa da vítima relatou que ele saiu de casa por volta das 21h de domingo dirigindo um Fiat Palio branco, locado, e desde então não fez mais contato. Na mesma manhã, o veículo foi localizado pelo proprietário, sem as placas, no bairro Cristo Rei.

Prisões

Análise de imagens de câmeras de segurança, entre outras diligências realizadas pela DHPP possibilitaram a identificação de três suspeitos que foram vistos próximos do carro da primeira vítima, no bairro Cristo Rei.

Eles estavam com as mesmas roupas em que apareceram nas imagens das câmeras. Ao serem abordados, perto da UPA do Cristo Rei, o trio confessou os crimes e apontou onde estavam os corpos de duas vítimas.

Os três foram encaminhados no fim da noite desta segunda-feira para a sede da DHPP, interrogados e autuados em flagrante pelos crimes e atos infracionais análogos, respectivamente, a roubo majorado pelo concurso de pessoas, por restringindo a liberdade das vítimas, grave ameaça com emprego de arma branca e resultado morte em decorrência da violência e ocultação de cadáver das vítimas. O adulto responderá ainda por corrupção de menores.