Cuiabá, 20/09/2026

Suspeitos de duplo homicídio ficam em silêncio em delegacia; PJC apura ameaça

Polícia Civil investiga uma suposta ameaça sofrida por fazendeira na noite anterior ao crime

Inês Gemilaki e seu filho, o médico Bruno Gemilaki Dal Poz, Márcio Ferreira Gonçalves, companheiro de Inês, e o irmão dele Eder Gonçalves Rodrigues, presos nessa terça-feira (23) por suspeita de envolvimento no duplo homicídio em Peixoto de Azevedo (a 691 km de Cuiabá), ocorrido no domingo (21), ficam em silêncio durante depoimento à Polícia Civil.

O ataque vitimou os idosos Pilson Pereira da Silva, de 69 anos, e Rui Luiz Bogo, de 71 anos. O padre José Roberto foi atingido no braço durante a ação e sobreviveu.

Reprodução de vídeo

Segundo a delegada Anna Marien, responsável pelo inquérito, as investigações até agora apuram uma suposta ameaça sofrida por Inês na noite anterior ao crime, no sábado (20). A mulher chegou a registrar um boletim de ocorrência no domingo sobre o caso.

Na ocasião, três homens armados teriam invadido a casa de Márcio atrás da mulher. Como ela não estava em casa, os suspeitos disseram para Márcio que ela tinha uma dívida com eles.  Além disso, eles teriam enviado mensagens para Inês, com uma bandeira vermelha e iniciais “CV”, com o intuito de intimidá-la.

Reprodução

Ines Gemilaki e Bruno Gemilaki Dal Poz, suspeitos de cometer duplo homicídio em Peixoto de Azevedo

O autor da ameaça, segundo Inês, seria um empresário conhecido por “Polaco”, com quem a mulher teve uma disputa judicial por conta de um contrato e aluguel. A mulher pediu medida protetiva e afirmou que estava em perigo.

A delegada questionou Inês sobre o registro do boletim de ocorrência e sobre as ameaças de divulgação das imagens durante depoimento, mas ela preferiu ficar em silêncio. “Nada disso foi apresentado, nós só temos o registro da ocorrência. A advogada falou que vai fazer a defesa dela no momento oportuno na ação penal”, conta Anna Marien.

“Então nós não temos nenhum acesso a essas imagens, nem conseguimos confirmar a veracidade desse boletim de ocorrência, se realmente essas ameaças aconteceram”, afirma.

Reprodução

Márcio Ferreira Gonçalves e o irmão dele Eder Gonçalves Rodrigues, também presos pelo crime

Outra informação nova para a Polícia Civil ocorreu durante o depoimento da esposa de Eder. A mulher contou que, na época em que Inês morava no imóvel de “Polaco”, o homem tinha acesso às câmeras de segurança e teria gravado a mulher andando nua ou de roupa íntima pela casa, e teria usado isso para ameaçar Inês e o filho.

A delegada pediu as imagens de câmeras de segurança do imóvel de Polaco para ver a veracidade das informações, mas ela acredita ser difícil, pois Inês teria morado no imóvel entre 2021 e 2022. “Esse DVR ainda está passando por perícia, mas eu acredito que a gente vai ter dificuldade em confirmar isso, pelo menos em relação ao DVR, porque o contrato de locação foi entre os anos de 2021 e 2022. Muito tempo já se passou. Dificilmente essas imagens estarão lá”, explica.

Crime foi filmado

Todo o crime foi flagrado por câmeras de segurança do imóvel. No vídeo de uma delas é possível ver as pessoas reunidas dentro da casa em uma mesa jogando cartas, quando acontece a invasão. Elas chegam a se abaixar e tentam se esconder. Muitos tiros são ouvidos. Inês vai até as vítimas e atira várias vezes. 

Outro vídeo mostra Inês saindo da casa, com o marido e o filho. Ao que parece, mais disparos foram efetuados pela suspeita. Após isso, o trio foge em uma caminhonete Ford Ranger branca.