Diretrizes de hipertensão, o que há de novo no diagnóstico e classificação?
O capítulo 3, Diagnóstico e Classificação, das Diretrizes Brasileiras, recentemente publicado, do qual tive a honra de participar como autor, capitaneado pelo professor doutor Marco Antônio Mota Gomes, nos trouxe algumas mudanças, muitas das quais embasadas em publicações da nossa cardiologia brasileira.
Quanto à classificação, conforme segue abaixo, observamos que a Pré-Hipertensão, medida no consultório, configura-se quando a PAS – Pressão Arterial Sistólica (mmHg) situar-se entre 130-139 e/ou a PAD - Pressão Arterial Diastólica (mmHg) situar-se entre 85-89.
Nesta fase do diagnóstico, deve-se atentar para uma otimização nas mudanças de estilo de vida, como realização de atividade física regular, diminuição da ingesta de sódio (sal) na alimentação, assim como diminuição de bebidas alcoólicas, perda de peso e abandono do tabagismo. Uma vez que essas medidas forem implementadas evita-se a evolução para hipertensão verdadeira, ou seja, quando PAS (mmHg) maior ou igual a 140 e/ou PAD (mmHg) maior ou igual a 90.
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Com relação às metas do controle pressórico, nos indivíduos de menor risco cardiovascular, o objetivo é manter a PAS (mmHg) abaixo de 140 e a PAD (mmHg) abaixo de 90, já em indivíduos de alto risco cardiovascular como por exemplo os portadores de doença coronariana, insuficiência cardíaca, entre outros, a meta torna-se mais rígida, ou seja, PAS (mmHg) menor do que 130 e PAD (mmHg) menor do que 80 mmHg.
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Enfim, fazendo o diagnóstico correto e consequente tratamento adequado, com metas claras de controle pressórico, o indivíduo terá uma vida longa e saudável, evitando as complicações cardiovasculares da hipertensão, que quando não tratada adequadamente é o mais importante fator de risco para o desenvolvimento de doença arterial coronariana (infarto), doença cerebrovascular (AVC), doença renal crônica, fibrilação atrial (arritmia) e déficit cognitivo (demência).
Fábio Argenta é médico cardiologista, especialista em hipertensão arterial, em Clínica Médica e Medicina de Urgência, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia de Mato Grosso, representante do Estado no Departamento de Hipertensão Arterial da SBC e conselheiro e membro da Educação Médica Continuada do CRM-MT. Escreve quinzenalmente este espaço, com exclusividade. Registros: CRM MT-4194 e RQE 2859. E-mail: fabio@mediodonto.com