Cuiabá, 06/10/2026

Hipertensão arterial sistêmica, nova diretriz brasileira, o que há de novo?

Hipertensão, mais conhecida como pressão alta, é uma condição crônica em que a pressão exercida pelo sangue nas artérias se mantém elevada. Muitas pessoas possuem pressão alta durante anos, sem ter conhecimento disso. Na maior parte das vezes, a hipertensão não apresenta sintomas, porém, quando permanece sem tratamento, lesa artérias e órgãos vitais do corpo.

“Muitas pessoas possuem pressão alta durante anos, sem ter conhecimento disso”

Fábio Argenta

Em novembro deste ano, o Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia lançou a nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, da qual honrosamente fui um dos autores e, neste momento, irei pontuar algumas das novidades mais relevantes, além de reforçar o que é preciso saber sobre esta doença que tem controle, mas não tem cura.

Considerada o principal fator de risco à saúde no mundo, a hipertensão causa doenças no coração (infarto e insuficiência cardíaca), no cérebro (derrame e demência), nos rins (insuficiência renal/hemodiálise), nas artérias (entupimento arterial) e nos olhos (cegueira).

A doença é confirmada pela medida elevada da pressão arterial em consulta médica, que envolve dois números: o da pressão arterial sistólica (valor mais alto) e o da pressão arterial diastólica (valor mais baixo).

Quando a pressão arterial está acima do limite normal – máxima de 130 e mínima de 85 mmHg, ou seja, acima de 13 por 8,5 e abaixo de 14 por 9, o indivíduo está com pré-hipertensão e deve ficar atento pois pode se tornar hipertenso. Se a pressão for igual ou maior que 14 por 9, o indivíduo tem hipertensão arterial e necessita de cuidados médicos.

Quando necessário e sempre que possível, o médico poderá solicitar exames para fins de elucidar o diagnóstico como a MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial) ou a MRPA (monitorização residencial da pressão arterial).

As pessoas que possuem familiares hipertensos, hábitos alimentares pouco saudáveis, com consumo alto de sal ou álcool, excesso de peso ou diabéticas, possuem mais risco de desenvolver hipertensão.

Uma vez, não controlada, a hipertensão arterial pode levar à complicações, as quais chamamos de lesões em órgãos-alvo, ou seja, danos nos órgãos vitais para nossa sobrevivência.

Dicas para uma vida sem hipertensão:

  • * Meça a pressão pelo menos uma vez por ano
  • * Faça exercícios regularmente. Trinta minutos de atividades aeróbicas, cinco vezes por semana (ou mais), é o ideal para acabar com o sedentarismo
  • * Mantenha o peso ideal, evite a obesidade
  • * Adote alimentação saudável: pouco sal, sem frituras e mais frutas, verduras e legumes
  • * Reduza o consumo de álcool. Se possível, não beba
  • * Abandone o cigarro
  • * Nunca pare o tratamento, é para a vida toda
  • * Siga as orientações do seu médico ou profissional de saúde
  • * Evite o estresse. Tenha tempo para a família, os amigos e o lazer
  •  
  •        Fábio Argenta é médico cardiologista, especialista em hipertensão arterial, em Clínica Médica e Medicina de Urgência, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia de Mato Grosso, representante do Estado no Departamento de Hipertensão Arterial da SBC e conselheiro e membro da Educação Médica Continuada do CRM-MT. Escreve quinzenalmente este espaço, com exclusividade.  Registros: CRM MT-4194 e RQE 2859. E-mail: fabio@mediodonto.com