Funasa nega culpa por tragédia; índios iam jogar bola
Caminhão velho da Funai que perdeu o freio numa descida, capotou e matou 6 índios e 23 estão feridos
O coordenador da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em Mato Grosso, Marco Antônio Strangherlin, se isentou nesta segunda (15) de responsabilidades sobre o acidente em que 6 índios da nação Bororo morreram e 23 ficaram feridos após capotamento de um caminhão pau-de-arara da Funai, neste domingo (14), próximo a Novo São Joaquim (a 450 km de Cuiabá, no Araguaia). Segundo o coordenador, aproximadamente 40 indígenas estavam sendo transportados para uma partida de futebol. “É uma situação que foge das nossas responsabilidades. Não temos responsabilidade, mas estamos dando toda a assistência hospitalar que podemos”, declara.
Marco Antônio informa que já entrou em contato com o secretário estadual de Saúde, Augustinho Moro, para que todas as providências sejam tomadas. Ele explica que os feridos mais graves estão no hospital regional de Barra do Garças. Sobre as constantes reclamações dos indígenas da falta de apoio e assistência de um modo geral, principalmente quanto à saúde pública, o coordenador afirma que nos últimos dois anos a Funasa adquiriu 50 veículos para atender as comunidades indígenas em Mato Grosso. “Nunca foi feito um investimento tão pesado assim. Não há problemas de saúde só com os índios. A saúde como um todo é complexa”, rebate. Detentora de um orçamento em torno de R$ 360 milhões por ano, a Funasa, por meio do governo federal, investe na saúde por cada índio uma média de R$ 1,5 mil por ano. No Brasil há em torno de 500 mil índios.
Administrador da Funai aguarda mais informações para se pronunciar sobre a tragédia
O administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Barra do Garças, Félix Tseredze, da nação Xavantes, preferiu, por enquanto, não comentar a tragédia. Se limitou a dizer que uma funcionária da Fundação, que é representante dos Bororos, Terezinha Bororó, se direcionou até o local do acidente e que só se pronunciará a partir das informações trazidas por ela. Mas adiantou que, em via de regra, a liberação de caminhões é feita pela própria Funai.
Este é o segundo acidente envolvendo índios em menos de dois meses. Na madrugada de 22 de abril, dois índios morreram na rodovia BR-163, próximo a Terra Nova do Norte (a 674 km de Cuiabá) devido ao tombamento de um ônibus que transportavam 52 indígenas. Em sinal de protesto por falta de atendimento de suas reivindicações, o grupo pretendia bloquear a BR-163. (Sandra Costa)