Cuiabá, 19/09/2026

Perto do Natal, greve de agentes vai dificultar vida no comércio

   A partir desta quinta (28), os 12 postos de fiscalização de Mato Grosso param de funcionar. Isso porque os Agentes de Tributos Estaduais (ATEs) decidiram entrar em greve por tempo indeterminado caso o governo não cumpra o acordo firmado com a categoria em julho, quando foi deflagrada a primeira paralisação, que durou dois dias. Até o momento, apenas um item foi atendido parcialmente, que é o cumprimento de decisão judicial referente a passivos trabalhistas.

   O presidente do Sindifisco, João Bosco Griggi Borralho, disse em entrevista ao RDTV, hoje (25) que enviou comunicado de greve ao governador Silval Barbosa (PMDB) na sexta (22). A categoria está sob indicativo de paralisar as atividades desde a semana passada e, até então, não houve nenhuma sinalização de diálogo, o que, para Borralho, não é motivo de surpresa, já que desde agosto a classe vem tentando conversar com o chefe do Executivo. “O acordo era para ter sido cumprido até o dia 31 de agosto, mas até agora não foi”, afirma.

   Além dos passivos trabalhistas, o Estado se comprometeu a realizar recomposição salarial de 6,47%, referente a 2010. e revogar o artigo 8 da lei 497, que trata de atribuição dada a outra categoria. O presidente explica que, de imediato, o peemedebista se prontificou a acatar parte da pauta, que prevê ainda capacitação dos servidores, consolidação das leis de atribuição dos ATEs e reestruturação dos postos de fiscalização. “Agora queremos que o governador atenda a pauta completa”, frisa.

   A classe é composta por 550 servidores ativos que atuam na secretaria de Fazenda (Sefaz) e 580 aposentados e pensionistas. Uma das maiores reclamações dos trabalhadores, segundo o presidente do Sindifisco, é a situação caótica dos postos espalhados pelo Estado, especialmente da principal unidade fiscalizadora, situada na divisa de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. “Lá tem fossa transbordando, fiação elétrica exposta, dormitórios com ratos, rampas e plataformas irregularidades. Por não ter restaurante para se alimentar, os servidores têm que ir para cidades vizinhas”, conta Borralho.

   Além de perder o controle da entrada de mercadorias, a greve trará transtornos para o contribuinte e para empresários, que correm o risco de desabastecimento – ainda mais às vésperas do Natal, época em que o comércio registra uma das maiores altas no ano. As atividades também serão encerradas nos postos de fiscalização dos Correios, aeroportos, terminais ferroviários, transportadoras e terminais de cargas. A estimativa é de que o Estado perca, por dia, cerca de R$ 15 milhões.