Profissionalização da Gestão Esportiva
Nos últimos anos vários gestores utilizaram-se dos clubes de futebol para adquirir visibilidade e conquistar cargos políticos. A gestão destas pessoas, praticamente sem nenhuma exceção, não poderia ser chamada de profissional, conforme os critérios aqui propostos.
Portanto, a profissionalização da gestão esportiva requer uma completa mudança de mentalidade na gestão dos clubes.
Presidente e diretores devem ser remunerados a valor de mercado e trabalhar em período integral, para maximizar receitas e reduzir custos, tendo como objetivo a obtenção de títulos. Deve haver competência reconhecida em Finanças e Marketing além da óbvia necessidade da gestão de pessoas. A estrutura gerencial tem de ser semelhante à de uma empresa normal, sem nenhum traço de amadorismo.
O presidente do Mixto não precisa, em tese, ser Mixtense. Mas precisa ser um bom administrador de empresas e trabalhar em tempo integral. É muito difícil aceitar esta hipótese nos dias de hoje. Mas o exemplo dos técnicos é claro. O Wanderley Luxemburgo é santista, palmeirense ou corinthiano? A profissionalização exige a separação da razão e da emoção.
Sua profissão exigirá colocar a razão acima da emoção. Notem que até agora evitamos dar o exemplo mais evidente dos próprios jogadores. Vale o profissionalismo na gestão. O esporte morre sem a paixão. Mas paixão fica para a torcida e não para a gestão.
Na história da humanidade os processos evolutivos são regulamentados pela sociedade e não “criados” por leis. A história econômica recente do Brasil e da agricultura brasileira aponta uma situação que serve de excelente ilustração para este fenômeno que estamos salientando. Tradicionalmente desenvolvido com base na agricultura, o Brasil chegou até o início da década de 1980, sem que existisse uma única escola que formasse administradores rurais. Existiam apenas as escolas de agronomia.
Ora, a formação de um agrônomo é bastante diferente da formação de um administrador rural. O agrônomo não é preparado para as tarefas da administração.
A partir do momento em que o governo corta os subsídios da agricultura, vários cursos em gerenciamento de propriedades rurais surgem no país, e hoje vimos o sucesso que é.
E a realidade faz a necessidade, a mesma tese temos que adotar no futebol, incentivar o governo a criar escolas de formação para dirigentes esportivos, banir de vez a figura dos cartolas no futebol, pessoas que querem apenas tirar proveitos dos clubes e das torcidas.
No Matogrosso Futebol Clube, adotamos dois princípios básicos em gerir o clube: O torcedor e o nosso maior patrimônio, somente os filiados ao clube podem concorrer a cargos de Presidente e Diretores, a mesma tese adotada pelos Sindicatos, isto com sua contribuição rigorosamente em dias. Já com este princípio pretendemos inibir alguns cartolas que queiram se aventurar com o clube.
O segundo foi á criação de uma OSCIP. O Instituto Mato Grosso, com ele, apresentaremos projetos para captação de recursos deduzível de imposto de renda, tanto para pessoas físicas, como para pessoas jurídicas. Com a atual crise nem o governo se dispõem em ajudar qualquer clube que seja.
Hoje os dirigentes de clubes de futebol estão confundindo razão com emoção, estas pessoas acabam por perder tudo, ou no mínimo, boa parte de seus patrimônios, fato que infelizmente vem sendo observado nos dias atuais.
Cremos ter contribuído para a evolução da discussão da profissionalização da gestão dos esportes
Dejair Soares é publicitário, pós-graduado em gestão pública e ambiental e preside o Matogrosso Futebol Clube