Revista cita Abin e mostra futebol na era ditatorial
A revista Carta Capital desta semana traz entrevista exclusiva com Paulo Lacerda e também os questionamentos do motivo de tanta gente ser contra a permanência dele na Agência Brasileira de Inteligência, a Abin. A capa está com os seguintes dizeres: "vítima solitária do Estado policial", em alusão à situação de Lacerda na instituição que comanda. Em outro assunto, revela os segredos do primeiro jogador de futebol a conquistar sua "carta de alforria". "Por trás da letra de Gilberto Gil está um personagem atípico do futebol brasileiro", diz a matéria. Ídolo do Botafogo no início dos anos 70, Afonsinho ousou desafiar os clubes, comprar briga com cartolas, reivindicar direitos e tornar-se o primeiro jogador a obter na Justiça, em 1971, o passe livre. Uma luta solitária, travada em plena ditadura. Hoje, a barba e o cabelo estão brancos e disciplinados. O rebelde craque ganha a vida como médico do INSS. Mas nas ruas e areias de Copacabana, onde mora, poucos o conhecem por “doutor Afonso”. Por onde passa, é interpelado por amigos e desconhecidos.
Outro tema abordado na revista é um caso que chocou o estado de minas Gerais. Antério Mânica, prefeito reeleito de Unaí e suspeito de ser um dos mandantes da chacina de quatro auditores do trabalho na cidade, quatro anos atrás, acaba de ser condecorado pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Recebeu, na segunda-feira 24, a Medalha de Ordem ao Mérito Legislativo, pelos “serviços excepcionais” prestados em 2008. Aplaudido por “mais de mil convidados”, diz o site do Parlamento mineiro.
A homenagem irritou entidades engajadas no combate ao trabalho escravo e associações de auditores do trabalho. Os funcionários foram assassinados numa emboscada, enquanto realizavam uma fiscalização na zona rural de Unaí, no noroeste de Minas. No decurso das investigações da Polícia Federal, os irmãos Norberto e Antério Mânica, que figuravam entre os maiores produtores de feijão do País, foram apontados como os mandantes do crime.