Cidades

Terça-Feira, 21 de Janeiro de 2020, 21h:20 | Atualizado: 21/01/2020, 21h:37

NA PORTA DO ESTÁDIO

"Assassino não pode ser ídolo": mulheres protestam contra Bruno no Operário vídeo

Dayanne Dallicani

Protesto Bruno goleiro operário

Tinha torcida fazendo batuque, foguetório e bandeira flamejando. Pagode e rasqueado tocando. Churrasquinho, pastel e cerveja à venda. Guarda Municipal controlando o trânsito e muita gente chegando, na noite desta terça (21), para a disputa Operário e Poconé, no Estádio Municipal de Várzea Grande, o "Dito Souza". O jogo abriu a 1ª rodada do Campeonato Mato-Grossense 2020. E, além de todo cenário já esperado em um jogo qualquer, teve também protesto. Um grupo de mulheres quebrou o protocolo festivo do futebol e também fez barulho, com um carro de som e batuques. No entanto para denunciar o feminicídio.

Manifestantes afirmam que não são contra o futebol ou o Operário de VG, mas rejeitam a contratação do goleiro Bruno, condenado a 20 anos, por matar e ocultar o corpo de Eliza Samúdio, em 2010. Ela era ex-namorada dele e mãe do filho, um menino, o Bruninho, hoje com 9 anos.

Veja vídeo

Dayanne Dallicani

Protesto Bruno goleiro operário

O grito de protesto era #Bruno não!

"Não desejo esse exemplo educacional para nossas crianças", diz a presidente do Conselho Estadual da Mulher de Mato Grosso, Gláucia Amaral. A entidade já tinha emitido nota rechaçando Bruno no futebol, na condição de ídolo. "Aqui tem uma festa, senhoras e senhores, não somente uma segunda chance, a ressocialização, da qual somos a favor, é outra coisa, aqui tem é visibilidade, jogos nacionais, não é ressocialização, é fazer de conta que o feminicídio pode ser superado com facilidade e ele, rapidamente, vai retomar todo o glamour da vida que ele tinha".

Dayanne Dallicani

Protesto Bruno goleiro operário

Pedro acompanha campeonato mato-grossense: contratação não se justifica por 2 motivos

Ela destaca que um atleta tem que ser modelo.

"Se você for em outros países, o atleta tem que estar na escola, tem que ser exemplo, tem que trabalhar. (E em outros esportes, como) No UFC, por exemplo, é contrato rompido se bater na mulher", diz Gláucia.

A postura de vetar Bruno, segundo ela, tem que partir do clube esportivo. "Senhor Bruno tem todo direito de tentar retomar a vida, quem não deve aceitá-lo no time é o Operário".

A advogada Luciana Serafim é uma das organizadoras do protesto. Diz que quando ouviu a notícia da contratação de Bruno se sentiu revoltada. "Quis externar essa minha revolta e meu repúdio nesta manifestação".

Dayanne Dallicani

Protesto Bruno goleiro operário

Atleta tem que ser modelo: Gláucia Amaral, do Conselho da Mulher

No protesto, tinha homens também, como o professor Robinson Ciréia. Ele é da CUT, mas afirma que sua participação no ato é como cidadão. "Gosto de futebol, sou torcedor, é muito ruim ter um jogador que fez o que fez e ainda jogando bola. Uma pessoa que fez o que fez não pode ser ídolo". O caminho para a ressocialização dele, na opinião dele, deve ser outro. Que busque outra profissão.

Mas nem todo mundo pensa assim e as opiniões, na porta do estádio, estavam divididas. A nutricionista Drielly Borba, de 27 anos,  chegou ao estádio com pai para o jogo. Logo de cara se disse contrária ao protesto das mulheres. "Me isento de opinião, não acho certo, nem errado. Apoio o esporte, então independente dele (Bruno) vir ou não, quero que o time ganhe". Quanto ao crime que ele cometeu, diz que isso não a incomoda. "São duas coisas diferentes: vida profissional e vida pessoal".

Pedro Ribeiro, 31, servidor público, gosta de futebo, é torcedor do Operário e acompanha o campeonato local. Segundo ele, a contratação não se justifica nem tecnicamente e nem moralmente. "Sou duplamente contra".

Com muito sotaque, o varzea-grandense Roberto de Jesus, 57, diz que no Brasil tem um monte de assassinos de mulher e se fôssemos questionar todos eles ninguém faria mais nada da vida. "Sou a favor do Bruno".

Visitando Mato Grosso, Ronaldo Barbosa, 52, de Rondônia, foi ao estádio com filho, neto e diversos familiares, para uma noite divertida de futebol. Ele também defende o Bruno. "O que ele fez na Justiça já pagou. Se não pagou, vai acertar com Deus, agora tem que trabalhar".

Leonardo Castro, vice-presidente da Força Jovem, é Operário de coração, tanto é que tatuou o brasão do time no braço, estava batucando com cerca de 40 outros integrantes da torcida organizada. "Não vamos dar nenhum parecer oficial, nem postar nada, nem favorável, nem contra o Bruno, porque incondicionamente vamos apoioar o clube, é o clube acima de qualquer coisa para nós".

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Comentários (12)

  • GONÇALO CAMARGO | Quarta-Feira, 22 de Janeiro de 2020, 17h26
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    QUERO VER ESSAS MULHERES APOIANDO O CLUBE AGORA, JÁ ERA BRUNO, ANTES NÃO TINHA ESSE APOIO. TEM MUITA GENTE QUERENDO SE APARECER. TEMOS JUSTIÇA AQUI QUE NÃO É BEM JUSTIÇA, PORÉM A DO CÉU NINGUÉM ESCAPA.

  • Marisa | Quarta-Feira, 22 de Janeiro de 2020, 15h01
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    Gostaria de saber se essas mulheres sentem a mesma indignação ao ver Elize Matsunaga (que matou e esquartejou o esposo - um dos herdeiros da Yoki) levando uma vida de cidadã comum. Gostaria de saber se a indignação é seletiva, algo tipicamente feminista.

  • Roger Pantaneiro | Quarta-Feira, 22 de Janeiro de 2020, 12h20
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    NÃO CONTEM COM MINHA PRESENÇA NO ESTÁDIO EM JOGOS DO OPERÁRIO..

  • Carlos Eduardo | Quarta-Feira, 22 de Janeiro de 2020, 11h14
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    Do ponto de vista legal, Bruno pode voltar a trabalhar. Eu concordo que é um absurdo ele se tornar ídolo de crianças e adolescentes sendo que cometeu um crime hediondo. Ele foi um bom goleiro. Foi. Mas esse nome que ele carrega, de assassino, vai pesar nas costas dele por todo tempo que ele viver, porque não existe ex-assassino. Desde julho do ano passado ele tem direito ao regime semiaberto, de acordo com a lei penal brasileira. É uma pessoa que está buscando reintegração social. E o que ele sabe fazer é jogar futebol. Pela legislação esportiva, também não há impedimento. Não existe nenhuma previsão no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) de banimento do esporte por causa de condenação criminal. Façam esses tipos de ATOS e tentem mudar nossa legislação ai sim será justo para "TODOS NÓS". Existem inúmeros casos bárbaros em Cuiabá que ainda não foram solucionados e nem por isso esse "BANDO" de aproveitadores(as) não fizeram protestos.

  • alexandre | Quarta-Feira, 22 de Janeiro de 2020, 11h05
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    muito mimimi feminista peteba, de carona mo caso Bruno...

  • CARMEN | Quarta-Feira, 22 de Janeiro de 2020, 10h53
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    Acho que esse assunto já esta chato demais. Ele vai jogar no Operário sim, mais da metade dos que comentam aqui nunca foi a um estádio e nem sabem onde fica a sede do Operário. Comentam contra a contratação do goleiro apenas para " lacrar ", dar uma de certinhos. Ele tem que ressocializar sim e já foi julgado e sentenciado pela justiça ( sim, há justiça no Brasil ) e ponto final. Está aqui autorizado e não fugido. Acabou e deixem de ser chatos.

  • GONÇALO CAMARGO | Quarta-Feira, 22 de Janeiro de 2020, 10h49
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    GONÇALO CAMARGO, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • Adalberto | Quarta-Feira, 22 de Janeiro de 2020, 10h49
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    Estão revoltadas não pelo bruno, mas a imagem dele que lembra a de seus queridos maridos que um dia foi escolhido por elas, hoje totalmente frustradas.

  • Osvaldo Gomes da Silva | Quarta-Feira, 22 de Janeiro de 2020, 09h01
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    Entendo... então essa história de preconceito e recompor na sociedade reeducação isso tudo da boca pra fora.... no fundo segunda chance jamais... Do mesmo jeito que a menina poderia ser sua Folha, o criminoso tbm poderia ser seu filho.... e aí iria Matalo..?

  • Altair | Quarta-Feira, 22 de Janeiro de 2020, 08h53
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    O goleiro Bruno e qualquer outro condenado no mundo que pagou sua pena, pena esta imposta pela lei, lei esta imposta pela sociedade, não deve pagar a mais pelo que fez, caso contrário, estamos tratando de INJUSTIÇA. Ainda, a ressocialização passa pelo trabalho digno. Se não concordam, discutam a prisão perpétua e a pena de morte para serem inseridas em nossos estatutos legais.

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