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CRIME BRUTAL

Eu morri junto com elas, diz esposo e pai de vítimas de chacina em Sorriso

Mãe e três filhas foram assassinadas dentro de casa em novembro de 2023; autor confesso está preso

Beatriz Passos

Reprodução/SBT Comunidade

Regivaldo Batista Cardoso - chacina em Sorriso

O caminhoneiro Regivaldo Batista Cardoso diz que não vê mais sentido da vida depois que perdeu a esposa, Cleci Calvi Cardoso, de 46 anos, e as três filhas: Miliane Calvi Cardoso, 19 anos; M.C.C, 13; e M.G.C, 10. Elas foram estupradas e assassinadas dentro de casa, em novembro de 2023, na cidade de Sorriso (a 397 km de Cuiabá). O autor confesso do crime, Gilberto Rodrigues dos Anjos, de 32 anos, está preso na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá.

“Eu vou e volto e não tenho minha casa mais, não tenho minha esposa, não tenho minhas filhas. Que graça tem viver desse jeito?”

Regivaldo Cardoso

Regivaldo falou pela primeira vez após a chacina para o programa SBT Comunidade, transmitido pelo Canal SBT. Em entrevista, ele declarou que se sente sozinho, porque mesmo com o apoio dos familiares, a perda brutal da filhas e esposa o deixou sem motivação para seguir a vida.

“Antes eu tinha elas, eu trabalhava por elas, tudo. Aí hoje trabalho e não tenho mais família, não tenho objetivo para trabalhar mais. Eu vou e volto e não tenho minha casa mais, não tenho minha esposa, não tenho minhas filhas. Que graça tem viver desse jeito? Qual o objetivo de viver desse jeito? Eu tenho a minha sogra, a família, mas não é do mesmo jeito”, desabafou ele com a voz embargada.

Em um relato emocionante, ele relembra das filhas, do apego que tinha com as vítimas e diz que, sem elas, também perdeu a alegria de viver. 

“Eu morri junto com elas. Esse desgraçado acabou com a minha vida, me matou junto com elas. Vou viver para que hoje? Qual é o motivo tenho para seguir, se não tenho elas mais?”, questionou o caminhoneiro.

A descoberta do crime

No dia do crime, Regivaldo estava em viagem a trabalho no Paraná. Durante a reportagem, ele contou que aceitou um outro serviço de transporte de carga e inicialmente, ao não conseguir contato, achou que esse era o motivo de a mulher deixar de respondê-lo. No entanto, logo estranhou a situação, uma vez que tanto a esposa quanto às filhas lhe enviavam mensagens constantemente.

“Esse desgraçado acabou com a minha vida, me matou junto com elas”

Regivaldo Cardoso

“Sexta-feira de tardezinha eu falei com ela. No sábado, eu mandei mensagem e não tive resposta. Quando foi no domingo que eu vim viajando, mandei mensagem de novo perguntando que 'o que está acontecendo? Eu mando mensagem, você não responde. Tão brava comigo?', 'Vou ligar para a polícia'”, relembra ele.

Sem resposta, ele mandou mensagem para um amigo para pedir que fosse até a casa dele, no entanto o conhecido não estava na cidade. Depois ligou para a Polícia e entrou em contato com a escola das filhas mais novas, que também informou que nenhuma das duas foi estudar na segunda-feira. Ele insistiu mais um pouco e ligou para a sogra, que também informou que não conseguia falar com a filha desde sábado.

“Ai eu liguei e mandei mensagem para a Polícia ir lá, lá tava tudo do mesmo jeito. Foi quando a minha sogra pediu para a minha cunhada ir lá”, detalha o pai. Quando a cunhada chegou, a Polícia entrou na casa e encontrou os corpos espalhados e ensanguentados pelos cômodos.

“Eu quero que a Justiça seja rápida, que seja certa, que esse cara nunca mais saia da cadeia, que ele pague pelo resto da vida dele”, completou ele.

Brutalidade

O crime aconteceu em uma residência na Travessa Dezembro, no bairro Florais da Mata. A mãe e as três filhas foram encontradas nuas assassinadas dentro de casa. Os corpos foram encontrados em cômodos diferentes e com várias perfurações de facas, incluindo degolamento. As crianças estavam no quarto. Já os corpos da mãe e da filha mais velha foram achados no corredor da casa.

De acordo com o delegado responsável pela investigação, Bruno França, o crime foi premeditado, uma vez que Gilberto estava próximo da casa das vítimas e conseguiu observar a rotina delas. “A premeditação é óbvia, porque ele morava na obra ao lado do local do crime e, como todo predador sexual, já vinha espreitando as suas vítimas. [...] Ele foi preso com roupas íntimas das vítimas. Não há maior demonstração de que se trata de um predador em série", disse França durante coletiva de imprensa.

Conforme a Polícia Civil, durante o seu depoimento Gilberto disse que abusou sexualmente da mãe e das duas filhas mais velhas enquanto elas agonizavam. Ele ainda relatou que atacou primeiro a genitora.

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