A Defensoria Pública criticou duramente o desfile realizado com adolescentes aptos para adoção, realizado na noite da terça (21), no Pantanal Shopping. O evento, intitulado “Adoção na passarela”, reuniu cerca de 200 pessoas na plateia, conforme a Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara), responsável por organizar a ação, junto com a Comissão de Infância e Juventude (CIJ) da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso (OAB-MT).
Rodinei Crescêncio
Defensoria Pública, em nota, repudia evento e diz que expõe vunerabilidade social de jovens
Na tarde desta quarta (22), a Defensoria emitiu um comunicado repudiando o evento. "Corre-se o risco de que a maioria dessas crianças e adolescentes não seja adotada, o que pode gerar sérios sentimentos de frustração, prejuízos à autoestima e indeléveis impactos psicológicos", disse a instituição.
A Defensoria ressalta ainda que a exposição dos menores pode levar à objetificação e passar uma ideia de mercantilização dos jovens. “Fato que não coaduna com os princípios norteadores da Constituição da República Federativa do Brasil e do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA).”
“A intenção desta nota não é descaracterizar a relevância das instituições idealizadoras. O evento, com a intenção de dar visibilidade a crianças e adolescentes de 4 a 17 anos que estão aptas para adoção, em verdade, as expõe ainda mais à situação de extrema vulnerabilidade social”, disse trecho do comunicado.
“O sonho de ser mãe ou pai deve ser tratado como um ato de amor e não como uma mercadoria a ser buscada numa vitrine”
Diz nota dos defensoresConforme a Defensoria, é necessário ressaltar que não se pode, sob o pretexto de facilitar a adoção, usar práticas que possam atentar ou violar a integridade psíquica e moral dos menores. “Existem limitações éticas à busca de voluntários dispostos à adoção, e elas devem ser verificadas, como já diz o adágio popular: os fins jamais poderão justificar os meios”, assinalou a instituição.
“Por fim, o sonho de ser mãe ou pai deve ser tratado como um ato de amor e não como uma mercadoria a ser buscada numa vitrine. Diante do exposto, repudiamos o evento Adoção na Passarela”, concluiu.
O comunicado foi assinado pelos defensores públicos da Infância e Juventude de Cuiabá e de Várzea Grande, Márcio Bruno Teixeira Xavier de Lima e Cleire Regina Ribeiro Nascimento.
Repercussão negativa
Nas redes sociais, o evento foi duramente criticado. O jornalista Paulo Henrique Amorim, no site Conversa Afiada, rechaçou: “quando se pensa que o Brasil é capaz de tudo, aparece uma inovação alucinada: uma passarela para que crianças de 4 a 17 anos desfilem diante de futuros pais como se fossem modelos! Seguramente, a ideia deriva da SP Fashion Week, com a coreografia e o know-how da cultura do espetáculo com que a Globo contaminou o Brasil”.
Este é o segundo ano que a Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara) realiza o desfile, em parceria com a Comissão de Infância e Juventude (CIJ) da OAB-МT. A Ampara faz um trabalho paralelo ao Poder Judiciário, ministra cursos para pais adotantes e se dispõe a apoiar quem opta por adotar uma criança.
O
conversou com Ana Regina, da Ampara, sobre a repercussão negativa. Ela disse que viu as críticas ao desfile, mas assegura que, apesar das posições contrárias ao evento, as pessoas que foram ao ato conseguiram entender a proposta e ver a realidade das crianças que, uma vez rejeitadas por pais biológicos e familiares, esperam ansiosamente por um lar.
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Cidadão Preocupado 23/05/2019
Interessante as reclamações, quero mesmo é ir lá ajudar o dia a dia desse pessoal que trabalha com essas crianças. Dar um pouco de atenção, carinho, se doar um pouco para um irmão que precisa de ajuda. Criticar no sofá é fácil.
Beatriz 22/05/2019
Parabéns ao Defensores que assinam a nota. O evento foi lamentável.
gilda balbino 22/05/2019
PARABÉNS. LAMENTÁVEL O OCORRIDO.
Luis 22/05/2019
Só agora? E olha q essa monstruosidade está em sua segunda edição, se brincar os marajás do ministério público estavam lá, na primeira fileira.
4 comentários