Previsão do tempo ??°C Cidade

CIDADES Domingo, 04 de Setembro de 2022, 08:30 - A | A

Domingo, 04 de Setembro de 2022, 08h:30 - A | A

CATAR 2022

Febre pelo álbum da Copa revive paixão antiga entre jovens e adultos

Estoques de figurinhas já esgotaram em Cuiabá e Várzea Grande nas últimas semanas; pontos de troca são opção

Geovanna A. Torquato

Geovanna A. Torquato

�lbum de figurinhas da copa

Quinta-feira (1º), 16h. Rostos tímidos já começam a mudar de expressão diante das mesas temáticas da Copa do Mundo deste ano. Próximo à Banca Popular, na região central de Cuiabá, o movimento começa a aparecer cedo e o local reúne gente de todas as idades, mas principalmente pais com crianças, todos com a atenção e o coração focados na mesma coisa há quinze dias: o álbum de figurinhas da Copa do Mundo no Catar.

Desde o dia 27, Cuiabá e Várzea Grande enfrentam falta de pacotes de figurinhas devido à alta procura pelos cromos. Na Banca Popular, todo o carregamento para a semana esgotou em uma mesma tarde, quando ocorreu o lançamento do álbum de capa dura. Testemunhas registraram a lotação nas redes sociais, chocadas com a comoção coletiva pelas figurinhas.

Para o rito, ninguém precisa de manual – nem as mães ali presentes. Todos já conhecem as regras e os valores de cada tipo de figurinha. Basta piscar e vêem-se todas as mesas com negociações em andamento.

Além dos típicos cromos dos jogadores e extras do álbum, muitos buscam a novidade deste ano: os cromos lendários, ou as figurinhas raras. A Panini, editora do álbum, organizou 80 figurinhas de 20 jogadores divididos em quatro categorias: ouro, prata, bronze e bordô. Tais cromos são batizados dessa forma em razão da probabilidade de encontrar uma unidade ser de 0,005%.

De modo geral, a troca de figurinhas segue a seguinte cotação a partir das categorias de adesivos existentes:

Arte: Geovanna A. Torquato

Regras para troca de figurinhas

No meio da Praça Popular, as trocas de figurinhas acontecem de quinta a domingo, a partir das 16h, entre os apaixonados pelo futebol e pela emoção de colecionar. Um deles, o jovem Rômulo Patrick, revela que passou a colecionar em 2014, quando começou a trabalhar e pode bancar o hobby com seu próprio dinheiro: “A emoção mesmo é abrir o pacotinho para ver o que tem. O negócio mais gostoso é isso aí”.

Abaixo de uma das árvores, Rômulo conversava enquanto selecionava quais figurinhas queria trocar com Henrique Domingues, colecionador assíduo de álbuns desde 1996, muito além dos álbuns do mundial. “Eu coleciono desde 96. Comecei com o do Campeonato Brasileiro e até hoje não parei. Eu faço o Brasileiro, faço Copa América até infantil, Batman, Mickey, faço tudo!”.

No caso de Henrique, as trocas ajudam e favorecem o preenchimento do álbum. Corajoso, planeja completar três edições, uma com cada tipo de capa – brochura, capa dura e prateada. “No sábado foi um fuzuê total, mas foi bom porque eu consegui completar o meu primeiro álbum naquela tarde”, detalha.

Geovanna A. Torquato

�lbum de figurinhas da copa

Ao todo, Henrique já possui 20 figurinhas lendárias e não se limita a trocas em Mato Grosso. “Eu consegui todas trocando aqui e pelo Correio. Estou em mais de 30 grupos de troca de figurinha no Brasil inteiro", diz.

O movimento gerado pelas figurinhas é ainda mais satisfatório para aqueles que são os proprietários das bancas de jornal. A Banca Popular, devido à pandemia, quase não sobreviveu para viver momentos inusitados como o do dia 27. O casal Alexsandro e Alessandra Malaquias cuida do pedaço de história na praça há 14 anos e vive algo inédito no tocante aos álbuns da copa.

Após anos difíceis e com o fechamento da distribuidora local, o casal conseguiu se recuperar com o apoio das editoras para que a banca não fechasse. Hoje, é a referência em pontos de troca em Cuiabá.  “A gente não desistiu, a gente acreditou e, com o apoio das editoras, a gente conseguiu que a nossa banca e tantas outras permanecessem abertas, porque estávamos praticamente falidos”, comenta Alexsandro.

Geovanna A. Torquato

�lbum de figurinhas da copa

Para Alessandra, a realização das trocas é pura satisfação: “Começou de brincadeira! O pessoal sentava no chão, tinha só três mesinhas e o nosso encontro virou uma coisa bem família mesmo”. O casal organiza os encontros para troca desde o Mundial de 2014, como uma forma de ajudar a preencher o álbum e, principalmente, a economizar.

Desde a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, o preço do álbum comum, de brochura, mais que triplicou. Já o valor pacote de figurinhas inflacionou em 4x.

Sem as trocas, uma pessoa teria que gastar, no mínimo, R$ 550 para adquirir e completar a edição deste ano.

Arte: Geovanna A. Torquato

Gr�fico pre�o dos �lbuns de figurinhas

Muito mais que realização de completar o álbum, o encontro para trocas é um resgate de memória.  Muitas crianças compram a paixão pelas figurinhas ao acompanhar avôs e pais.

Durante as trocas, as crianças, às vezes mais tímidas por conta do afastamento da pandemia, saem de si para conversar, fazerem amizades e se envolverem uns com os outros.  “A gente mexe com a afetividade, é muito bom! As crianças vêm aqui e é um aprendizado. Elas saem dos celulares, da tecnologia, gravam o nome dos jogadores. Inclusive crianças autistas evoluem bastante”, conta o gerente da banca.

Já para André Luiz, responsável pela Revistaria Manchete, no Centro de Várzea Grande, o movimento da Copa do Catar é diferente de tudo o que ele já viu estando à frente da banca junto à sua mãe. “A Copa de 2018 foi agitada, mas igual essa daqui eu nunca vi”, comenta surpreso. "Os pacotinhos esgotaram em um dia e meio e a reposição só chega semanalmente, por isso que o pessoal faz as trocas”.

Geovanna A. Torquato

Andr� Luiz Gomes - �lbum de figurinhas da copa

De pai para filho

Além das figurinhas, a dinâmica pelos álbuns da copa reúne histórias que estreitam os laços de pai para filho. João Nery e João Pedro Chirolli são pai e filho que não poupam esforços para completar os álbuns. Colecionadores desde 2010, o hobby é levado a sério e as saídas para trocas na Praça Popular são sagradas. A família se volta toda para o mundial, incluindo a pequena Maria Elisa, de 11 anos. Influenciada pelo pai, a menina está em seu primeiro álbum e também não esconde o entusiasmo.

Ainda que seja um hobby, a ética opera como uma mão invisível entre as negociações: “Tem gente que quer vender, cobrar dinheiro pelas figurinhas e acabam explorando e isso não é legal, tem que ser pela troca, de igual para igual”, explica o pai. “Às vezes dá pra ser um pacotinho por um pacotinho, vai da boa vontade de cada um”, acrescenta.

Rodinei Crescêncio/RDNews

Figurinhas da Copa

A adesão das novas gerações sustenta uma prática que faz a beleza do meio impresso sobreviver entre os diversos tipos de arquivos em PDF. Ainda que não seja um fã de futebol, Eric Martini quis completar o álbum da Copa de 2006 para comemorar o nascimento de primeiro filho João Paulo. Com muito suor, o livro foi preenchido, entretanto, foi parar no lixo algum tempo depois por sua esposa.

Hoje, João Paulo é muito mais entusiasta do mundial de futebol do que de colecionar as figurinhas em si, mas não fica de fora da festa. “O álbum ajuda a entrar no clima da Copa, a gente fica naquela tensão de quem está no álbum, quem não está, qual a escalação”, comenta o estudante do primeiro ano do ensino médio. "“Inclusive, eu nem sabia que tinha as figurinhas raras. Eu consegui uma em um pacotinho e quase colei no lugar da figurinha normal”, conta.

Geovanna A. Torquato

�lbum de figurinhas da copa

Assim como Eric, João Vitor Duarte planeja transmitir o espírito da Copa do Mundo para o seu filho, Sebastian, que tem previsão de nascer no dia do jogo da final. Completar o álbum é um desafio, por ser sua primeira vez, mas a tecnologia tem auxiliado. “Eu e minha esposa baixamos um aplicativo e estamos controlando quantas figurinhas temos por lá. Estamos com quase 50% do álbum completo”.

Geovanna A. Torquato

�lbum de figurinhas da copa

Na última quinta (1º), foi a primeira vez de João Victor trocando figurinhas na Praça Popular. Natural de Angélica, interior do Mato Grosso do Sul, o jovem veio para Cuiabá a trabalho. Muito mais que completar o álbum, João Victor quer mesmo uma vitória do Brasil pelo seu filho. “O hexa vem!”, garante. De certo modo, para todos esses torcedores, apenas de conseguirem as 670 figurinhas da edição 2022 do álbum, cada um pode se sentir levantando a taça da Copa por alguns merecidos segundos. 

Entre na comunidade do Rdnews no WhatsApp e acompanhe as notícias em tempo real; Acesse

Álbum de fotos

Rodinei Crescêncio/RDNews

Rodinei Crescêncio/RDNews

Rodinei Crescêncio/RDNews

Geovanna A. Torquato

Geovanna A. Torquato

Geovanna A. Torquato

Comente esta notícia

Osório nunes 04/09/2022

Tem otário pra tudo

positivo
0
negativo
0

1 comentários

O portal e o blog não se responsabilizam pelos comentários aqui postados. Se você se sentir ofendido pelo conteúdo de algum comentário dirigido a sua pessoa, entre em contato conosco pelo e-mail contato@rdnews.com.br