Os feirantes do tradicional Mercado do Porto, em Cuiabá, vivem cenário de incertezas diante da exigência de um Selo de Inspeção Municipal (SIM) para a comercialização de produtos de origem animal, como linguiças caseiras, queijos e carne seca. Eles relatam dificuldades para cumprir os novos requisitos e afirmam que faltam informações e suporte por parte do Município.
Sem querer se identificar, por medo de represálias, os feirantes desabafam sobre os impactos negativos da medida. “Aqui são produtores pequenos que comercializam os produtos para nós. Temos sitiantes de Nossa Senhora do Livramento que produzem apenas 10 queijos por dia. Eles não têm estrutura, nem condições financeiras para conseguir o selo, pois esse investimento tem um alto custo”, explica uma comerciante.
Outro feirante, que atua no setor de carnes, compartilha a mesma preocupação. “Estou me sentindo clandestino, como se estivesse fazendo algo errado. E não temos muitas informações ou suporte para resolver isso”, lamenta. Segundo os trabalhadores, para alguns produtos, como os queijos, seria necessária a estrutura de um pequeno laticínio, inviabilizando os negócios menores.
"Uma estrutura como a que querem pode custar mais de 100 mil e não temos condições para isso", disse outro deles.
A apreensão também se reflete na continuidade do Mercado do Porto como um polo de produtos caseiros. “Quem fomenta o Mercado do Porto é justamente quem traz ovo caipira, manteiga caseira, requeijão, carne seca, tudo de origem caseira. Se pararmos de vender, o que vai sobrar? Acaba o Mercado do Porto”, afirma uma empreendedora que atua há anos no local.
O impasse
De acordo com o secretário de Agricultura e Trabalho, Fellipe Corrêa, a necessidade do selo é uma pendência que se arrasta há cerca de oito anos e está prevista em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público e os permissionários em 2017. O TAC permitia a venda sem o selo, desde que respeitadas certas regras. Em 26 de outubro do ano passado, uma reunião entre feirantes, Ministério Público, Vigilância Sanitária e a gestão municipal definiu que, após a transição para a estrutura definitiva do Mercado, haveria fiscalização e cobrança do selo a partir do fim de março.
Recentemente, os feirantes receberam uma notificação da Prefeitura exigindo a regularização e alertando que produtos sem selo seriam apreendidos, podendo resultar até na perda das bancas. O problema é que nem todas as áreas do Mercado já foram transferidas para a estrutura definitiva, como é o caso do setor de carnes. “Eles nem poderiam ser cobrados ainda. A estrutura nem foi toda concluída. Eu vi senhora chorando ao receber a notificação, com medo de ter que fechar”, conta um feirante.
A revolta dos trabalhadores aumentou quando, poucos dias após as notificações, a própria Prefeitura realizou uma feira de agricultura familiar, onde pequenos produtores venderam produtos como queijos, leite e frango caipira sem o selo exigido no Mercado do Porto.
"Isso é muito contraditório, não somos contra os produtores, mas porque foi permitido para eles o que é proibido para nós?", questionou o dono de uma banca.
Diante das reivindicações, a Prefeitura suspendeu a fiscalização da Vigilância Sanitária, que estava prevista para 24 de março. Agora, os feirantes terão até agosto de 2025 para se adequar. O secretário Fellipe Corrêa também anunciou que a Prefeitura apresentará, até o fim de março, um planejamento estratégico detalhando os passos necessários para a regularização.
Os feirantes ainda esperam um acordo coletivo que permita aos pequenos produtores se encaixarem nas novas regras sem inviabilizar seus negócios. A incerteza continua, mas a esperança é que o diálogo traga soluções viáveis para manter viva a tradição do Mercado do Porto.
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Pedro luis 24/03/2025
Queijo e Carne como são produtos de fácil contaminação e muito importante a origem e um controle sanitário.Ningurm sabe onde e produzido e manuseado??
Camila 23/03/2025
Se lessem a reportagem completa. Foi feito ACORDO da gestão passada com o ministério público, TAC, se descumprido tem consequências piores. E por que não criticaram o a ordem antes de ser firmado?? Teve reunião com feirantes.
Pedro 23/03/2025
Mudem para VG. Simples. Eu pulo pra lá com gosto se tiver que ir fazer compra. Prefeitinho só bate em p...pobre e trabalhador pequeno. A Cristal está aí de prova.
Angelo 23/03/2025
Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário
MARCOS ANTONIO 23/03/2025
O Prefeito quer acabar com a feira do porto, porque não esta exigindo das feiras livres, Esta bem claro e os vereadores apoiam isso. Vamos aprender a votar e tirar toda esta corja do poder.
Vadão 23/03/2025
Lembrando que o congresso não aceita devolução
dalva 23/03/2025
e a feira do cp2 de domingo tambem vao exigir nos produtos o selo? deixem os feirantes trabalharem, veem isso mais la pra frente, esta muito tumultuado esse negocio.
Elza Figueiredo 23/03/2025
Tem que tomar mesmo no cool, quem sabe assim aprendem votar.
Avenir f. M. Araujo 23/03/2025
Estou plenamente de acordo, pois PAU QUE BATE EM CHICO TAMBEM BATE EM FRANCISCO NAO PODE SER 2 PESOS E DUAS MEDIDAS, OS PREÇOS DAS MERCADORIAS SE IGUALA AOS OUTROS COMERCIANTES FORA DO mercado do porto tem de ter igualdade nas fiscalizações já que os preços se equivalem aos comerciantes fora do MP e serão penalizados?
9 comentários