Previsão do tempo ??°C Cidade

CIDADES Quarta-feira, 12 de Outubro de 2016, 18:20 - A | A

Quarta-feira, 12 de Outubro de 2016, 18h:20 - A | A

Forçado a dar carona, padre morto fora vítima de traficantes de drogas

Bárbara Sá
Enviada Especial a Rondonópolis

selo violencia roo 500

 

O estrangulamento do padre João Paulo Nolli, de 35 anos, na madrugada do último domingo, em Rondonópolis, pode ter sido motivado pelo tráfico de drogas.

Entre segunda e esta terça, a reportagem do ouviu autoridades policiais, entre elas os delegados Claudinei de Souza Lopes e Gustavo Belão, responsáveis pelas investigações, familiares, religiosos e alguns moradores, que admitem essa hipótese.

Como era acostumado a evangelizar jovens viciados em drogas e, de certo modo, se tornou conhecido de muitos deles, o sacerdote teria sido atraído por um grupo e forçado a dar carona.

O corpo do pároco foi velado em Rondonópolis por algumas horas e depois transladado para o Paraná, onde moram seus familiares.

Gilberto Leite/Rdnews

claudinei delegado roo 400

Claudinei de Souza, que conduz investigações sobre o assassinato do padre João Paulo, em entrevista ao Rdnews na sede da Delegacia Regional de Rondonópolis

Três jovens confessaram o crime contra o pároco, que era uma pessoa bastante carismática e que arrastava multidão às celebrações. Eles moram no parque Universitário e são usuários de droga. A reportagem percorreu o bairro. Tentou entrevistar os pais, irmãos e uma tia dos adolescentes, mas ninguém quis se pronunciar publicamente sobre o assunto. Estão temerosos. O assassinato do padre comoveu Rondonópolis e ganhou repercussão nacional.

Reprodução

menores padre 500 roo

Os menores que confessaram ter matado estrangulado o padre João Paulo, após este ter dado carona

Uma pessoa que preferiu não se identificar revela que era comum o padre evangelizar jovens viciados em entorpecentes. Por essa circunstância, a relação se tornava próxima de alguns deles. “É comum nesses bairros oferecerem drogas em troca de outros 'favores'. É só o que eu posso dizer. Não quero dizer com isso, que o padre tivesse envolvimento com drogas. O problema é que ele, na intenção de ajudar jovens a sair do buraco, acabou sendo vítima deles", relata uma pessoa que conduz um projeto social.

Na região existe um projeto social, onde meninos costumavam “passar o tempo”, mas nunca quiseram se matricular em qualquer atividade do local.  Ao invés disso, buscavam ficar em baixo de árvores fumando drogas. “Nunca participaram de nada. Quando questionamos o pai de um, a mãe apenas disse que o filho não queria e que não poderia obrigá-lo. Depois de ouvirmos isso dela, apenas o deixávamos ficar, nunca mexeu com ninguém aqui, víamos (...), mas o que podíamos fazer”, comenta representante de uma entidade. Depois do assassinato do padre, no último domingo, sumiram do bairro. "Não soubemos mais deles. E quando a polícia nos procurou, confesso que ficamos chocados".

Gilberto Leite/Rdnews

gustavo delegado roo 400

Delegado Gustavo Belão, titular da Roubos e Furtos, e que também investiga caso

No parque Universitário, nenhum morador quis falar com a reportagem. “Não sei nada sobre isso”, “ Só sei que o padre deu carona para eles”, “ Nem sei quem eles são”, “ Não quero falar sobre isso”. Essas foram respostas dos moradores da região, quando abordados.

Questionado sobre se mais pessoas podem estar envolvidas no homicídio do sacerdote, os delegados Claudinei Souza Lopes e Gustavo Belão explicaram que agora não podem mais dar informações sobre o crime, pois a juíza Maria das Graças Gomes da Costa, da 6º Vara da Infância e Juventude de Rondonópolis, decretou sigilo no processo por se tratar de menores.

Revolta e clamor

Enquanto isso, moradores estão revoltados com a transferência dos adolescentes para Cuiabá. Conforme a secretaria estadual de Justiça e Direitos Humanos, trata-se de questões de segurança. “É muito fácil fazer o que fizeram e simplesmente o Estado levar eles daqui. Assim eles não vão arcar com o peso do que fizeram", reclama a garçonete Marianna de Deus, de 25 anos.

Em rede social, jovens que conheciam o padre desde sua chegada a Rondonópolis externaram indignação. Por meio de nota, o bispo diocesano dom Juventino Kestering descreve o sentimento de toda a cidade diante da situação. E pede ao povo católico e todos de boa vontade que continuem firmes na fé, defendendo os valores, implantando cultura da paz, da concórdia e da tolerância. E solicita que rezem pelos assassinos para que possam reconhecer o mal que cometeram que tenham a graça de arrepender-se. "Que este fato os ajude a mudar a vida e de agora em diante e lutar pela vida e não pela morte".

Entre na comunidade do Rdnews no WhatsApp e acompanhe as notícias em tempo real; Acesse

Comente esta notícia

JEFERSON MATOS 13/10/2016

Fica uma triste lição: nunca seja bom sozinho á noite. Ele tinha as melhores intenções, mas dar carona a 03 pessoas que com certeza são de alta periculosidade foi fatal pra ele.

positivo
0
negativo
0

pox 13/10/2016

traga essa turma aqui em poxoreu vao beber muita agua

positivo
0
negativo
0

Francinildo Barbosa 13/10/2016

Parabéns pela matéria

positivo
0
negativo
0

3 comentários

O portal e o blog não se responsabilizam pelos comentários aqui postados. Se você se sentir ofendido pelo conteúdo de algum comentário dirigido a sua pessoa, entre em contato conosco pelo e-mail contato@rdnews.com.br