Dayanne Dallicani
Presidente da Unimed Cuiabá, médico patologista Rubens Carlos de Oliveira Júnior, profissional de sucesso, diz que, mesmo assim, não escapa do racismo
Médico patologista Rubens Carlos de Oliveira Júnior, de 47 anos, um dos mais respeitados da Capital, está no topo da carreira. Dono do laboratório Lapat, é também presidente do maior plano de saúde de Cuiabá, a Unimed. Mesmo assim, ainda hoje, afirma que, por ser negro, é alvo de racismo escrachado ou velado.
“Sofri (na infância e juventude) e sofro até hoje, sofro racismo como presidente da Unimed Cuiabá. Racismo é inerente, esquece...Não sou daqueles ativistas, mas dentro do meu espectro de pessoas, combato muito isso”.
Por que esse preto chegou e eu não?
Não foi um percurso fácil e nada caiu do céu. O garoto Rubens Jogava futebol - o que é dentro do que se espera de um negro: ser craque. Porém, muito bom de notas, a mãe sugeriu outro caminho: que estudasse. Então resolveu pegar pesado nos livros. Passou em 3 faculdades de primeira, escolheu a UFMT, onde se formou em 1996. “Sou um predestinado e Deus gosta de mim”, comenta. Na turma, só tinha ele mais um outro negro, que também se formou, o oncologista Dirceu Gonçalo. O resto todos brancos.
Em uma situação de conflito, um colega o chamou de “preto safado, vagabundo, sem-vergonha”. Não deixou por isso mesmo e o processou. Ganhou a ação. O agressor teve que doar 150 cestas básicas e se retratar em jornal de grande circulação, e isso foi feito no Diário de Cuiabá.
“Você vai lapidando a pedra bruta dentro de si, lidando com esta situação (o racismo) como uma oportunidade de fazer o melhor, mas a gente se machuca. Chorei, fiz terapia. Então não me chamem de ladrão. Conquistei tudo que tenho com muito sangue, suor e lágrimas”
Uma coisa que o irrita muito, hoje em dia, é ser chamado de ladrão. “Podem falar o que quiserem, mas isso me tira do sério, uma das poucas coisas que me tiram do prumo, porque não foi fácil chegar onde cheguei e com essa cabeça. Você vai lapidando a pedra bruta dentro de si, lidando com esta situação (o racismo) como uma oportunidade de fazer o melhor, mas a gente se machuca. Chorei, fiz terapia. Então não me chamem de ladrão. Conquistei tudo que tenho com muito sangue, suor e lágrimas”.
Ele acredita que muitos o olham com desconfiança. "Como esse preto chegou e eu não?"
Por ajudas que obteve na jornada, é grato, como a do dentista Jorge Uemura. "Meu pai estava quebrado e ele gostava muito de mim, me ajudou muito, aproveito para agradecer".
Nascido em Santos (SP), Rubens veio para Cuiabá com a família, quando tinha 4 anos, em 1976. Todos negros: o pai, primeiro protético de Mato Grosso; a mãe, dona de casa; e mais 2 irmãos. Todos se formaram, mas médico Rubens ainda é o único da família. “Primeiro e único”.
Sobre a data de hoje, discorda do feriado. Preferiria que houvesse palestas e atividades sócio-culturais.
Workaholic, trabalha 16 horas por dia. Pai de 3 filhos, procura orientá-los, para não se abaterem com o racismo.
Veja vídeo
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Jonas 21/11/2019
Fala que sofre racismo sendo eleito por uma grande maioria branca
sinopense 21/11/2019
Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário
TANGARENSSE 21/11/2019
QUER COMOVER QUEM ???? A UNIMED VIROU HEREDITÁRIEDADE IGUAL CARTÓRIO ANTIGAMENTE.... QUANTA HIPOCRESIA...
MARIANA 21/11/2019
FACAM UMA DEVASSA NAS CONTAS DA UNIMED SÓ ISSO...
CARMEN 21/11/2019
Esse aí não precisou de cotas para entrar na universidade. Parabéns por ter estudado e passado com méritos próprios, sem favores.
TUKINHA NETTO DE CUIABÁ 21/11/2019
Nossa senhora APARECIDA é negra , Rei Pelé é negro , Campeão mundial de F 1 é negro , Ex Presidente do USA que todos pedem sua volta é negro , e nossa vida continua com trabalho e honestidade e respeito a todos ! Caras e Bokas e atitudes que vivo todos os DIAS por pessoas de mal com a vida , EU devolvo com sorriso e gentileza , pois EU NÃO TENHO CULPA DELES TEREM NASCIDO ! Precisamos sempre lembrar , que quando nascemos de dentro de nossas mães sai um de cada vez , quando morremos dentro do caixão só vai uma pessoas , é simples a VIDA cada um cuida de si e ELA NA FRENTE TERÁ QUE PRESTAR CONTAS A DEUS . Meu amigo , como é bom ver um negro sempre em lugares de destaque ainda mais quando se tem uma bela história de lutas ! Como é sua história Presidente e de seus familiares . Eu Sou o TUKINHA NETTO DE Cuiabá-MT
Dyego Franncis Costa Matos 21/11/2019
E dai se vc é medico...Eu sofro racismo mesmo sendo cidadão do Bem e respeitando o próximo!
José Sesostris de Lima 20/11/2019
Aprendi a gostar e respeitar esse ser humano fantástico. Meu afetuoso abraço.
Orlandir Cavalcante 20/11/2019
Essa Ana é o Ó do Borogodó kkkkkk Elite Cuiabana não é racista! kkk Cuiabá não está no Brasil ? O primeiro argumento do racista brasileiro é tentar se justificar que é negro, tem parentes negros, tem amigos negros !!!! E ainda se considera ser elite cuiaban por ser negra!!!! Caracas kkkk ... Mas parabéns ao entrevistado.... mostrou se corajoso em colocar o dedo na ferida em um dia como este... A sociedade brasileira é racista e vive tetando esconder este flagelo... desvelar é necessário.....
Carlos 20/11/2019
Como negro não sinto isso nas ruas da nossa capital. Concordo com a Ana, a elite do nosso estado há muito tempo é negra ou parda. Nos últimos anos com a ascensão dos sulistas isso tem mudado um pouco, mas Cuiabá é um exemplo de respeito entre as pessoas. O que se vê aqui dificilmente se vê em outras grandes cidades.
Manoel Coelho 20/11/2019
Parabéns Doutor Rubens pelo sucesso e competência .
Maria Figueiredo Gonçalves 20/11/2019
Parabéns, doutor Rubens. Um exemplo a ser seguido.
Arildo 20/11/2019
Esse cara é um exemplos para os negros que ficam reclamando e não vai sentar a bunda para estudar e depois fica achando culpados pelo seu fracasso
Ana 20/11/2019
Racismo em Cuiabá? Conta outra. A elite cuiabana sempre foi negra. Alguma situação pontual até acredito. Sou negra e reconheço que diferentemente de outras capitais, o povo cuiabano é livre desse preconceito.
14 comentários