Vivaldo Lopes

Vitória de virada

Por 05/12/2019, 08h:29 - Atualizado: 23/01/2020, 07h:25

Dayanne Dallicani

Colunista Vivaldo Lopes

O robusto e surpreendente crescimento do PIB brasileiro anunciado pelo IBGE nesta terça (3) teve um gostinho de vitória no futebol. De virada e nos últimos minutos do segundo tempo. Começamos o ano com um inexplicável otimismo por parte do empresariado e analistas econômicos de crescimento de 2,5%. Chegamos ao final de novembro com o mercado afirmando que a economia cresceria apenas 0,8%. Muito abaixo do 1,3% de 2017 e 1,1% de 2018.

Começamos o ano com um inexplicável otimismo por parte do empresariado e analistas econômicos de crescimento de 2,5%. Chegamos ao final de novembro com o mercado afirmando que a economia cresceria apenas 0,8%. Muito abaixo do 1,3% de 2017 e 1,1% de 2018

O IBGE anunciou que no terceiro trimestre o PIB cresceu 0,6%, puxado pelo consumo das famílias e pelo investimento privado. Comparado com o terceiro trimestre de 2018 o crescimento foi de 1,2%, bem acima da previsão dos analistas do mercado, consultorias e departamentos de estudos econômicos  dos grandes bancos. Considerando que os indicadores precedentes indicam crescimento mais forte no último trimestre do ano, espera-se que o PIB brasileiro termine 2019 com crescimento de 1,5%.

O relatório traz ainda a boa notícia de que a indústria voltou a crescer após longa letargia de 12 trimestres seguidos de queda. Sua expansão foi puxada pela construção civil e pela indústria extrativa, especialmente o setor de petróleo, óleo e gás. Mesmo tendo baixa participação relativa na formação do PIB, a agropecuária, novamente, foi o setor que apresentou maior desempenho, com crescimento de 1,3%, baseado na produção e exportação de grãos e carnes.

O entusiasmo com a eleição do presidente Jair Bolsonaro e sua recém nomeada equipe econômica explicava a euforia empresarial no começo do ano. Ao findar o primeiro semestre as expectativas recuaram diante de vários tropeços, demoras e barbeiragens políticas e econômicas da administração federal para aprovação e implantação das esperadas reformas estruturais. O ambiente de negócios retomou certo otimismo após a aprovação da reforma previdenciária, inflação estabilizada em 3% ao ano e taxa básica de juros de 5%, devendo fechar o ano em 4,5%.

O aumento do consumo das famílias tem explicação na retomada lenta do emprego formal e informal, aumentando a massa salarial, preços comprimidos pela baixa demanda e liberação dos recursos do FGTS. Consumo das famílias é o indicador mais importante da atividade econômica pois responde por 65% do PIB. A construção civil beneficiou-se da melhor oferta de crédito e da redução das taxas de juros imobiliários. Foi responsável pela maior parte do aumento do investimento no trimestre.

Os dados positivos reacendem os ânimos com o retorno da expansão do PIB e descortina cenário mais solar para 2020 com a retomada, ainda que lenta, do emprego, da confiança das famílias para tomar crédito e consumir e a elevação dos investimentos produtivos

A expansão econômica verificada nos dois últimos trimestres de 2019 alertam para o desafio de avaliar o seu impacto no cenário inflacionário. Até agora, o bom desempenho da economia foi alavancado pela atividade privada, com pouca participação dos gastos governamentais. A União, estados e municípios convivem com crônicos déficits fiscais e lutam penosamente para honrar suas despesas correntes, com baixíssima capacidade de investir. O aquecimento da atividade no período de julho a setembro não afetou os dados da inflação até o momento, devido à grande capacidade ociosa da economia. Mas a forte desvalorização do real perante o dólar americano e o estratosférico aumento dos preços da carne bovina no mercado interno acenderam os sinais amarelos do Banco Central, aumentando os níveis de cautela para o início de 2020. Não deve alterar a trajetória já traçada para o final de 2019, com mais um corte da taxa Selic na próxima semana, consolidando o longo ciclo de redução da taxa que saiu de 14,25% no início de 2016 para 4,5% ao final de 2019.

Os dados positivos reacendem os ânimos com o retorno da expansão do PIB e descortina cenário mais solar para 2020 com a retomada, ainda que lenta, do emprego, da confiança das famílias para tomar crédito e consumir e a elevação dos investimentos produtivos, ingredientes imprescindíveis para o país trilhar o caminho do crescimento sustentado.

Vivaldo Lopes é economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia.  É pós-graduado em MBA e Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP. Escreve nesta coluna com exclusividade às quintas-feiras. E-mail: vivaldo@uol.com.br

Postar um novo comentário

Sem alarde, vereador muda de partido

viniciys clovito curtinha   De última hora e sem alarde, o vereador pela Capital Vinicyus Hugueney (foto) resolveu deixar o PP e se filiou ao Solidariedade. Com isso, o PP não se torna o único com a maior bancada. Está com três vereadores, assim como o PV e o PSDB. No SD, Vinicyus vai concorrer internamente com...

Irmão de Thelma na lista dos traidores

ronaldo pimentel 400 curtinha   Na carta aberta assinada por Ricardo Saad, que preside o PSDB cuiabano, ele reclama de dívidas milionárias herdadas de antecessores, inclusive dos R$ 4 milhões de pendências somente do pleito de 2016, e menciona, entre outras coisas, que "(...) há correligionários, que estavam...

A bronca de Saad com Wilson Santos

ricardo saad curtinha 400   O vereador Ricardo Saad (foto), presidente do PSDB da Capital, resolveu disparar a metralhadora verbal contra colegas tucanos. Sobre o ex-prefeito e hoje deputado Wilson Santos, considera que este nada fez para ajudar o partido a se reestruturar, visando as eleições de outubro. Mesmo sendo vice-presidente...

Janela tira muitos políticos do calvário

gilberto figueiredo curtinhas   O fechamento da janela partidária, que encerrou-se no último sábado, dia 4, marcou o fim de um longo calvário aos partidos, que tiveram que suportar em seus quadros políticos que não estavam mais de “alma”, mas somente de “corpo”. Na Câmara...

Só 2 vereadores não vão à reeleição

felipe wellaton curtinha 400   Apenas dois entre os 25 parlamentares cuiabanos não vão buscar a reeleição. O licenciado Gilberto Figueiredo, que trocou o PSB pelo DEM, quer concorrer a prefeito, assim como Felipe Wellaton (foto), que até trocou de partido, saindo do PV e agora no Cidadania. Pretende disputar...

4 fora da reeleição em Rondonópolis

thiago muniz 400 curtinha   Dos 21 vereadores de Rondonópolis, somente quatro não vão à reeleição, sendo eles Thiago Muniz (foto), agora no DEM, Hélio Pichioni (PSD), Jailson do Pesque-Pague e Rodrigo da Zaeli (ambos do PSDB). Eles garantem se tratar de um caminho sem volta. Destes, dois tentam...

ENQUETE

facebook whatsapp twitter email

Você concorda com a decisão de prefeitos, que começam a decretar estado de emergência, fechando comércio, serviços públicos e o transporte coletivo?

sim

não

sei lá!

Não se trata de pesquisa eleitoral, mas de um mero levantamento de opiniões de leitores do RDNews e do Blog do Romilson, com participação espontânea dos internautas. Resultado sem valor científico.