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ECONOMIA Terça-feira, 20 de Dezembro de 2016, 16:23 - A | A

Terça-feira, 20 de Dezembro de 2016, 16h:23 - A | A

Preço do milho pode ficar abaixo do mínimo em 2017, alerta Aprosoja

Carlos Palmeira

Isa Sousa

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Presidente da Aprosoja-MT, Endrigo Dalcin, também produtor, diz que em 2016 fez travamento de preço de cerca de 20 mil sacas de milho, cerca de 1200 toneladas; quadro deve se manter em 2017

O preço de venda das sacas dos grãos de milho e soja no próximo ano é uma das preocupações dos produtores. Fatores climáticos como a chegada do “La Ninã” e o aumento do custo da biotecnologia dos produtos faz com que o setor tema prejuízos na próxima safra.

O presidente da Associação dos Produtores de Milho e Soja de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Endrigo Dalcin, já havia dito que um dos gargalos do setor em 2017 deverá ser a armazenagem dos grãos, que podem ficar a céu aberto.

Sobre o preço, Endrigo, que também é produtor, afirmou que em 2016 realizou o travamento de preço de cerca de 20 mil sacas, aproximadamente 1200 toneladas de milho, e que o quadro deve se manter em 2017. 

“[A situação] preocupa porque sinaliza preços até abaixo do mínimo em algumas regiões. Deve ficar em R$ 16,50 o preço mínimo. Eu travei na minha região a R$ 19, R$ 18. Então existe ainda a possibilidade de travamento”, alertou.

Ele explicou que existe uma preocupação maior por causa dos aumentos registrados, durante esse ano, nos preços das sementes e da biotecnologia em materiais de milho. Por causa disso, ele afirmou que existem algumas recomendações aos produtores. “A orientação é que eles [produtores] olhem o custo de produção que efetivamente fizeram, até porque hoje todo mundo já comprou semente, já comprou fertilizante e os defensivos e depois disso realiza a venda. Porque, se vier tudo na normalidade, os preços vão estar abaixo do que estão hoje”, lembrou.

A questão climática será outra variável que certamente fará com que os grãos possam ter baixa produtividade e preço final já que “a La Niña se configurando aqui nas regiões, e La Nina é seca para região sul e Argentina, então isso vai mexer de uma certa maneira com o mercado”.

A La Niña é um fenômeno meteorológico que causa o resfriamento das águas do oceano Pacífico. Entre os efeitos da condição no Brasil estão o aumento da estiagem, ou seja, do tempo seco, nas regiões centro-oeste, sudeste e sul do país. 

Apesar disso, Endrigo também pontuou que o país não deverá sofrer novamente um déficit de milho no mercado interno, como aconteceu em 2016. Por causa da alta do dólar, principalmente no passado, quando chegou a alcançar mais de R$ 4, a tendência é que o câmbio seja equilibrado nos próximos meses e a exportação não deverá ser uma prioridade imediata.

O presidente argumentou que, apesar das dificuldades, o próximo ano deverá ser de recuperação para o setor, que tem muita possibilidade de crescimento. “É um ano de recuperação, um ano para fazer Mato Grosso voltar a crescer. Nós tivemos a área estagnada [2016]. Ter 80 mil hectares de crescimento em um horizonte de 9,3 milhões é dizer que não cresceu quase nada. Mato Grosso crescia 600, 700 mil hectares por ano. Nós precisamos avançar. Temos muitas áreas de pastagem degradada que precisam ser integradas à lavoura. Nós temos mercado lá fora para consumir nossos produtos e somos demandados para isso”, defendeu.

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