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ECONOMIA Quarta-feira, 15 de Março de 2017, 17:00 - A | A

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Campo Novo do Parecis

Sindicato Rural espera perda de 12% na safra 16/17 por causa de chuvas

Carlos Palmeira

Giovana Velke

lavoura Parecis3

Propriedades rurais foram atingidas com chuvas, o que gerou atraso na colheita da soja no município

O Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis estima que as fortes chuvas que caíram na região em fevereiro devem diminuir a produção de grãos do município em até 12%. Além desse problema, os produtores deverão sofrer com perdas no rendimento também por causa da classificação da soja.

A cidade sofreu com fortes chuvas na primeira quinzena de fevereiro. Vários pontos da cidade ficaram alagados e cerca de 3 mil pessoas chegaram a ficar desabrigadas. As propriedades rurais também foram atingidas, o que acabou atrasando a colheita da soja no município.

De acordo com Vera Lúcia Faleiros Cruz Garcia, gerente do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, a colheita da oleaginosa está em aproximadamente 98% - dos cerca de 365 mil hectares de área plantada - no município e deve terminar nessa semana ou, no mais tardar, no início da semana que vem.

Vera pontua que a expectativa inicial era de que 20 milhões de sacas fossem colhidas. “O Imea [Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária] realizou uma estimativa recentemente de que cerca de 7% ou 8% dessa produção deve ser perdida por causa da chuva. Nós acreditamos que, no final, esse valor deve ser entre 10% e 12% menor. Estávamos contando com uma supersafra, que por causa desse problema da chuva deve virar uma safra normal”, disse ao .

Ela explica que o problema maior da precipitação aconteceu entre 9 e 24 de fevereiro e que o município já registrou, nesta segunda (13), 3 dias seguidos sem chuva. A salvação da agricultura da cidade foi a boa estrutura de maquinários dos produtores, argumenta Vera.

A presidente do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, Giovana Velke, conta ao que a contabilização final será realizada somente após os embarques da produção para os armazéns particulares. Ela também diz que a principal dificuldade para os produtores não serão exatamente as perdas causadas pelo grande volume de água que caiu na região.

“Nosso problema será a classificação. Cada classificador escolhe um modelo diferente, sem necessariamente um padrão. Por exemplo, eu repasso para a trading 5 mil sacas e ela me diz que somente 4 mil estão em boas condições. O produtor recebe somente por esses 4 mil, sendo que a trading também acaba ficando com aqueles sacas com o produto não ideal e lucra também em cima dele. Ou seja, o prejuízo fica conosco”, pontua.

Giovana, que também é produtora, revela que repassou para um trading um montante, recentemente, e recebeu a notícia de que perderia 41% da carga por causa do “ardido”, que é a soja úmida por causa da chuva que está em processo de fermentação.

“Quando um classificador oficial analisou a mesma carga, ele me disse que eu perderia cerca de 34% por causa do ardido. Ou seja, a trading acabaria me dando um prejuízo de 13 pontos percentuais por causa dessa falta de critério”, afirma. 

Produção

Campo Novo está entre os dez maiores municípios produtores de grãos de Mato Grosso. Além disso, ele faz parte da região conhecida como Chapadão do Parecis, que abriga outras sete cidades. A região consiste em uma área que reúne aproximadamente 1 milhão de hectares.

Somente nessa área são cultivados em torno de 40 mil hectares de milho pipoca, um saldo que equivale a aproximadamente 75% da produção nacional. Sobre essa cultura em específico, Campo Novo do Parecis é reconhecida como o maior produtor nacional de milho de pipoca.

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