A próxima bancada de Mato Grosso na Câmara dos Deputados reúne parlamentares experientes, representantes da segurança pública, uma liderança do agronegócio e nomes com forte ligação regional. A distribuição dos votos nas eleições do último domingo (4) mostra que, embora alguns candidatos tenham conseguido espalhar a votação pelos 142 municípios do Estado, outros concentraram boa parte do desempenho eleitoral em seus principais redutos. Em um estado eminentemente bolsonarista, 7 dos 8 deputados são políticos de direita.
Entre os destaques está a deputada federal Coronel Fernanda (PL), a campeã de votos em Mato Grosso, que teve 19,1% dos votos em Cuiabá. Somada a Sinop, a capital do Nortão, a concentração chega a 25,5% do total recebido pela parlamentar. Na capital, ela alcançou 11,8% dos votos nominais para deputado federal, ficando em primeiro lugar entre os candidatos. A força eleitoral também se refletiu nas urnas: Fernanda recebeu votos em 99,3% das seções eleitorais, liderando a votação em 1.449 delas, considerados os empates.
A parlamentar ingressou na política em 2020, pelo Patriota, quando disputou a eleição suplementar ao Senado com apoio do então presidente Jair Bolsonaro (PL) e terminou em segundo lugar. Em 2022, já filiada ao PL, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados com 60.304 votos. No atual mandato, esteve entre as autoras do requerimento para instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
O segundo lugar na disputa representou o retorno da Professora Rosa Neide (PT) à Câmara. Única política de esquerda na bancada, ela chega com votação expressiva e capilaridade estadual. Pedagoga, iniciou a trajetória na vida pública como secretária de Educação de Diamantino e depois comandou a mesma pasta no Governo de Mato Grosso. Foi eleita deputada federal em 2018, com 51.015 votos.
Em 2022, apesar de ter sido a candidata a deputada federal mais votada do Estado, com 124.671 votos, acabou sem mandato em razão do quociente eleitoral. Neste ano, ampliou o desempenho e alcançou 140.351 votos. Foi a mais votada entre os cinco candidatos do PT, concentrando 78,2% dos votos nominais da legenda. Embora os dez municípios em que teve melhor desempenho representem 51,4% de sua votação, Rosa Neide recebeu votos em todas as 142 cidades mato-grossenses.
Quem também teve uma votação muito distribuída em Mato Grosso foi o deputado Fabio Garcia (União Brasil). Cuiabá respondeu por 12,5% de sua votação e, somada a Rondonópolis, a concentração chega a 15,7%. Os dez municípios em que foi mais votado representam apenas 30,5% do total, enquanto sua presença eleitoral alcançou todas as cidades do Estado. Garcia recebeu votos em 98,4% das urnas e liderou em 1.041 delas, incluindo empates.
Sua trajetória política começou na administração municipal de Cuiabá, como secretário de Governo do então prefeito Mauro Mendes. Em 2014, foi eleito deputado federal pelo PSB, com 104.976 votos. Quatro anos depois, disputou a primeira suplência na chapa de Jayme Campos ao Senado. Em 2022, voltou à Câmara dos Deputados e, no ano seguinte, assumiu a Casa Civil de Mato Grosso, cargo que ocupou até 2026.
Segurança pública
A segurança pública também terá peso na representação mato-grossense. O deputado federal Coronel Assis (PL), reeleito para um segundo mandato, construiu a carreira na Polícia Militar, coporação que chegou a comandar. Na eleição, Assis concentrou 27,2% dos votos em Cuiabá. Com Várzea Grande, o percentual chega a 43,3%, indicando forte dependência eleitoral da região metropolitana. Na capital, obteve 10,6% dos votos nominais para deputado federal, ficando na terceira colocação.
O mesmo fenômeno aparece na votação do Coronel Roveri (Podemos), que também tem trajetória ligada à segurança pública. Com 20 anos de atuação na Polícia Militar, César Roveri chegou ao posto de coronel e comandou a Secretaria de Estado de Segurança Pública. Ele obteve 47.195 votos, ficando na 11ª colocação. Cuiabá concentrou 21,4% da votação de Roveri. Com Várzea Grande, a participação da região metropolitana chega a 32,9% do total.
Primeira-dama e força do interior
Virgínia Mendes (União) chega à bancada com trajetória pública ligada à assistência social. Primeira-dama de Cuiabá e de Mato Grosso durante as gestões do marido, Mauro Mendes (União), desenvolveu atuação em iniciativas sociais ao longo dos mandatos do agora senador eleito.
Sua votação foi a mais concentrada na capital entre os nomes analisados: Cuiabá respondeu por 37,4% dos votos, percentual que sobe para 47,9% quando incluída Várzea Grande. Na capital, alcançou 11,5% dos votos nominais para deputado federal, ficando atrás apenas de Coronel Fernanda.
Juarez Costa (Republicanos) mantém a ligação política com Sinop, município onde construiu a carreira. Radialista de formação, iniciou a trajetória eleitoral como vereador em 2000, foi eleito deputado estadual em 2006 e prefeito de Sinop em 2008, sendo reeleito em 2012. Em 2018, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados com 49.912 votos e, em 2022, foi reeleito com 77.528.
Na eleição deste domingo, Sinop respondeu por 17,7% dos votos de Juarez. Com Primavera do Leste, o percentual chega a 21,5%. Na cidade do Nortão, ele obteve 16,8% dos votos nominais para deputado federal, ficando na segunda colocação.
A bancada também terá Thiago Boava (PL), pecuarista e viúvo da ex-deputada federal Amália Barros, que morreu em 2024. Morador de Campo Novo do Parecis, ele conquistou o primeiro mandato na Câmara dos Deputados e tem como principal reduto eleitoral o município onde vive. Campo Novo respondeu por 13,3% de sua votação e, somado a Cuiabá, o percentual chega a 19,5%.
O dado mais expressivo, porém, está no desempenho local: Boava recebeu 46% dos votos nominais para deputado federal em Campo Novo do Parecis, liderando a disputa no município.
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