O Cuiabá anunciou nesta quinta-feira (15) que quitou integralmente a condenação imposta pela FIFA no caso envolvendo o técnico Petit e sua comissão técnica. O pagamento, de aproximadamente R$ 5,5 milhões, encerra a restrição que impedia o clube de registrar novos jogadores. Segundo a diretoria, os valores foram pagos com recursos próprios e esforço dos acionistas.
Em nota oficial, o Dourado afirmou que o desembolso comprometeu de forma significativa o caixa da instituição em 2026. O clube destacou que o dinheiro poderia ter sido destinado ao elenco profissional, às categorias de base e à melhoria de sua estrutura.
Apesar de reconhecer a obrigação de cumprir a decisão, o Cuiabá voltou a questionar as circunstâncias que envolveram o encerramento do vínculo com Petit. Segundo o clube, houve manifestações contraditórias sobre a permanência do treinador, mas a responsabilidade financeira acabou recaindo integralmente sobre a instituição.
O caso também levou o Cuiabá a defender uma revisão das regras que tratam da rescisão antecipada de contratos no futebol brasileiro. Na avaliação do clube, a legislação desportiva, especialmente a Lei Geral do Esporte, impõe o pagamento integral dos salários restantes do contrato, independentemente do tempo de serviço, do desempenho ou das circunstâncias da saída do profissional.
Para o Dourado, esse modelo pode gerar indenizações elevadas e comprometer o planejamento financeiro das equipes. O clube argumenta que contratos de curta duração podem resultar em obrigações financeiras desproporcionais e afirma que pretende defender mudanças nas instâncias competentes e junto às entidades do futebol.
Cuiabá cobra R$ 45 milhões de outros clubes
Outro ponto destacado na nota é o volume de valores que o Cuiabá afirma ter a receber de outras equipes brasileiras. De acordo com o comunicado, cerca de R$ 45 milhões estão pendentes de pagamento por negociações de atletas já concluídas.
O clube questiona a diferença entre a rapidez das sanções aplicadas quando há dívidas próprias e a cobrança dos valores que tem a receber. Nesse contexto, cobrou da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e dos órgãos de controle maior rigor e agilidade na recuperação desses créditos.
O Dourado também defendeu que mecanismos como o fair play financeiro sejam aplicados de maneira uniforme entre os clubes, com critérios e prazos equivalentes.
Com a quitação da dívida e o encerramento da restrição de registro de atletas, o Cuiabá afirma que pretende concentrar esforços na competitividade da equipe, na formação de jogadores e no desenvolvimento de sua estrutura.
Ao concluir o comunicado, o clube ressaltou que cumpriu a decisão da FIFA para preservar sua credibilidade e manter as portas abertas ao mercado do futebol. A diretoria, no entanto, reforçou que continuará defendendo mudanças nas regras e mecanismos de cobrança que considera necessários para garantir maior equilíbrio financeiro entre as equipes brasileiras.
Veja a nota na íntegra
*NOTA OFICIAL*
*Cuiabá quita integralmente a condenação do caso Petit e cobra respeito às regras do futebol brasileiro*
O Cuiabá Esporte Clube SAF informa que concluiu o pagamento integral dos valores devidos ao treinador Petit e à sua comissão técnica, em cumprimento à decisão proferida pela FIFA. Com isso, a restrição de registro de atletas imposta ao Clube está encerrada.
O valor pago, de aproximadamente R$ 5,5 milhões, foi honrado com recursos próprios e esforço dos acionistas. Não foi uma decisão fácil. Esse montante comprometeu de forma severa o caixa do Clube em 2026 e equivale a recursos que deixaram de ir para o elenco, para as categorias de base e para a estrutura que o torcedor cuiabano merece.
O Cuiabá não questiona o dever de cumprir decisões. Cumpre, como sempre cumpriu. Mas não pode deixar de registrar que as circunstâncias do encerramento daquela relação de trabalho, marcadas por manifestações contraditórias sobre a própria permanência, são conhecidas de quem acompanhou o dia a dia do Clube naquele período. Ainda assim, a conta recaiu inteiramente sobre a instituição.
Esse episódio expõe um problema que vai além do Cuiabá. A legislação desportiva brasileira, especialmente a Lei Geral do Esporte, obriga o clube a pagar integralmente os salários restantes do contrato em caso de rescisão antecipada, sem levar em conta o tempo de serviço, o desempenho ou as circunstâncias da saída. Na prática, um contrato de poucos meses pode gerar uma conta de anos. Esse modelo pune a gestão, desequilibra competições e coloca em risco a sobrevivência financeira de clubes que trabalham com responsabilidade. O Cuiabá defenderá, nas instâncias competentes e junto às demais entidades do futebol, a revisão desse modelo.
Há ainda uma questão de coerência. Enquanto o Cuiabá paga integralmente o que deve, sob pena de sanção, o Clube tem hoje cerca de R$ 45 milhões a receber de clubes brasileiros por negociações já concluídas e não pagas. Essa conta não fecha. Regras como o fair play financeiro só fazem sentido se forem aplicadas a todos, com o mesmo rigor e a mesma velocidade. O Cuiabá espera da CBF e dos órgãos de controle a mesma firmeza na cobrança desses créditos que foi aplicada ao Clube.
O Cuiabá virou essa página com a cabeça erguida. Pagou o que lhe foi imposto, protegeu sua credibilidade e segue de portas abertas para o mercado. Agora, o Clube volta suas forças para o que importa: competir, formar atletas e honrar a confiança da torcida e de Mato Grosso.
*Cuiabá Esporte Clube SAF*
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