O governador Mauro Mendes (União Brasil) discordou da decisão que impediu a interdição do "mercadinho" que atende aos presos do Centro de Ressocialização de Sorriso (CRS) e prometeu recorrer da decisão, por entender que o Estado tem cumprido sua função de entregar itens básicos nas unidades prisionais de Mato Grosso. Já para o supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF-MT), desembargador Orlando Perri, a decisão judicial foi acertada diante da incapacidade do Estado em prover o mínimo de dignidado aos presos.
Montagem: Rodinei Crescêncio/Rdnews
O governador Mauro Mendes e o desembargador Orlando Perri: opiniões divergentes sobre o funcionamento de "mercadinhos" em presídios
A polêmica decisão judicial foi dada após Mauro vetar o funcionamento de cantinas ou "mercadinhos" nas unidades prisionais, seguindo a recomendação da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus). Em conversa com a imprensa nesta sexta-feira (7), o governador ressaltou que Mato Grosso tem feito fortes investimentos para o combate da criminalidade e que, dentro das unidades, os presos precisam cumprir penas e não ter regalias.
“Nós não podemos permitir esse tipo de comércio lá dentro, porque isso foge ao controle e ao objetivo de uma penitenciária”
Mauro Mendes"Já pedi à Procuradoria do Estado que olhasse o caso, saber quais os argumentos que o magistrado usou. Decisão judicial, você recorre dela. Mas eu discordo plenamente dela [...] O Estado tem o dever de fornecer [itens básicos] e eu garanti isso, o Estado vai fornecer [...] Nós não podemos permitir esse tipo de comércio lá dentro, porque isso foge ao controle e ao objetivo de uma penitenciária", disparou o chefe do Executivo.
Ele ainda citou como justificativa o relato do chefe do Comando Vermelho, Sandro da Silva Rabelo, conhecido como "Sandro Louco", que confessou em interrogatório que o "mercadinho" que funcionava dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, teria ligação com a organização criminosa que ele comanda. Sandro Louco afirmou que tinha lucro mensal entre R$ 30 mil e R$ 75 mil com o mercado.
"Não é ilegal"
Responsável por acompanhar as condições das unidades prisionais no estado, o desembargador Orlando Perri não dosou as palavras para criticar a postura do Executivo estadual, apoiando a decisão da Justiça de Sorriso. Segundo o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, o Governo não tem fornecido os itens básicos de higiene aos detetnos, sendo necessária a garantia da existência dos comércios dentro das unidades: "Absolutamente correta a decisão do juiz [...]. Um mercadinho tem previsão legal. Não é algo imoral, ilegal".
“Se a Polícia Penal não permitir, não existe mercado paralelo dentro das unidades prisionais. Só [existe] se tiver conivência ou cumplicidade”
Orlando Perri"O Estado não está cumprindo com a sua obrigação de fornecer o mínimo do mínimo para o que os presos cumpram com dignidade as suas penas. Estão faltando produtos de higiene lá dentro. E como é que o Estado tem autoridade moral para não permitir a existência de mercadinhos quando ele não fornece em quantidade e qualidade suficiente para que os presos possam ter o mínimo de dignidade? Hoje faltam sabonetes, faltam pastas de dentes, faltam aparelhos de prestobarba, e estão faltando produtos de higiene íntima, absorvente íntimo para as nossas reeducadas. E querem proibir o mercadinho? Com que autoridade moral?", questionou.
Perri também não concordou com a justificativa do Governo para implementação da medida, de que Sandro Louco estivesse obtendo lucros com "mercadinho legalizado" dentro da PCE. Para o desembargador, os lucros poderiam ser de um "comércio paralelo". Além disso, afirmou que policiais penais podem impedir a venda ilegal de produtos.
"O que me parece muito mais lógico é que o Sandro pode ter justificado esse volume de recursos para lavar dinheiro [...] Se a Polícia Penal não permitir, não existe mercado paralelo dentro das unidades prisionais. Só [existe] se tiver conivência ou cumplicidade", detonou.
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Joao 11/04/2025
Só existe pq o estado é omisso, se pegar o ex. sistema penitenciário de SP, vai ver que lá existe e é organizado pelo próprio agentes do sistema, onde se passa uma lista aos detentos, podendo ser pago com dinheiro (o dinheiro fica no setor de pecúlio) ou serviços prestado pelos detendo.
AGASTADO 10/02/2025
No mínimo estranho a fala do Excelentíssimo Senhor Desembargador. Ou ele vive em uma mundo paralelo ou está à serviço da facção. Deve ser investigado.
Rico 10/02/2025
Será que o desembargador tá levando vantagem nesse mercadinho ele tem um salárinho até mas ou menos
alexandre 10/02/2025
Vai precisar de um BUKELE, no Brasil, tem salvação pro Judiciario não, parece que estamos na Suíça...
walter liz 10/02/2025
é revoltante ver o judiciario afagando bandidos, por essa e outras que a bandidagem não diminui
Maike Silva 10/02/2025
Parece que o judiciário tem medo dos bandidos, pois tratam eles com afago, e os servidores públicos, que estão a lhe auxiliar, com rigor e intimidação. Tudo invertido no mundo nosso.
Ricardo Torres 10/02/2025
Daqui uns dias, não estranhe se surgir um apoio para o projeto "Amor na reclusão", onde cada preso terá direito a um dia na semana com uma profissional do ramo do entretenimento adulto, bancado pelo estado por força de decisão judicial. Bem como o "minha droga minha vida" e outros semelhantes. O preso tem teto, não trabalha e come melhor que a maioria da população. Por caridade, queiram parar de incentivar a criminalidade com isso, a vida do preso tá melhor que aqui fora.
Nestor 10/02/2025
De um simples mercadinho num presídio o Abelardo Rodrigues (EUA) construiu piscina, pista para corrida de cavalo, e o luxo que você imaginar. Mas logo chegaram a conclusão que para melhorar a reabilitação dos presos, essas extravagâncias deveriam ficar em terceiro plano.
willer h Pinheiro 09/02/2025
Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário
jose@hotmail.com 09/02/2025
Rapaz, o que tem de gente com vontade de criticar o governador, ele tem defeitos, mas ter a cara de pau de dizer que crime organizado nao é o principal problema, é muita falta de carater falar isso, nisso o governador ta certinho, as pessoas ja perderam muito a liberdade pro estado e estamos perdendo a liberdade para o crime organizado também, criminosos impoe o terror as cidades do mato grosso
Lud 09/02/2025
Só uma pergunta, porque o paladino da moralidade o governador MM insiste em não colocar bloqueador de celular nos presídios de MT, e acabar com mercadinho não vai acabar com a criminalidade, é só colocar o controle desses mercadinho na mão do estado.
Pedro luis 08/02/2025
Não entendi está do Judiciário Preso não e para ter regalias.Tem cortar tudo senão vai incentivar mais gente a roubar,traficar.Pois daí sabendo se forem preso tem tudo lá dentro.Se depender do Judiciário eles vão deixar entrar cama King,Chuveiro com ducha,Ar condicionado, Freezer guardar as picanhas e cerveja..Este Judiciário depois que mídia deu espaço para eles querem aparecer mais astro de novelas.
APOLINARIO GENTIL USKNOV 08/02/2025
CERTO! CERTISSIMO! Talvez, se os PETEBAS continuarem no poder, teremos em breve algumas boates dentro dos presídios, para proporcionar a essas vitimas da sociedade um lazer decente, inclusive fornecendo camisinhas, ambientes climatizados, colchões box com molas pilow, duchas quentes, hidromassagem, saunas, KYGEL, frigobar, luzes psicodélicas, shows com pornostar, etc...AFINAL ESSE BRASIL JÁ É UMA ZONA MESMO!
MANÈ MANSO 08/02/2025
MAURO MENDES AI O SISTEMA É BRUTO VOCÊ VAI TER QUE BRIGAR COM MUITA GENTE QUANDO EU TRABALHEI NUM DESSES PRESIDIOS BRASIL A FORA ERA DESCULPA PRA DEIXAR PRESO EM "SALA LIVRE
Fernan Pares 07/02/2025
Esse governador é um falastrao. Quer jogar a sua INCOMPETÊNCIA em cima do tal crime organizado. Agora tudo é crime organizado, tudo é cooptar para o crime TOMA VERGONHA GOVERNADOR DE ARAQUE. Vá cuidar da população matogrossense. Acabar com a dignidade das pessoas nao vai te fazer melhor.
Patrick Figueiredo 07/02/2025
Se o TJ mandasse o vale-peru que pagou aos seus membros e servidores, já daria para manter as necessidades de conforto e lazer desses presos por mais de 10 anos. Murro na cara da sociedade ter mercado para esses elementos.
marlan 07/02/2025
Tudo o que nao contribui em nada, para a solução dessa "celeuma do mercadinho nos presidios ; é essa "guerra" entre executivo x judiciario. Deveriam se reunir e definir a melhor estrategia e soluçao. Pois o momento na segurança publica é triplicar esforços, pois multiplicar, somar, ja nao bastam, imagine dividir...
17 comentários