O secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Siqueira, revela que um dos coordenadores da campanha do então candidato a prefeito de Lucas do Rio Verde Luiz Binotti (PSD), Rogério Ferrarin contratou o tenente coronel da PM César Gomes, por R$ 20 mil, para conduzir uma missão policial para apurar suposta compra de votos do adversário, o ex-prefeito e ex-deputado estadual Otaviano Pivetta. Binotti venceu Pivetta. A revelação foi feita por Siqueira em depoimento prestado nessa quarta (5), no Quartel da Polícia Militar.
Segundo ele, para tanto, “instalaram escuta ambiental e câmeras de vídeo no comitê de Pivetta e invadiram o escritório jurídico no hotel e tiraram fotos” para produzir um relatório e subsidiar futura impugnação da candidatura, relata Siqueira no depoimento. Ele conta ainda que a informação sobre a missão foi repassada a ele pelo cabo Rafael, durante encontro no posto de combustíveis, em Cuiabá, após uma viagem a Lucas do Rio Verde.
Siqueira explica que, enquanto estava naquele município, se encontrou com o ex-secretário da Casa Civil Paulo Taques e sua família, em um restaurante. Após um telefonema, Paulo, que também é advogado, teria dito que seu escritório estava prestando assessoria jurídica a um pessoal da cidade, mas não revelou nomes. “[...] e que haviam pessoas, aparentemente policiais militares que estavam no hotel perguntando sobre o nome dos advogados do escritório do dr. Paulo, quais quartos estavam hospedados, o que estavam fazendo”, lembra Siqueira em citação ao que o ex-secretário lhe disse.
Siqueira detalhou ainda que um dos homens foi identificado como “caveira 06” e que, diante disso, ficou de contatar o comandante regional de Nova Mutum, coronel Cunha, mas acabou falando com major Barros, que lhe disse que estava em Lucas do Rio Verde, porém de férias.
Na sequência, Siqueira alertou o major que, “independente da missão que estava realizando ali, poderia estar violando os direitos dos advogados e que para evitar problemas, era melhor sair de lá”.
Em seguida, Siqueira entrou com contato com o coronel Cunha, que esteve no local e conversou com Barros.
O secretário relata ter solicitado que Barros o procurasse quando retornasse a Cuiabá, mas no dia seguinte recebeu uma ligação do cabo Rafael e ambos se encontraram no posto de combustíveis já mencionado. Segundo o depoimento de Siqueira, foi o cabo Rafael quem lhe revelou os detalhes da missão, valores e nomes.
Para acobertar a missão, tendo em vista que César Gomes atuava na secretaria estadual de Meio Ambiente (Sema), Barros no Batalhão de Operações Especiais (Bope) e Rafael na Superintendência de Apoio Logístico e Patrimônio (Salp) da PM, criaram uma versão de que ministrariam instrução de tiro no município e “paralelo a isso, investigariam o fato”.
Siqueira diz ter ficado numa situação difícil, pois Binotti era candidato pelo grupo do vice-governador Carlos Fávaro (PSD) e Pivetta do grupo do governador Pedro Taques (PSDB). “Que percebeu um mal-estar gerado com o vice-governador, sendo que provavelmente venderam uma história de que o informante (Siqueira) estava fazendo atividade de inteligência, totalmente diferente do que o informante relatou”, explica.
Depois disso, o secretário lembra que foi intimado e tomou conhecimento da instauração de um inquérito policial conduzido pelo delegado Flávio Stringueta e que Barros, Rafael e Ferrarin já haviam sido ouvidos e que era ele quem estava sendo apontado como organizador da missão em Lucas do Rio Verde.
No entanto, “reitera que não realizou atividade de inteligência ilegal em Lucas do Rio Verde ou em qualquer outro local no desempenho de suas funções”, se defende.
Detalhes
Na ocasião do depoimento prestado ontem, estavam presentes o coronel da PM encarregado do inquérito Jorge Catarino de Morais Ribeiro, os promotores de Justiça Carlos Zarour e Marcos Fernandes, os coroneis Zaqueu Barbosa, Evandro Alexandre Ferraz Lesco, Ronelson Jorge de Barros, o tenente coronel Januário Antônio Edwiges Batista e os cabos Gerson Luiz Ferreira Correa Júnior e Euclides Luiz Torezan. Também acompanharam o depoimento os advogados das partes.
Outro lado
O
entrou em contato com Binotti, que informou que não tem conhecimento do depoimento de Siqueira. “Não estou sabendo de nada. Eu vim cedo para Sorriso, não estou sabendo de nada. Estou trabalhando”. O secretário estadual de comunicação Kleber Lima também disse que não tem ciência do teor da declaração. “Estou em Sorriso, estamos numa agenda. Deixa eu conhecer primeiro para ver o que é. A gente está em Sorriso, vamos tomar conhecimento primeiro”.
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Amália Siqueira 06/07/2017
Cambada! Eu vi que alguma coisa horrível tinha acontecido para o Piveta perder uma eleição depois de tudo o qie fez pela cidade.
Moises Becker 06/07/2017
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2 comentários