Gilberto Leite
Terezinha Barros com Marília, sua 1ª boneca. Aposentada tem acervo de quase 10 mil brinquedos
Com recursos próprios, a aposentada Terezinha Barros, 65 anos, construiu um império que toda criança sonha em ter, o Museu das Bonecas e Brinquedos.
Localizado em Cuiabá, o local é considerado o único museu de brinquedos do Brasil, são mais de cinco mil itens entre bonecas, carrinhos, vídeo-games antigos, enfim, relíquias que emocionam adultos e crianças.
Tudo começou com Marília, nome que Terezinha deu a sua primeira boneca, que ganhou do padrinho quando tinha seus 14 anos, depois de muito brincar com as bonecas das irmãs e das vizinhas.
“Eu era a irmã do meio, ou seja, minha irmã mais velha ganhava bonecas porque era a mais velha e a mais nova por ser a mais nova e eu ficava só na expectativa. E o desejo te der uma coleção só aumentava”, revela.
Após Marília, a coleção aumentou mesmo e, por meio de doações, compras e muita pesquisa, a aposentada foi construindo a maior coleção de brinquedos já vista. “Entre bonecas e brinquedos expostos temos cerca de cinco mil, mas em casa ainda temos mais uns quatro mil itens que não foram expostos por conta do espaço”.
Para se ter ideia das relíquias que estamos falando, no local estão expostas bonecas do Século XIX, por exemplo, como as “Jumeau”, as quais só as famílias de alto poder aquisitivo conseguiam ter um exemplar em casa. Além disso, estão expostas bonecas de celulóide, que nem chegaram a ser fabricadas no Brasil. “São raras e impressionam pela história. As Jumeaus têm cerca de 140 anos, eram deixadas nas penteadeiras das moças ricas. E as de celulóide são muito leves, mas altamente inflamáveis”, conta.
Galeria: Museu da Boneca de Cuiabá
Outra coleção que impressiona são das Bonecas Barbies, Terezinha tem o primeiro exemplar da boneca e muitas outras, como as do estilista Christian Dior e a Scarlet O´Hara. A coleção da Susy também impressiona pela quantia e variedades. Para as apaixonadas pela “Moranguinho”, no local está exposta a casa da boneca, uma raridade, pois era produzida nos Estados Unidos.
Entre as celebridades que podem ser encontradas no Museu estão a réplica da Miss universo da década de 60, Ieda Maria Vargas e a musa infantil Shirley Temple, que apareceu nos Estados Unidos em 1934 em consequência da popularidade da pequena atriz. Há também a primeira boneca da Emília do Sítio do Pica Pau Amarelo, exibido pela TV Tupi na década de 50. A personagem era interpretada pela atriz Lucia Lambertini. “Sempre recebo propostas de pessoas querendo comprar essa boneca, mas o lugar dela é aqui”.
Atualmente, o museu funciona em uma casa que Terezinha comprou para mostrar o seu acervo e dar a oportunidade para que os demais tenham acesso e conheçam a riqueza das peças. “Demoramos cerca de cinco anos para conseguir montar este espaço e poder compartilhar com os mato-grossenses. Mas está sendo difícil mantê-lo, devido aos gastos e a pouca visitação”, pondera.
As despesas, todas custeadas por Terezinha, vão desde a energia elétrica, internet, segurança, manutenção do mofo, devido as antiguidades, e muitos outros. “O tratamento do mofo é muito caro e energia também, pois precisamos manter o ambiente refrigerando por causa do nosso clima. E sempre aparece uma manutenção para ser feita”.
Devido às dificuldades financeiras, Terezinha faz um convite emocionado ao público da Capital e do interior, até mesmo aos turistas que estão de passagem, para conhecerem o local e contribuir com a manutenção e divulgação. “É um acervo muito rico. E, infelizmente, as pessoas não conhecem, não visitam. Já recebemos propostas de grandes institutos para levar o acervo para São Paulo. Não é isso que queremos, mas se não tiver outro jeito...”, comenta.
Estudos x Cultura
Terezinha ressalta que o local pode ser utilizado também como referência para estudos de moda e comportamento, em virtude da variedade do material vindo de diversos países. "As pessoas que passam por aqui, podem observar como era a moda antigamente e toda sua evolução, tanto de modelos de roupa quanto dos materiais utilizados. Podem estudar ainda os traços físicos de cada nacionalidade pois temos bonecas do Brasil, da França, dos EUA. Tem uma, em especial, que veio direto da Suíça, por meio de doação".
No Museu também existem centenas de catálogos de diversos fabricantes de brinquedos, o que possibilita encontrar o nome e o ano de brinquedos que, muitas vezes, são esquecidos com o passar do tempo. "Se você tem uma boneca em casa e quer saber a origem dela, faça-nos uma visita que nós vamos te ajudar a descobrir", afirma.
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Serviço
- Horário de Funcionamento - 3ª a 6ª das 14h às 17h
- Sábado das 9h às 12h e das 14h às 17h
- Endereço - Rua Bom Jesus de Cuiabá, nº 90, bairro Santa Marta (Quase nos fundos do posto Prime, na Av. Miguel Sutil)
- Informações e agendamentos - (65) 3626-1525 / (65) 9981-4170 falar com Terezinha ou (65) 9214-9004 falar com Ana Flávia.








Andrea Talamo 14/09/2021
Tenho uma coleção de bonecas e quero doar. Moro em Santos SP, como podemos fazer? Aguardo retorno! Obrigada
Mara 07/10/2019
Boa tarde vcs tambem compram bonecas antigas?
Déborah Dahmer Gomide 18/06/2019
Bom Dia, Gostaria de saber se ainda está em funcionamento o espaço? e se vocês fazem restauração de bonecas antigas, como limpar e deixar nova de novo? Att, Débprah D. Gomide
Maria Aparecida Magalhães 23/11/2016
Parabéns pela obra feita. Você vende alguma peça?
ademar alves dos anjos junior 31/10/2015
Realmente é impressionante como é difícil manter um acervo pessoal seja de qualquer objeto. Em se tratando de bonecas, então, se torna ainda mais difícil. Todavia, a conservação e divulgação da história e cultura de um povo depende de pessoas anônimas como esta incrível Terezinha.
Marinez de F. Moreira 30/10/2015
São lindas. Parabéns.
Rosângela 30/10/2015
Que pena, adoraria conhecer seu acervo. Amo bonecas.
JACO ALVES BERNARDES 30/10/2015
EXCELENTE PUBLICAÇÃO !!!!! PARABÉNS ÀS IDEALIZADORES DO MUSEU DE BONECAS DE MATO GROSSO, UMA RARIDADE !!!!!
8 comentários