Judiciário

Quinta-Feira, 07 de Novembro de 2019, 22h:25 | Atualizado: 08/11/2019, 10h:17

JÚRI MILITAR

Condenado a 8 anos de prisão, Zaqueu liderou ações militares dos grampos saiba

Rodinei Crescêncio

Ex-comandante Zaqueu Barbosa

Ex-comandante da PM Zaqueu Barbosa acompanha julgamento que terminou com condenação a 8 anos de prisão

Para o juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Militar da Capital, não há dúvidas de que o coronel Zaqueu Barbosa, como comadante-geral da PM, foi o responsável por liderar as ações militares de interceptações telefônicas ilegais, assim como movimentou tropa para ações militares de inteligência militar realizadas pelo “escritório de espionagem” denominado Núcleo de Inteligência da PM.

Por conta disso, defendeu a condenação pelos crimes de falsificação de documento público, falsidade ideológica e realização de operação militar sem ordem superior, com pena de 8 anos de prisão - sem cumprimento de pena imediato. Além disso, o magistrado votou pela perda da patente - caso que ainda depende de análise da Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ). Quanto a condenação do coronel, o voto do juiz foi seguido pelos 4 militares membros do Conselho Militar que analisou o caso, durante julgamento finalizado na noite desta quinta (7).

"Os presentes autos tratam aenas da conduta de policiais militares no contexto dos grampos ilegais, considerando-se o princípio da correlação entre a acusação e eventual condenação. Não obstante, há fortes indícios de que os fatos narrados na denúncia estão contidos num contexto maior, com volume de interceptações telefônicas ilegais ainda não determinado, abrangendo setores não-militares do Estado de Mato Grosso, como Polícia Civil e Gaeco, ou seja, nas palavras do Desembargador Orlando Perri, há indícios da 'existência de uma organização criminosa, muitíssimo bem arquitetada e formada para prática, entre outros, de crimes de interceptação telefônica ilegal'", diz trecho do voto.

Ao proferir seu voto, no entanto, Faleiros foi contrário as alegações do promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza, que desconsiderou o fato de Zaqueu ter confessado participação no esquema de escutas ilegais. O magistrado levou em consideração sua colaboração para a elucidação das investigações, para amenizar a pena, que poderia chegar a 23 anos de prisão.

Rodinei Crescêncio

Marcos Faleiros

Juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Militar, conduz o julgamento da Grampolândia Pantaneira, que terminou nesta noite

Zaqueu foi o único condenado no âmbito militar. O cabo Gerson Correa conquistou o perdão judicial por ter colaborado com a investigação. Os coronéis Evandro Lesco e Ronelson Jorge de Barros e o tenente-coronel Januário Antonio Edwiges Batista foram absolvidos.

Provas

No voto, Faleiros afirma que as provas apontam que em meados de setembro de 2014, Zaqueu, quando exercia a função de Subchefe do Estado Maior Geral da PMMT, decidiu estruturar um escritório clandestino de arapongagem que ficou denominado Núcleo de Inteligência.

"Partiu deste réu, portanto, a ideia, da criação e comando da arapongagem. Assim, em virtude de sua vasta experiência no Gaeco, e por conhecer diversos policiais militares com treinamento e habilidades no assunto de inteligência e TI, Zaqueu ordenou ao então Ten. Cel. Evandro Alexandre Ferraz Lesco — à época Diretor de Inteligência do Gaeco — a operacionalização do escritório de espionagem", apontou.

Zaqueu confessou os fatos narrados na denúncia, durante reinterrogatório em 16 de julho. Disse perante o Conselho de Justiça Militar que, no mês de agosto de 2014, ano eleitoral, recebeu um pedido de Paulo Taques, ex-secretário da Casa Civil, para resolver dificuldades nas eleições, a exemplo de roubos de pagamentos dos Diretórios Partidários.

"Como já demonstrado, o Cel. Zaqueu entregou ao cabo Gerson Correa duas placas da marca Wytron, equipamento este utilizado para interceptação telefônica, como, também, valendo-se da função de Subchefe do Estado Maior Geral da PM, arregimentou profissionais para trabalhar na missão, escolhendo aqueles mais habilidosos no assunto de inteligência e, notadamente, em interceptação telefônica", pontuou.

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Comentários (1)

  • Martans Teixeira | Sexta-Feira, 08 de Novembro de 2019, 08h15
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    0

    Ué, o CORONEL ZAQUEU ACORDOU e resolveu bisbilhotar a VIDA DAS AUTORIDADES , AVISOU O ADVOGADO PAULO TAQUES E COMUNICOU AO GOVERNADOR, DEU ORDEM PROS CORONÉIS E PRO CABO GERSON, COITADO DO NOSSO INOCENTE EX GOVERNADOR PEDRO TAQUES, CONDENE-SE O CORONEL ZAQUEU, NOSSO NOVO TIRADENTES, SÓ FALTA ESQUARTEJAR, NÉ ?????

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