A vítima M.M.V. entrou com representação criminal no Ministério Público Estadual (MPE) contra o advogado Cleverson Campos Contó na qual pede que ele seja preso preventivamente para evitar que atrapalhe investigações de violência doméstica envolvendo ela e outras 9 mulheres. O pedido foi encaminhado na sexta (4) ao MPE.
No documento, a defesa da vítima acusa o advogado de ameaça, violência psicológica, lesão corporal e estupro marital, tudo agravado em razão do ambiente doméstico e da relação íntima entre vítima e ofensor. A representação foi encaminhada à Promotoria Especializada da Violência Doméstica de Cuiabá, que pode propor ação criminal contra o advogado.
Além da prisão, pede a abertura de Inquérito Policial (IP) ou Procedimento Investigativo Criminal (PIC). A defesa quer que seja determinada busca e apreensão na casa e no escritório do advogado para colher provas em relação a ameaças de divulgação de conteúdo sexual. Pede também que sejam determinadas medidas protetivas para que ele fique 500 metros longe dela, de familiares e de testemunhas, e ainda que fique proibido de ter contato com qualquer um envolvido no caso.
A ex-companheira afirma que sofreu “violências sexuais, físicas, psicológicas e patrimoniais” durante a união estável com Contó.
Ela lembra que conheceu Cleverson por meio de uma amiga em comum, em setembro de 2019. Ele a levou para jantar em um “dos restaurantes mais suntuosos da Capital, Restaurante Flor Negra, tendo o mesmo preparado junto ao estabelecimento uma recepção especial para o primeiro jantar, considerando a vítima é adepta à alimentação vegana, tendo o ofensor demonstrado naquela oportunidade, grande atenção, carinho e zelo pela vítima, no intuito de conquistá-la”.
Depois do jantar, ele a cortejou, abrindo a porta do carro, colocando músicas românticas, falou sobre religiosidade, construção de uma família, “mostrando ser um homem bem sucedido profissionalmente, ao contar sobre as suas conquistas patrimoniais, etc, demonstrando naquele momento ser o homem dos sonhos de qualquer mulher”.
Esse tipo de encontro, narra a vítima, se repetiu diversas vezes até que ele a convenceu a ficar cada vez mais em seu apartamento, no Jardim das Américas. O advogado propôs uma união estável e pediu que ela escolhesse a “residência oficial do casal”. Apesar da situação precoce, ela aceitou, "surpreendendo amigos e familiares". Ela diz ter sido iludida.
“Assim, por inúmeras vezes em que a vítima tentou se separar, o agressor além de pedir perdão, tentar reconquistar a confiança e o carinho perdido nas agressões, por vezes ameaçava divulgar os vídeos e expor a intimidade da vítima para toda sociedade”
Representação criminalOs dois foram para um fim de semana romântico, sem data espeficada, no Malai Manso Restort. Na ocasião, a vítima conta que diversas pessoas mandaram mensagens nas redes sociais alertando-a sobre o "perfil violento, criminoso do ofensor" depois que ela publicou foto dos dois juntos.
Uma das amigas, ex-esposa de Cleverson, alertou sobre um caso criminal que tramita na 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica da Capital contra ele. Ao confrontar o companheiro, ele se defendeu dizendo que a “ex-esposa era invejosa, pois ele é um advogado rico, jovem bem sucedido e sempre acompanhado de diversas mulheres bonitas, desmentindo tudo. Além disso, afirmou que a sua ex-esposa mentiu sobre os fatos discutidos naqueles autos, com objetivo de extorquir o ofensor”.
Na volta para Cuiabá, o homem deixou um cartão de crédito com a companheira, e passou a comprar presentes caros, incluindo bolsa Channel de R$ 19 mil, cachorro da raça Spitz Alemão Anão com chip de identificação em R$ 10 mil, joias, viagens, óculos de marcas famosas, flores, entre outros, supostamente a fim de amenizar a imagem pela denúncia da amiga.
"Ato contínuo o ofensor convidou a vítima para morar com ele, propondo escolher um apartamento novo, para que o casal começasse logo a construção da vida a dois, convencendo a vítima de desistir de sua mudança para Austrália", diz o documento.
Ele pediu à família da mulher autorização para que vivessem juntos, com um anel de noivado "caríssimo". "Infelizmente tudo aquilo não passou de uma ilusão para o agressor levar a vítima para o seu covil de agressões diárias verbais, físicas e sexuais".
O representação narra que o advogado “mantinha um controle absoluto sobre a vítima”. Além de constantes ameaças e xingamentos, ela afirma que era impedida de ter amigos, contatos com familiares, e era obrigada a atender ligações, mandar sua localização, fazer selfies, entre outros meios de provar que não estaria com outros homens, “num ciúme doentio”.
A mulher diz que “o clima de carinho e amistosidade já não existia mais, não havia interesse amoroso ou sexual da vítima pelo agressor, que em suas crises de fúria, passou a agredir verbalmente e fisicamente a vítima, a praticar atos sexuais forçados, contra a vontade da vítima”.
“Em que pese a vítima se libertar do cárcere de torturas psicológicas, físicas e sexuais, o relacionamento deixou sequelas gravíssimas de ordem moral, espiritual e psicológica, levando a vítima a se submeter a um longo tratamento psicológico e psiquiátrico, conforme atestados ora apresentados”
Representação criminal“As agressões eram sempre sucedidas de pedidos de perdão, promessas de melhora, de tratamento psicológico, igreja, presentes e demonstrações de amor, flores, etc”, afirma.
Cleverson teria exigido que cenas de sexo fossem filmadas, impondo à mulher papéis de prostitutas, que apanhasse, que contracenasse personagens bissexuais, entre outras situações.
“Assim, por inúmeras vezes em que a vítima tentou se separar, o agressor além de pedir perdão, tentar reconquistar a confiança e o carinho perdido nas agressões, por vezes ameaçava divulgar os vídeos e expor a intimidade da vítima para toda sociedade”.
A mulher afirma que, diante do ciclo de agressões, passou a salvar áudios e gravou discussões que revelam o caráter agressivo do advogado. Ela entrou em contato com outras ex-mulheres de Cleverson, que a informaram que não tinham feito denúncia "com medo da divulgação de vídeos e fotos íntimas" também.
O advogado teria encaminhado vídeos e fotos dela para outras mulheres, de acordo com relatos das ex-companheiras à vítima. Depois da conversa, ela saiu do apartamento e voltou para a casa dos pais.
“Em que pese a vítima se libertar do cárcere de torturas psicológicas, físicas e sexuais, o relacionamento deixou sequelas gravíssimas de ordem moral, espiritual e psicológica, levando a vítima a se submeter a um longo tratamento psicológico e psiquiátrico, conforme atestados ora apresentados”.
Além dos áudios e vídeos relacionados a ela própria, a defesa encaminhou ao MPE boletins de ocorrência envolvendo o advogado, corroborando que se trata de situação recorrente com as outras mulheres citadas.
Afirma ao órgão que Cleverson estaria tentando sair de Cuiabá com receio de que seja decretada a prisão preventiva.
Outro lado
"A defesa de pronto nega veementemente qualquer acusação de abuso psicológico, físico
ou emocional contra sua pessoa, principalmente, em se tratando das pessoas de iniciais L.M.A.C e M.V, pois percebe-se que se tratam de dois antigos relacionamentos conturbados e que foram matéria de discussão judicial.
Quanto a L.M.A.C, a respectiva medida judicial encontra-se arquivada, estando seu
conteúdo sob segredo de justiça. Quanto a M.V, a medida judicial foi proposta pelo Sr. C.C.C contra Srta. M.V, sendo que favoravelmente foi deferida a Decisão Liminar em seu favor, para que a M.V retirasse de sua rede social 03 (três) vídeos de conteúdo difamatório, além de se abster de propagar qualquer imputação ao Sr. C.C.C, estando seu conteúdo, também, sob segredo de justiça
Att. Amir Amiden e Rodrigo Leite"
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Saulo 06/09/2020
cadeia nele.
nelson 06/09/2020
notadamente esse advogaado será severamente punido, e servirá para encobrir o outro advogado, que teve os mesmos problemas, mas parece que foi esquecido, agora tudo volta a tona, vamos aguardar
2 comentários