
Gilberto Leite/Rdnews
Zé Ferreira, durante entrevista ao Rdnews, em Tapurah, diz não se intimidar com as ameaças sofridas
Nove dias depois da deflagração da Operação Terra Prometida, a peça-chave para desmantelar o possível esquema que envolvia ocupação irregular de assentamentos destinados à reforma agrária, José Ferreira da Silva, afirma que sofre ameaças e humilhações em razão dos depoimentos prestados à Polícia Federal. Sob o monitoramento da Polícia Militar de Tapurah, o diretor do sindicato dos Trabalhadores Rurais do município explica que tenta levar uma vida normal no dia a dia. “A pressão é todo dia. Agora mesmo fui na lanchonete e chegaram duas pessoas que me aconselharam a ir embora da cidade, porque se ficar no município terei problemas”, revelou Zé Ferreira, como é conhecido, em entrevista ao Rdnews, na sede do sindicato.
O imóvel fica a 200 metros da base da Polícia Militar. O sindicalista afirma que todos os dias recebe uma ligação do comandante da PM para “checar” se está tudo bem. Para onde pretende se deslocar, Zé Ferreira precisa avisar a polícia. “Se vou viajar eu preciso avisar onde estou indo. Apenas lamento a necessidade de sair do meu sítio para morar na cidade”, diz Zé Ferreira, referindo-se à orientação da PF para preservar a sua vida.
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Zé Ferreira, que sustenta denúncias de negociação irregular de lotes no assentamento em Itanhnagá/Tapurah, é orientado a informar seus passos à polícia para buscar manter integridade física
Ainda em 2013, a PF já orientava Zé Ferreira a deixar o assentamento Santa Luzia, que fica a cerca de 15 km do perímetro urbano. A residência, segundo o sindicalista, foi arrombada por duas vezes. Até por isso, conforme ele, a sua esposa preferiu deixar o município com medo de morrer. “A minha esposa foi embora com medo das ameaças de morte e fiquei sozinho por seis meses. Todas as tentativas de intimidações eu as registro em boletim”. As represálias não param por aí. Segundo Zé Ferreira, um dos seus três filhos que trabalha num posto de combustível em Intanhangá teve a "cabeça pedida” por um fazendeiro que ameaçou não abastecer mais no local enquanto seu filho não fosse demitido. “Mas estamos de cabeça erguida com o apoio da sociedade. Morro sendo homem, não covarde”, enfatiza.
Em relação aos assentamentos que, segundo as investigações, eram destinados à reforma agrária, mas que acabou concentrando nas mãos de poucos, Zé Ferreira considera ser vergonhoso falar que existe assentamento na região, uma vez que quando se vai ao local apenas é observado imensas lavouras de soja. “É doído ver isso, mas tenho fé em Deus que essa operação não vai parar por aqui. Vai sair de Itanhangá e investigar outros assentamentos. É preciso moralizar as coisas, colocar cada um no seu lugar”, sustenta.
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Sede do sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itanhangá, onde o presidente Zé Ferreira atua e, mesmo sob constantes ameaças, avisa não desistir das denúncias
Zé Ferreira prestou depoimentos, entre final de 2012 e 2013, que são considerados fundamentais para que a PF decretasse, ao menos, as prisões preventivas do vereador por Itanhangá Daniel Orzechovck (PSC), dos irmãos fazendeiros Elio e Eder Fraquinello, que possuem 44 lotes de acordo com as investigações. “Não falo que eu sou bom ou que nada acontecerá comigo, mas eu achei quem me deu apoio (PF e MPF) e o caminho para denunciar as irregularidades. Agora vou até o fim”, garante.
Itanhangá
Zé Ferreira afirma que conhece cada uma das pessoas de Itanhangá e que não irá deixar de ir ao município mesmo sendo considerado pessoa não grata. Segundo o denunciante, o presidente do sindicato dos trabalhadores de Itanhangá, Leciano Pedro da Silval, o jogou contra a população ao espalhar trecho de seu depoimento. “Não será por isso que eu vou tremer e querer voltar atrás. Cada vez que precisar de esclarecimento, eu vou fazer, não adianta. Não terei medo de ninguém. Não ando armado, nunca tomei um tapa, nem dei. Nunca briguei na minha vida. Então não é porque o cara vai falar alto, é rico que vou tremer e correr? Da verdade eu não fujo”.
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Paulo 09/12/2014
Este se a justiça não agarrar forte do lado dele, já, já, fará parte de uma estatística muito ruim, é preciso muita atenção por parte da justiça, este como muitos outros Brasil a fora, está dando um grito de socorro. Ele está se demonstrando corajoso, valente, mais precisa pensar que ele tem família, tem amigos, como costuma dizer "mais vale um medroso vivo do que um herói morto".
Aldo 08/12/2014
Homem de verdade,Zé Ferreira não precisa ter medo, a justiça estará ao teu lado tanto a dos homens quanto a de Deus!!!
Cuiabano 08/12/2014
Cade a protecao policial ladeando o sindicalista? Se nao houver uma protecao efetiva, sem sombras de duvidas o SINDICALISTA vai ser assassinado. Se esta ameacando Juiz, delegado e Procuradora. DITADURA JA.
3 comentários