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Polícia Quinta-feira, 24 de Agosto de 2023, 10:06 - A | A

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CRIME BRUTAL

DHPP indicia ex-PM por feminicídio e estupro contra advogada: "Meio cruel"

Vítima morreu por asfixia após se negar a fazer sexo, aponta investigação; autor usou provavelmente um travesseiro, segundo laudo

Luis Vinicius, Patrícia Sanches e Kethlyn Moraes

Reprodução

almir monteiro dos reis

A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) indiciou o ex-policial militar Almir Monteiro dos Reis, 49 anos, por estupro, por feminicídio (homicídio quadruplamente qualificado) e por fraude processual. Ele é apontado pela polícia como autor do assassinato da advogada e consultora do Sebrae-MT, Cristiane Castrillon da Fonseca Tirloni, 48 anos. 

"Morte por meio cruel diante da quantidade de espancamento que a vítima sofreu. Estupro, violência sexual. Homicídio quadruplamente qualificado e, após a prática do crime, ele dentro da residência realizou a lavagem com utilização de produtos químicos, entre eles, a creolina o que caracteriza o clima em fraude processual", disse o  titular da DHPP Marcel Gomes de Oliveira - veja vídeo.

A causa da morte, segundo apontaram laudos, se deu por asfixia, provavelmente com a utilização de um travesseiro. Neste contexto, delegado explica que, pelas marcas no corpo, é possível apontar que a vítíma foi brutalmente agredida por não aceitar manter relação sexual com o ex-PM.

"Acreditamos que, por uma resistência à prática sexual forçada, após ele espancar e violentar a vítima, ele para querer ficar impune mata a vítima, simula que a vítima adentra no veículo, coloca o óculos escuro na vítima - para fazer de conta que ela é uma passageira dentro do carro em uma situação normal  - e deixa esse corpo ali no Parque das Águas".

A dinâmica do crime foi esclarecida também com a ajuda de uma testemunha que teria sido alvo de tentativa de estupro por parte do ex-militar - também com uso de violência para imobilizar a vítima, que conseguiu escapar.

"Justamente pela Cristiane não permitir essa prática desse ato (sexo), que ele (Almir) prendia os braços para trás, segurava os braços para trás, tinha as marcas dessa pressão realizada sobre os pulsos da Cristiane", diz Marcel. E completa: "Por essa resistência que justamente ela foi brutalmente agredida e espancada". A maior parte dos ferimentos se concentraram na região da cabeça (parte frontal e nuca).
 

Annie Souza

delegados coletiva cristiane castrillon

Sobre a dinâmica da morte, o delegado Edison Pick detalha que se deu, entre meia noite e 2h, por asfixia por compressão e estrangulamento. "Ele (Almir) possivelmente pressionou com a perna e o joelho em cima da barriga dela e provavelmente com um travesseiro asfixou as vias areas dela", diz.

Para a Polícia Civil, o ex-agente a matou por menosprezo à condição de mulher da vítima. Para chegar a essa conclusão, a Polícia Civil utilizou de laudos emitidos pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), das dezenas de gravações recolhidas de câmeras de monitoramento que flagraram a vítima e o suspeito saindo de um estabelecimento, localizado no bairro Jardim Primavera, em Cuiabá, até a casa do ex-policial, no Santa Amália. Cristiane foi encontrada morta no estacionamento do Parque das Águas, também na Capital. 

Os policiais da DHPP tinham até quarta-feira (23) para finalizar o inquérito policial (IP), sob risco de relaxamento da prisão de Almir, que está preso em cela separada na Penitenciária Central do Estado (PCE), no bairro Pascoal Ramos, na Capital. A reportagem do apurou que os agentes intensificaram os trabalhos na data limite e concluíram o relatório horas antes do prazo acabar.

O relatório será encaminhado ao Ministério Público (MPMT). O órgão fiscalizador poderá juntar ou não o IP as suas investigações paralelas para o possível oferecimento de denúncia. Almir foi autuado pelos crimes de feminicídio e fraude processual.

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