Toda semana, uma mulher é morta apenas por ser mulher em Mato Grosso, estado que lidera os números de feminicídios no Brasil. Segundo a procuradora de Justiça de Mato Grosso, Elisamara Sigles, o crime não pode ser minimizado como resultado de um "relacionamento que não deu certo". Para ela, o feminicídio é o desfecho mais brutal de uma cultura de posse, machismo e violência estrutural: "O homem não mata por amor. Ele mata porque acredita que a mulher é sua propriedade. E isso é ensinado desde criança”.
No ano passado, 47 mulheres foram vítimas de feminicídio no Estado. “Tudo que envolve feminicídio é a insatisfação do homem, o inconformismo do homem por não poder se relacionar mais com aquela mulher. Ele tem certeza que é o dono dela. Ele só pensa em destruir o feminino. Tanto que o crime de feminicídio é um crime com inúmeras facadas, vemos que vemos vítimas com o rosto desfigurado, com dezenas de facadas, com mutilações específicas no corpo. É um crime de ódio, um ímpeto de ódio e destruição”, afirma Elisamara.
Conforme dados da Segurança Pública, 83% dos casos registrados em 2024 aconteceram dentro do ambiente doméstico. A procuradora enxerga que a violência dentro do ambiente doméstico é alimentada justamente por esse sentimento de posse enraizado e valores sociais aprendido desde sempre, e que, por isso, o combate ao feminicídio passa, necessariamente, pela educação.
“A Lei de Diretrizes e Bases da Educação foi alterada para obrigar escolas a trabalharem, em todos os níveis, o tema da violência de gênero. A desconstrução dessa cultura começa dentro da escola. Meninas de 15, 16 anos já se envolvem em relacionamentos abusivos e não percebem. Existe uma cartilha chamada Namoro Legal, que traz sinais simples: quando o namorado começa a proibir a amiga, isolar a parceira, jogar mulher contra mulher”, ressalta.
Elisamara dá exemplos cotidianos de como a desigualdade de gênero se manifesta: “Você vê a mulher no restaurante cuidando das crianças enquanto o homem come tranquilamente, ou andando atrás do marido com três filhos no colo enquanto ele está no celular. Quem cuida dos doentes em casa? Sempre a mãe, a irmã. Pequenos detalhes que mostram que a responsabilidade doméstica e afetiva ainda recai quase exclusivamente sobre a mulher”.
Reflexão como ferramenta de mudança
Conforme a procurador, uma das iniciativas que têm apresentado resultados efetivos são os grupos reflexivos para agressores. “O Tribunal de Justiça implantou um grupo em Cuiabá. A Polícia Civil também tem o ‘Papo de Homem’. Esses espaços promovem conversas diretas entre homens, com linguagem e abordagem próprias. Eles chegam revoltados, achando que estão ali por culpa da mulher. Mas aos poucos vão percebendo a gravidade do que fizeram ou poderiam ter feito.”
Elisamara compartilha que já participou de encontros com esses grupos e que mostrar fotos e histórias reais de mulheres assassinadas tem grande impacto. “Muitos dizem: ‘poderia ter sido eu’. Alguns param por causa de um grito de vizinho, da chegada de uma criança... Mas quando o feminicídio acontece, o arrependimento não é pela morte, é por terem sido pegos.”
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alex r 14/04/2025
Esta errado! Tem crime de ódio e crime circunstancial ... ou seja o calor do momento levou o crime... como numa briga de trânsito... é ERRADO ? Sim totalmente mas circunstancial .
Rinaldo Segundo 13/04/2025
Parabéns, cara Elisamara. Que continuemos a lutar para mudar esse triste cenário. Abraço
josé martelada 13/04/2025
Ódio é o efeito, não a causa, é muito simprório abordar os efeitos. A diminuição e até iliminação passa por educação de base, a qual as deirtrizes basucas da educação não rege, alem de punição exemplar e coencitizxação, amparo as vitimas e em muitos casos educação do agressor. Só prender é fácil, reeducar em muito casos é necessário, pois mais de 90% dos casos não reencide.... Pior que é gente à frete do trabalho que preciso ser feito com sabedoria, inteligência...responsabilidade, de forma tecnica também. Sem preconceito, visao distorcida....
Miliene Araújo 13/04/2025
Saia da bolha procuradora. No lugar de entrevista assistindo Netflix e vinho do Porto poderia doar seu gordo salário paraas mulheres vulneráveis...)
4 comentários