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A história atribulada de Trump no negócio de cassinos

Sucesso do quase ex-presidente Donald Trump como empresário não se confirmou no mundo dos cassinos

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Cassinos adquiridos pelo ex-presidente Donald Trump faliram (foto: QuoteInspector.com)

O presidente americano, Donald Trump, se recusa a aceitar a derrota. Apesar de ter permitido que a Casa Branca inicie a transição oficial para o governo do democrata Joe Biden, Trump continua alardeando que só perdeu porque as urnas foram fraudadas, posição compartilhada pelo presidente brasileiro Jair Bolsonaro.

Trump gosta de mostrar a si mesmo como um grande vencedor. Porém, além de perder a reeleição, Trump acumulou fracassos na sua carreira de empresário – um exemplo disso foram os três cassinos que foram de sua propriedade e que faliram um após o outro na década de 1990.

A incursão de Trump no mundo dos jogos de cassino começou no fim da década de 1970, quando ele já era um empresário de sucesso no ramo imobiliário e uma celebridade em Nova York. Alguns anos antes, o governo do estado de New Jersey, ao sul de Nova York, decidiu permitir os jogos de cassino para atrair investimentos e revitalizar a cidade litorânea de Atlantic City.

O objetivo do governo de New Jersey deu certo, e Atlantic City se tornou a Las Vegas da costa leste. O negócio de jogos de cassino parecia exatamente apropriado à reputação de Trump: luxo, glamour e ostentação.

Em 1981, ano em que completou 35 anos, Trump comprou o terreno onde ergueria seu primeiro cassino, o que abriu caminho para que ele ganhasse uma licença da Comissão de Controle de Cassinos de New Jersey para abrir um negócio no ramo.

O jovem magnata precisava atrair uma empresa da área do entretenimento para investir na construção do cassino e gerenciá-lo depois de pronto. Para isso, Trump usou um truque: convidou executivos da empresa Harrah’s, dona da rede de hotéis Holiday Inn, para visitar o terreno. Ele ordenou que, durante a visita, seus funcionários fingissem que o terreno era uma obra ativa. Os operários escavaram buracos no solo e empurraram carrinhos de mão de um lado para o outro sem motivo nenhum sob o olhar dos executivos da Harrah’s.

A artimanha deu certo, e a Harrah’s aceitou investir, financiar e gerenciar o primeiro cassino de Trump, que começou a funcionar em 1984 com o nome Harrah’s at Trump Plaza. O primeiro ano de operações não rendeu o lucro esperado, e a Harrah’s vendeu sua participação no empreendimento para Trump, que passou a ter posse total. O nome mudou para Trump Plaza Hotel & Casino.

Mais dois cassinos na mira

Trump ainda não estava contente e comprou outro cassino em Atlantic City, um ano depois de abrir o Trump Plaza. A companhia de hotéis Hilton estava quase abrindo um negócio na cidade quando a licença foi negada para o proprietário. Trump aproveitou a oportunidade para adquirir o cassino pela quantia alta de US$ 320 milhões sem nem conhecer pessoalmente o empreendimento, que recebeu o nome Trump Castle.

Mas Trump não parou por aí. Em 1987, o magnata tomou uma decisão que gerou controvérsia entre seus funcionários: comprou a empresa Resorts International para se tornar proprietário de mais um cassino que estava em construção, o Taj Mahal. 

Seria o maior dos três empreendimentos de Trump em Atlantic City, e também teria os gastos mais exagerados em decoração. O empresário precisou fazer uma montanha de dívidas para financiá-lo. Os especialistas temiam que o Taj roubasse clientes dos outros dois cassinos de Trump.

Tragédia dá início à derrocada dos cassinos de Trump

Dois anos depois, e seis meses antes da inauguração do Taj, a queda de um helicóptero matou os três principais executivos do empreendimento, e Trump precisou substituir a gerência às pressas. Quando o cassino foi finalmente inaugurado, em 1990, a Comissão de Controle de Cassinos impediu o funcionamento das máquinas por dois dias devido a uma falha de contabilidade, o que deixou Trump furioso.

Dois meses depois da inauguração, a crise nos negócios de Trump era clara. Uma auditoria revelou que apenas três das suas 22 propriedades estavam dando lucro, ele tinha US$ 3,2 bilhões em dívidas e seu patrimônio líquido era de US$ 295 milhões negativos. Novas aquisições do empresário, como o Plaza Hotel de Nova York e uma companhia aérea, se transformaram em fontes de prejuízo.

Os credores resolveram dar um alívio a Trump, pois também sairiam perdendo caso o empresário falisse, mas a operação não envolveu os cassinos. Um ano depois de inaugurar o Taj e sem condições de pagar as dívidas do cassino, Trump e seus credores alcançaram um acordo para uma falência negociada. Trump se manteve como acionista majoritário, mas os credores tomaram posse de quase metade do negócio. 

No ano seguinte, 1992, os dois outros cassinos de Trump em Atlantic City – o Castle e o Trump Plaza – também sucumbiram às dívidas impagáveis e entraram em falência negociada. Como os especialistas haviam previsto anos antes, o Castle tinha perdido clientes com a abertura do Taj. Porém, os credores também aceitaram manter Trump como acionista majoritário no Castle e no Plaza. Para se livrar das dívidas dos três cassinos, Trump usou uma artimanha: criou uma empresa de capital aberto, a Trump Hotels & Casino Resorts, e, na prática, transferiu a dívida para os acionistas.

Como Trump usava a empresa para suas necessidades pessoais, ela entrou em falência em 2004 e se transformou em uma nova empresa, a Trump Entertainment Resorts, que manteve o controle sobre os três cassinos. Em 2010, ainda enfrentando dívidas, a empresa foi vendida para um fundo especulativo, que deu a Trump 10% de participação.

No ano seguinte, a empresa vendeu o Castle, que hoje se chama Golden Nugget Atlantic City e pertence à companhia Landry’s. Em 2014, a Trump Entertainment Resorts entrou em falência de novo, e o Trump Plaza fechou as portas.

Em 2016, quando Trump já era favorito para vencer as primárias do Partido Republicano, uma greve de funcionários paralisou o Taj Mahal, que, em seguida, foi fechado. No ano seguinte, foi comprado pela rede Hard Rock Café, que pertence à tribo indígena Seminole, da Flórida, o que encerrou os vínculos de Trump com a indústria do jogo de Atlantic City.

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