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Variedades Sexta-feira, 03 de Junho de 2022, 17:14 - A | A

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"Vida sexual é perfeita, mas não é fácil ter filho", diz Fernando Fernandes

Fernando Fernandes é o primeiro apresentador cadeirante a apresentar um programa na TV Globo

Marina Bonini
Revista Quem

Ernna Cost

Fernando

Fernando Fernandes surpreendeu os telespectadores do No Limite ao saltar de paraquedas e aterrissar na plataforma montada em uma praia no Ceará para anunciar que a edição deste ano do reality show de força, resistência e coragem estava começando. A chegada radical, que para qualquer pessoa poderia ser considerada muito desafiadora, não se compara a todas as barreiras que o apresentador quebrou desde que foi diagnosticado paraplégico após um grave acidente de carro em 2009.

“Meu mundo beira o limite o tempo inteiro. Não pense que estou falando de coisas que já fiz como sobrevoar o Cristo Redentor de paramotor ou saltar de uma cachoeira de 15 metros. Desafio meus limites desde a hora em que decido sair de casa, seja para ir à padaria ou a um lugar desconhecido, que não tem acessibilidade. Meu maior desafio é estar com o coração e a consciência abertos para lidar com as barreiras que vou encontrar”, explica ele, o primeiro apresentador cadeirante a apresentar um programa na TV Globo, durante um ensaio no Seen Restaurant & Bar, do Hotel Tivoli Mofarrej São Paulo.

"Ser uma referência para as pessoas e transformar a sociedade são os meus combustíveis. A inclusão social não deve estar apenas no nosso vocabulário, devemos habitar os lugares que não são definidos como nossos. Quero que as pessoas, independentemente de terem pernas ou braços, possam viver a sua eficiência. Temos que quebrar esse conceito de 'pessoas perfeitas'. Não existe isso. Todo mundo tem suas deficiências, físicas ou não, visíveis ou invisíveis", afirma.

A decisão de não deixar que a falta de mobilidade das pernas o limitasse foi tomada ainda no hospital, onde ficou internado 35 dias. Antes do acidente, o paulistano tentava se reencontrar profissionalmente. Ele havia participado da segunda edição do Big Brother Brasil, em 2002, mas sem rumo, tinha voltado a modelar. Antes do acidente, se preparava para ir a Milão, na Itália, desfilar para a grife de luxo Dolce & Gabbana e passar uma temporada em Nova York, nos Estados Unidos. No esporte, ele encontrou um novo sentido para sua vida.

"Foi muito complicado lidar com a fama repentina para um cara mais fechado como eu era. Quando saí do BBB, vivia a vida de modelo e celebridade. Meu sucesso todo estava na imagem física e não na pessoa que eu era. Foi muito difícil. Estava tentando me reencontrar e decidi que ia passar quatro anos no exterior pouco antes do acidente. De repente, me vi dentro de um quarto de hospital sem mexer as minhas pernas e tive que retomar a minha vida. A única ferramenta que eu tinha era o esporte", relembra. 

"Fiz uma analogia muito grande do Fernando criança e depois do acidente. Quando eu era  moleque, o futebol me ajudou a conquistar meu espaço, era a minha forma de me comunicar, me dava respeito, oportunidades e me incluía na galera. Quando sentei na cadeira de rodas, o esporte se tornou novamente meu meio de comunicação, criou oportunidades, me deu autoestima, me ensinou a ganhar e a perder e a não desistir. A vida ganhou um novo significado. Eu me tornei um cara de sucesso sem mexer as pernas. Antes, com pernas funcionando, patinava no sucesso. Não conseguia ser atleta profissional, era um modelo bom, mas que poderia ter sido melhor. Antes eu vivia da fama, hoje vivo do meu sucesso como atleta e comunicador", conta ele, que em 2010 conquistou o primeiro ouro de quatro mundiais que venceu com a canoagem.

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