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Sábado, 05 de Agosto de 2017, 09h:20 - A | A

Crimes contra a pessoa no ambiente escolar aumentam em média 50% em MT

Alexandra Lopes e Bárbara Sá

Mário Okamura

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Violência no ambiente escolar aumentou cerca de 50% dos casos de 2016 para este ano. Pais, escolas e governo podem reverter a situação

As estatísticas sobre violência no ambiente escolar aumentaram cerca de 50% no Estado neste primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, especialmente nos crimes contra a pessoa.

Entre as ocorrências estão lesão corporal, que pulou de 148 para 238, um acréscimo de 60,81%. O mesmo ocorreu com as ameaças que saltaram de 256 casos em 2016 para 388 situações denunciadas este ano, com um aumento de 51,56%. Também consta vias de fato (brigas ou confrontos físicos), que saltaram de 46 para 78, equivalente a 69,57% de aumento. Todas estas só não ganharam das denúncias de injúria, que foram de 51 em 2016 para 93 até agora neste ano, o que representa aumento real de 82,35%. 

Estes dados são da secretaria estadual de Segurança Pública e apontam um aumento geral em todos os tipos de violência. Furtos, por exemplo, também subiram de 460 para 703 casos, o que equivale a 52,83%.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público (Sintep), Henrique Lopes, uma medida que poderia amenizar o problema seria a implantação de ensino integral em todas as escolas.

Henrique entende que a escola é um retrato da sociedade e que temos acompanhado um aumento da intolerância das pessoas de um modo geral, refletindo no interior das escolas. Pondera que as pessoas estão cada vez menos pacientes e isso pode ser percebido por meio de provocações nas mídias sociais.

Conforme ele, isto, do ponto de vista pedagógico, não contribui para o processo educacional. “A gente sempre tem apontado no sindicato que a escola peca muito quando os jovens não têm escola de tempo integral. Porque acabam ficando apenas quatro horas na escola e o restante do tempo ficam livres, sendo presas fáceis do crime”, explica o sindicalista.

Segundo o levantamento da Sesp, constata-se que no primeiro semestre de 2016 roubo figurava com 45 ocorrências. Em 2017, aparece com 52, correspondente ao aumento de 15,56% dos casos. O uso de drogas teve acréscimo de 14,29%, saltando de 28 para 32 a mais na comparação entre semestres. 

Naldson Ramos, especialista em Segurança Pública, defende que o Estado invista em políticas públicas para melhorar a situação. Para fundamentar isso, ele se lembra de Bernard Charlot - um educador cientista francês, estudioso do fenômeno da violência, reconhecido internacionalmente por seu trabalho de pesquisa sobre violência nas escolas públicas.

Reprodução

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Número de ocorrências de lesão corporal teve aumento de 60,81%, conforme a Sesp

“Violência na escola é um processo que demanda políticas públicas nas áreas da educação, da segurança pública, da assistência à família, da assistência social e junto com outras atividades auxiliares, esporte, lazer. Tudo isso contribui para redução da violência no ambiente escolar”, comenta.

Segundo Naldson, Charlot classifica a violência em três categorias: na escola, da escola e a contra a escola. O assunto desta reportagem se enquadra na definição violência na escola. Neste sentindo, quando questionado sobre quem tem mais responsabilidade nisso, os pais, a escola ou o governo, ele resume que os três.

“Os três entes sociais de poder têm, realmente, responsabilidade sobre a educação dos filhos e extras muros escolar. Aos mestres e educadores é o acompanhamento, é a vigilância sobre a conduta desses alunos dentro da escola, orientando, repreendendo verbalmente, chamando os pais para conversar quando há uma conversa não deu certo”.

Nesta linha, explica que os pais também têm de acompanhar o desenvolvimento dos filhos, saber o que está acontecendo, avaliar o comportamento em casa, fora dela, acompanhar o desempenho escolar, se a escola chama para verificar o que está acontecendo. Para o especialista, pais e professores têm responsabilidades mutuas.

“Com relação ao Estado, prefeitura, governo, principalmente, é no sentido de oferecer políticas públicas no entorno do ambiente escolar. No caso de tráfico de drogas que fica no entorno deste ambiente, isso é de responsabilidade do poder público, da área da segurança. Acompanhar essa entrada de saída de jovens das escolas e ver essas condutas que está fora do muro”, complementa.

Conforme Naldson, na medida do possível intervir, também. Ou seja, identificando aqueles que estão causando problemas fora do muro escolar e, naturalmente, se for o caso, conduzindo até autoridades dos pais ou até Conselho Tutelar, no caso de maior de idade, levar até autoridade judicial, para devidos esclarecimentos.

“O que pode ser feito para melhorar essa situação e reduzir esses índices de violência? Primeiro, dentro do ambiente escolar a autoridade máxima são os professores e a direção. Tem que acompanhar esses jovens e saber o perfil de cada um. Cabe à direção da escola identificar os que estão causando insegurança”, conclui. 

“Violência na escola é um processo que demanda políticas públicas, diz especialista ”

Outro lado

Por meio de nota, a secretaria estadual de Educação  (Seduc) informa que  sempre atuou para promover a Cultura de Paz nas unidades escolares da rede estadual de ensino.

Explica que entre as atividades, neste ano, implementou o Anjos da Escola, um programa com diversas ações integradas para reduzir a evasão escolar, combater a indisciplina, a infrenquência e a infração no ambiente escolar.

A equipe tem realizado um diagnóstico das unidades com maior índice de infrações para aumentar as ações preventivas, como palestras, capacitações e cursos para a prevenção ao uso de álcool, tabaco e crack. Os pais e professores também estão sendo capacitados para identificar e prevenir as situações de risco.

A Seduc também tem ampliado os programas que funcionam no contra turno das aulas, como os projetos de Educomunicação e Prinart, este envolvendo atividades como música e arte, além do Rede Cidadã, desenvolvido pela Polícia Militar, para diminuir as situações de risco.

As ações do programa são realizadass em parceria com a Rede de Proteção Integral, formada pelos parceiros do programa Ministério Público (Vara da Infância e Juventude, Proceve); Poder Judiciário (Núcleo de Mediação e Conciliação de Conflitos); Defensoria Pública (Núcleo de Mediação e Conciliação de Conflitos); secretaria estadual de Saúde - Programa de Saúde na Escola (PSE); SSP: Polícia Militar (Rede Cidadã, Proerd, Batalhão Escolar); Polícia Civil (Delegacia da Infância e Juventude); Conselho Tutelar e CRAS.

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