Mário Okamura
Entre reivindicações de estudantes que ocupam escolas estaduais estão melhorias na estrutura e a não privatização
Por aumento da verba repassada para merenda, melhorias de infraestrutura e o fim de editais que permitem parcerias privadas na Educação, estudantes de Mato Grosso já ocupam 22 escolas estaduais em pouco mais de três semanas.
O movimento foi deflagrado, em 22 de maio, com a ocupação da Escola Estadual Elmaz Gattas, em Várzea Grande. A reportagem do
visitou por dois dias duas escolas ocupadas, sendo uma em Várzea Grande, a Elmaz Gattas, e outra em Cuiabá, a José de Mesquita. Entretanto, somente no colégio várzea-grandense a equipe teve autorização para conhecer o interior do prédio.
Na Grande Cuiabá o número de unidades ocupadas chega a 18. “Lutamos contra a precarização das escolas. A grande maioria tem problemas de estrutura. Em algumas, chega a chover dentro do prédio, além de apoiarmos a greve dos professores. E não aceitamos a implantação de Parcerias Público-Privadas (PPP) na gestão escolar do nosso Estado.”, diz o estudante Antônio Lucas da Silva, 17 anos, aluno da Elmaz Gattas.
A revogação do edital publicado que permite as PPPs oferecer alguns serviços considerados “não pedagógicos”, como o preparo da merenda, serviços de manutenção e limpeza e vigilância, é uma das principais reivindicações. “Assim, teremos investimento privado naquilo que é público. Além disso, acreditamos que a partir do momento em que o profissional trabalha na escola, ele já é parte do projeto político-pedagógico”, explica o presidente da Associação Mato-Grossense de Estudantes Secundaristas, Juarez França.
Gilberto Leite/Rdnews
A escola estadual José de Mesquita, em Cuiabá, também foi ocupada por estudantes em 22 de maio
Os estudantes reivindicam ainda a instalação de uma CPI para investigar um suposto superfaturamento na contratação de obras de infraestrutura pela secretaria estadual de Educação (Seduc), de R$ 56 milhões, e na compra de merenda escolar, de pelo menos R$ 11 milhões.
Na escola de Várzea Grande o universitário Denny Freire, de 22 anos, que coordena a ação na unidade, ressalta que o protesto tem início a partir do momento em que os alunos da instituição pedem apoio à Associação. “Nós só ocupamos a escola depois de pedidos dos alunos. Não fazemos isso por conta própria”.
Negativa
Durante as visitas às escolas foi possível notar que nem todos têm acesso ao interior do colégio. Isso é o que foi constatado no José de Mesquita. A reportagem não pôde entrar no prédio. O coordenador, Rafael Rodrigues, falou com a equipe no portão da unidade. Ele justifica que o fato se deve a uma medida de segurança. “Aqui é a nossa sede. Não vamos abrir o portão para todo mundo”.
Ocupações
Atualmente estão ocupadas em Cuiabá as unidades Rafael Rueda; Caic do bairro Pedra 90; João Panaroto; Estevão Alves; Juarez Rodrigues; Pascoal Ramos; Raimundo Pinheiro; Diva Hugueney; José de Mesquita; Zélia Costa; e Padre Ernesto. Em Várzea Grande estão Ubaldo Monteiro; Marlene Marques de Barros; Porfíria Paula de Campos; Elmaz Gattas Monteiro; Fernanda Leite; Jayme Campos; Milton Figueiredo; e Elizabeth Bastos.
No interior do Estado algumas cidades também aderiram ao movimento, como Barra do Garças onde três escolas encontram-se ocupadas, sendo Irmã Diva, Gaspar Dutra e Cristino Cortes. E em Primavera do Leste está a escola Alda Gawlinsk Scopel. Contudo, conforme Rafael, esse número pode ser variável e a qualquer momento outras unidades de ensino podem ser ocupadas.
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