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Saúde

Vacina contra a dengue é testada em Cuiabá; 1,2 mil vão ser imunizados

Bárbara Sá

Gilberto Leite

o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin esteve em Cuiabá para lançar os testes em Mato Grosso

Hoje (7), em Cuiabá, começou a ser testada a primeira vacina contra a dengue. Serão 1,2 mil voluntários. A cidade é a segunda da região Centro-Oeste a fazer os estudos clínicos.

A vacina é desenvolvida pelo Instituto Butantan, unidade da secretaria de Saúde de São Paulo, em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês).

As doses são produzidas com vírus vivos, mas geneticamente enfraquecidos.

O estudo integra a terceira e última etapa de testes antes da vacina ser submetida à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para que possa ser produzida em larga escala pelo Butantan e disponibilizada para campanhas de imunização em massa na rede pública de saúde em todo o Brasil.

A vacinação dos voluntários é realizada no Centro de Avaliação e Pesquisa, sob a responsabilidade do médico pesquisador Cor Jesus Fontes. “Nós acreditamos muito no sucesso dessa vacina e participar dessa avaliação representa um orgulho para nossas instituições. Uma vez que, uma vacina brasileira produzida para o SUS é a grande esperança para o controle da dengue e, certamente, irá reduzir o sofrimento da população”, assegura o médico pesquisador.

Gilberto Leite

Médico Cor Jesus Fernandes

Vacinação é realizada no Centro de Avaliação e Pesquisa, sob responsabilidade do médico Cor Jesus

Os voluntários, que vão participar do estudo, têm entre 2 e 59 anos de idade. Em Cuiabá, os ensaios clínicos serão conduzidos pelo Hospital Universitário Júlio Müller, sob a responsabilidade do médico pesquisador Cor Jesus Fontes. 

Testes da vacina já estão em andamento em sete Capitais: Manaus (AM), Boa Vista (RR) e Porto Velho (RO), Fortaleza (CE), Aracaju (SE), Porto Alegre (RS) e Campo Grande (MS), além de três unidades em São Paulo, sendo eles o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Os testes deverão envolver 17 mil voluntários em 13 cidades em todas as regiões brasileiras. Podem participar do estudo pessoas saudáveis, que já tiveram dengue ou não, e que se enquadrem em três faixas etárias: 2 a 6 anos, 7 a 17 anos e 18 a 59 anos.

A vacina do Butantan é desenvolvida em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês), é produzida com vírus vivos, mas geneticamente atenuados, isto é, enfraquecidos. 

Gilberto Leite

Arlindo de Almeida Neto

Arlindo de Almeida Neto, estudante de Direito, é um dos 1,2 mil voluntários a receber a vacina em MT

O voluntário Arlindo de Almeida Neto, 21, estudante de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), conta que decidiu participar dessa ação para contribuir para os avanços da pesquisa.

“Nós sabemos o quanto é importante para a sociedade como um todo o resultado dessa vacina”, conta.

A vacina do Butantan, desenvolvida em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês), é produzida com vírus vivos, mas geneticamente atenuados, isto é, enfraquecidos.

“Com os vírus vivos, a resposta imunológica tende a ser mais forte, mas, como estão enfraquecidos, eles não têm potencial para provocar a doença. A vacina deve proteger contra os quatro sorotipos da dengue com uma única dose”, explica o diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil.

Nesta última etapa da pesquisa, os estudos visam comprovar a eficácia da vacina. Do total de voluntários, 2/3 receberão a vacina e 1/3 receberá placebo, uma substância com as mesmas características da vacina, mas sem os vírus, ou seja, sem efeito.

 Nem a equipe médica nem o participante saberão quais voluntários receberam a vacina e quais receberam o placebo. O objetivo é descobrir, mais à frente, a partir de exames coletados dos voluntários, se quem tomou a vacina ficou protegido e quem tomou o placebo contraiu a doença.

Os dados disponíveis até agora das duas primeiras fases indicam que a vacina é segura, que induz o organismo a produzir anticorpos de maneira equilibrada contra os quatro vírus da dengue e que é potencialmente eficaz.

“A dengue é uma doença endêmica no Brasil e em mais de 100 países. A vacina brasileira produzida pelo Butantan, um centro estadual de excelência reconhecido internacionalmente, será certamente uma importante arma de prevenção”, afirma o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, David Uip.

Apoio

Estiveram presentes no evento o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin;  do Presidente da Fundação Butantan, André Franco Montoro Filho; do Superintendente da Fundação Butantan, Carlos Magalhães; do superintendente em exercício do HUJM, Eduardo De Lamonica Freire; do médico pesquisador Cor Jesus Fontes; do prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes; e de outras autoridades do HUJM, da UFMT, da Câmara Federal, do Governo do Estado, da Assembleia Legislativa, da Prefeitura de Cuiabá e da Câmara Municipal.

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