A escritora Cristina Campos finalizou e deve lançar em novembro (a previsão é o dia 22) seu quinto livro, Bicho Grilo. Trata-se de um volume de poemas cuja temática principal são as paisagens do cerrado, mas composto também por ilustrações da artista plástica Ruth Albernaz.
Antes disso, a professora doutora em língua portuguesa escreveu Pantanal Mato-Grossense: O Semantismo das Águas Profundas (2004), Conferência no Cerrado (2008), Manoel de Barros: O Demiurgo das Terras Encharcadas (2010) e O Falar Cuiabano (2014).
Sobre Bicho Grilo, Cristina conta que alguns dos poemas foram escritos ao longo dos últimos 20 anos. “Um ou outro são bem antigos, pois é meu primeiro livro de poesia. Fiz uma recolha de coisas que já tinha, alguns chegam a ter mais de vinte anos, mas a maioria é coisa nova, composta agora. São escritos poéticos, algumas poesias, algumas reflexões”, contou ao
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“O processo inspira-se na proposta de Poema Conceito, do amigo Wlademir Dias Pino: a imagem não ilustra o texto e este não explica a imagem. Ambos se combinam por um critério estético”, argumenta a escritora. O convite a Ruth Albernaz para ilustrar o livro partiu da própria escritora. “Gosto muito do trabalho dela, temos uma afinidade, trabalhamos bem juntas. Ela tem uma série de xilogravuras com certos detalhes da obra dela que compõem bem comigo”.
Assim, não se trata simplesmente de poemas ilustrados, mas de composições poéticas constituídas de imagem e texto. Depois de extensa pesquisa na obra da artista plástica, as duas criadoras chegaram juntas à conclusão de quais poderiam compor melhor com o conceito defendido no livro. “Quem fez a combinação foi a Eliane Caniato. Acho que ficou bom”, explica Cristina.
Ela é graduada em Letras pela UFMT (1984); especialista em língua portuguesa (UFMT, 1989), semiótica (1995) e semiótica da cultura (1996); mestre em educação, (UFMT, 1999); e doutora em educação (USP, 2007). É também professora aposentada de língua portuguesa e literatura brasileira do IFMT – campus Cuiabá.
Recentemente, Campos esteve envolvida, junto com outros escritores inicialmente desclassificados, numa polêmica acerca de prazos e exigências para participação da edição 2016 do Prêmio Mato Grosso de Literatura, promovido pela secretaria estadual de Cultura.
Depois de uma reviravolta causada essencialmente por críticas de intelectuais da AML e alguns setores da mídia, houve a imposição de novas inscrições. E o resultado da edição do prêmio deste ano só será conhecido em 2017. A previsão inicial era setembro passado.
Bicho Grilo, aliás, é também fruto de outro edital, só que promovido pela secretaria municipal de Cultura. Além de professora, escritora e revisora, Cristina é também membro da Academia Mato-Grossense de Letras.
Sobre esse assunto, editais de cultura, ela argumenta que não há como o mundo literário local viver à parte deles. “São iniciativas louváveis e podem ser a única chance de um autor conseguir publicar seus textos, porque publicar uma obra não é algo barato. O mercado editorial em Mato Grosso teve um aquecimento, muita coisa apareceu aqui depois que surgiram os editais”, disse.
Sobre a lisura do prêmio, contestada por alguns após as declarações públicas de desclassificação de outros pelo menos 50 escritores (somente outras três dezenas conseguiram passar pelo crivo inicial), ela lembra que todos os artistas participam sob pseudônimos.
Logo, as pessoas que fazem parte da banca julgadora não sabem quem é o autor de qual obra, não havendo, então, influência direta pelo fato de serem acadêmicos muitos dos que se inscreveram no meio da nova regulamentação.
Cristina foi eleita para a Academia Mato-Grossense de Letras em 2015, junto com Flávio Ferreira, Olga Castrillon Mendes e Luciene Carvalho.









