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ECONOMIA Sábado, 08 de Abril de 2017, 06:40 - A | A

Sábado, 08 de Abril de 2017, 06h:40 - A | A

Cuiabá 298 anos

Cuiabanos e paus rodados superam crise e aumentam qualidade de vida

Carlos Palmeira

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Cuiabá chega a seus 298 anos com muita história para contar, sendo que uma delas é de superação. Desde meados de 2014 o país sofre com uma das piores crises econômicas de sua história, e apesar das dificuldades também chegarem na Capital de Mato Grosso, a cidade pode dizer que tem com vigor o problema  e até se saído bem. A Capital  conseguiu com o passar dos anos bons níveis de qualidade de vida e principalmente renda, fator esse que demonstra a luta de cuiabanos e “paus rodados” contra a recessão. 

Apesar de cogitar decretar estado de calamidade, Mato Grosso não chegou nem próximo dos problemas vividos por estados como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, onde a crise mostrou reflexos diretos na segurança, saúde, educação e na gestão pública, que teve que lidar com grandes protestos de servidores estaduais e municipais que reclamavam de salários atrasados. 

A opinião, aliás, de que o Estado está em uma situação menos complicada do que outros locais do país é compartilhada pela Associação dos Auditores Públicos Externos do TCE-MT (Audipe) e até pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi (PP).

Analisando algumas estatísticas é possível também ter esse tipo de leitura. Cuiabá registra taxas de desemprego menor do que a média nacional desde o último trimestre de 2013. Esse parâmetro, porém, foi quebrado entre janeiro e setembro de 2016, mas voltou a se restabelecer no final do ano passado. Foram 27 meses seguidos com um índice de desocupação abaixo da média do país - veja quadro no fim da matéria.

Esses dados estão disponibilizados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), realizada pelo IBGE. Em outubro, novembro e dezembro de 2016 a cidade teve uma taxa de desemprego de 10,3%, um pouco abaixo dos 12% registrado nacionalmente. 

Galeria: Cuiabanos e paus rodados

Outra medida interessante é em relação ao salário recebido pelo cuiabano. Mesmo estando ainda longe do patamar dos R$ 3,6 mil, valor que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) afirma ser necessário para manter uma família de quatro pessoas, o salário médio do morador da Capital também alcança bons números. Nesse caso, desde pelo menos o último semestre de 2013 os moradores de Cuiabá recebem melhores salários, em média, do que o brasileiro de forma geral.

A variação entre os rendimentos pagos na Capital de Mato Grosso e em todo o país chegaram a ser de 28,8% no segundo trimestre de 2014. Enquanto nacionalmente os salários foram calculados em R$ 1.710, em Cuiabá os rendimentos médios foram de R$ 2.203, uma diferença de R$ 493.

Em outras modalidades de pesquisa, a cidade também mostrou qualidades. Segundo o site Love Mondays, uma página que compila, de maneira anônima, opiniões e avaliações de funcionários sobre as empresas em que trabalham, Cuiabá foi eleita a cidade com os profissionais mais felizes do mercado. A pesquisa, realizada entre julho de 2015 e julho de 2016, ouviu mais de 68 mil pessoas e atribuiu uma nota média de 3,73 para a cidade, em um ranking que varia entre 1 e 5.  

Crescimento

O atual estágio de desenvolvimento da cidade pode ser explicado por um movimento migratório. O município, que é conhecido por receber imigrantes de vários locais do país, principalmente de Estados do Sudeste como São Paulo e Rio de Janeiro e do Sul como Paraná e Rio Grande do Sul, registrou um “boom” em sua população nas três últimas décadas do século passado.

Na década de 70 a cidade abrigava 100,8 mil habitantes, número que saltou para incríveis 212,9 mil na década seguinte, o que representou um aumento de 111,2%.  Em 1990 o aumento na população também foi intenso (89,2%), apesar de menor do que o registrado anteriormente. Nesse período a cidade recebeu mais 189,9 mil pessoas, o que deixou o município com 402,8 mil habitantes. 

O desbravamento de terras mato-grossenses perdeu um pouco a força, mas no início do século 21 a cidade já contava com 483,3 mil pessoas, registro que alcançou os 551 mil ao final da primeira década dos anos 2000. Atualmente, vivem em Cuiabá - contagem que inclui todos os "paus-rodados" (apelido dado às pessoas aos estrangeiros que escolhem viver em Cuiabá) que chegaram nesses anos anteriores - cerca de 585,367 mil pessoas.

IDH

A imigração para Cuiabá acabou acompanhando o aumento da qualidade de vida na cidade. O trabalho desenvolvido pelos estrangeiros e pelos próprios cuiabanos de “tchapa e cruz” (pessoas que nascem e morrem na cidade) fez com que a Capital conseguisse um avanço no Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) de 0,569, em 1991, para 0,692 nos anos 2000.

Na última medição, divulgada em 2014, o índice da cidade foi medido em 0,785. O registro atual integra a faixa dos locais que estão em “alto desenvolvimento”, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). 

O quesito longevidade foi onde o município conseguiu seu maior triunfo. O IBGE aponta que as pessoas que moram na Capital chegam, em média, aos 75 anos de idade. Nesse aspecto a cidade consegue ter um registro de dois anos a mais do que a média nacional, que é de 73 anos. 

No âmbito geral, Cuiabá ocupa a 92ª posição entre os 5.565 municípios brasileiros no ranking do IDHM. O IDH varia entre 0 e 1 e quanto mais próximo de zero, pior são as condições da região e quanto mais próximo de um melhor a vida no local.  

PIB

O Produto Interno Bruto (PIB) - que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos em determinada região – de Cuiabá foi estimado em R$ 20,5 bilhões, segundo a série revisada de 2014 do IBGE. O número deixa a Capital na 37ª colocação entre todos os municípios do país. Uma excelente colocação para a cidade, que ficou a frente de locais como Santos (R$ 20,1 bilhões), Natal (R$ 19 bilhões) e Florianópolis (R$ 17,3 bilhões). 

Mário OkamuraRdnews

Quadro PIB

   Números mostram que Cuiabá apresenta bons resultados na economia, apesar da situação de crise

Representado pelos dentistas, advogados, eletricistas e principalmente os instaladores de ares-condicionados, o setor de serviços continua sendo quem mais contribui com esses números. São R$ 11 bilhões produzidos - que representam 53,6% do total - frente aos R$ 3 bilhões da indústria (14,6%), R$ 2,7 bilhões da administração, saúde, educação pública e seguridade social (13,1%), R$ 3 bilhões de impostos (14,6%) e mais R$ 44,3 milhões da atividade agropecuária (4,1%). Apesar de estar situada no maior Estado produtor de grãos e com o maior número de cabeças de gado no país, menos de 5% do PIB da Capital vem do agronegócio. 

Já no caso do PIB per capita - que corresponde ao volume total de todas as atividades econômicas divido pelo número de habitantes – Cuiabá consegue um resultado de R$ 35,6 mil. 

Entre as capitais do Centro-Oeste, Cuiabá só fica atrás de Brasília no produto interno bruto per capita. A Capital Federal, que tem um dos melhores indicadores do país, foi avaliada com R$ 69,2 mil. Campo Grande e Goiânia ficaram com R$ 28,3 mil e R$ 32,6 mil, respectivamente.

 

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dauzanades 09/04/2017

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