Cuiabá, 23 de Março de 2017

ECONOMIA E AGRONEGÓCIO

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Segunda-Feira, 13 de Fevereiro de 2017, 08h:07 | Atualizado: 13/02/2017, 10h:38

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Em tempos de crise, previdência privada complementa aposentadoria

As previdências privadas podem surgir como alternativa para quem pretende complementar a renda da previdência social. Segundo o assessor de investimentos Luiz Augusto Alves Corrêa, da Ouro Investimentos, os planos particulares podem apresentar rendimentos melhores e são menos burocráticos do que o INSS.

O assessor defende a adoção dos planos privados como um respiro para as famílias que não querem depender dos serviços públicos. Segundo ele, somente 1% das pessoas está aposentando hoje em dia com o mesmo salário que recebia. 

Gilberto Leite

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 Assessor de investimentos Luiz Augusto Corrêa explica planos e rendimentos a segurados

Luiz Augusto afirma que o sistema de previdência pública está passando por uma reformulação justamente para que o problema no futuro não seja maior.

“O governo tem enxergado que o dinheiro não vai dar. A demografia nossa tem mudado. As pessoas estão vivendo mais e por causa disso a regra que existia não vai existir mais. Antes a pessoa aposentava com 45 anos e vivia mais 10 ou 15, e o saldo pagava essa diferença. Então existe a necessidade de se fazer essa equalização. Ou a pessoa contribui mais ou ela vai receber menos. Mágica não dá para fazer. E essa mudança ocorreu no mundo inteiro”, explica ao .

O especialista comenta que a opção privada de investimentos serve como boa alternativa para quem quer um incremento na renda e quer garantir um rendimento um pouco melhor no futuro. “Normalmente a previdência privada deve ser enxergada como um adicional. Porque na verdade ela é uma aplicação financeira com regras próprias que estimulam investimentos a longo prazo. Você pode usá-la a qualquer momento, mas as pessoas usam como um complemento da aposentadoria".

Luiz ressalta que no Brasil quem regulamenta a previdência privada são as seguradoras. Essas empresas geralmente são ligadas a alguma instituição financeira e por causa disso o mais comum é que os interessados procurem os bancos para realizar a cotação dos planos que se encaixam no seu perfil. 

Entre os benefícios da previdência privada está a pequena burocracia. Diferentemente do que ocorre em casos de famílias que têm imóveis registrados e acabam precisando realizar o pagamento de algumas taxas e documentações para liberar o bem a algum parente em caso de falecimento, a previdência privada registra mais facilidades.

 “A pessoa fez uma previdência privada, ficou doente e veio a falecer. Então aquele montante que ela tinha acumulado vai para os herdeiros legais ou para quem ela indicou. E esse montante não entra em inventário, que às vezes demora seis meses ou até um ano para sair. Ou seja, na previdência privada os familiares mandam a documentação nesses casos de falecimento e em questão de duas semanas o dinheiro já está na conta dos herdeiros”, exemplifica.

Dicas

Luiz fez questão de lembrar que a estabilização da moeda começou por volta da metade da década de 90, após a instalação do Plano Real. Por isso, o consultor ressalta que muitos dos investimentos ainda não tiveram um tempo necessário de resgate. “A grande parte das pessoas ainda está na fase de acumulação”.

"Antes a pessoa aposentava com 45 anos e vivia mais 10 ou 15. Então existe a necessidade de se fazer essa equalização" - Luiz

O especialista recomenda a previdência para as pessoas que estão na maior faixa do imposto de renda. “Quem paga esse tributo, além de todas as vantagens que a previdência privada oferece, ainda consegue abater esse valor e reduzir encargos. Então muita gente reclama dos impostos, mas acaba não aproveitando essa regra que existe no país”, defende.

Por uma questão cultural, os brasileiros não são acostumados a pouparem. Neste sentido, o assessor diz que os planos são altamente indicados para pessoas com dificuldades de gerir o próprio dinheiro. As seguradoras que oferecem esses serviços cobram uma taxa de administração do investimento.

Por isso, recomenda que os interessados devem realizar uma vasta pesquisa para encontrar as melhores tarifas e retornos. “Você encontra no mercado taxas muito baixas até muito altas. Nesse segundo caso, as aplicações geram pouco retorno ao investidor. No longo prazo esse saldo acaba fazendo diferença”, pontua.

Outra questão que pode beneficiar o segurado é a portabilidade criada pelo governo federal. Semelhante à portabilidade numérica de celular, a regra estimula a competição entre as seguradoras e permite ao aplicador mudar o plano para outras seguradoras que escolher para, por exemplo, conseguir taxas melhores. 

Luiz conta que não realizou simulações aleatórias de investimentos para a reportagem, porque argumenta que o cálculo dos rendimentos é complexo. Ressalta que variáveis, como os juros e a inflação, são levadas em consideração na hora da elaboração dos planos. “Hoje é possível ter uma boa rentabilidade porque a taxa de juros está alta, mas quando ela cair os rendimentos serão menores”.

Gilberto Leite

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 Assessor defende a adoção dos planos privados como um "respiro" para as famílias

As aplicações na previdência privada, segundo ele, podem oferecer aos interessados uma renda vitalícia para complementar o valor pago pelo INSS. Reitera que é importante sempre pensar nos dois como complementares, tendo em vista que a previdência privada não cobre casos de invalidez, licença maternidade e paternidade, por exemplo.

Público

De acordo com o especialista, o maior público de pessoas que faz esse tipo de investimento está entre os jovens que já atingiram uma boa faixa salarial. São aqueles trabalhadores que atingiram determinada dependência financeira e estão em cargos de liderança nas empresas. 

O consultor explica que os segurados fazem parte dessa faixa etária, porque pessoas com mais idade preferem outros tipos de investimento, uma vez que a previdência privada tende a ter bons rendimentos a longo prazo. Em relação à classe econômica, Luiz afirma que o público é bem diverso e no caso da agência dele o público vai de A a Z. 

Entretanto, defende que nos últimos anos o mercado, pelo menos em Cuiabá, tem sentido uma mudança relevante em relação aos segurados. “Normalmente quem procura são pessoas que têm um conhecimento de finanças pessoais pelo menos razoável. E geralmente eram da iniciativa privada ou CLT. Hoje tem aumentado a procura desses serviços por funcionários públicos".

Nesta linha, o assessor exemplifica o escritório, tendo em vista que era muito raro ter um funcionário público como cliente. "Por quê? Ele tinha o salário dele e tinha a certeza que ia aposentar por um bom valor. E isso tem mudado. Alguns estão com o sinal amarelo ligado e estão se perguntando se o governo vai conseguir dar conforto na aposentadoria e estão procurando outras alternativas”, argumenta.

O profissional lembra também que uma fatia importante das pessoas que procuram esses planos é daquelas que querem garantir um futuro melhor para os filhos. “Assim que a criança nasce, a pessoa vai lá e faz um investimento com um valor pequeno, que não vai atrapalhar na vida da família. Isso eu acho espetacular. Porque quanto maior o tempo, mais os juros vão fazer esse valor crescer”, conclui.

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Comentários (5)

  • Luiz Augusto Victorino Alves Corrêa | Terça-Feira, 14 de Fevereiro de 2017, 17h14
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    Sr. Adelcio, é possível abater IR fazendo previdência para um dependente. Ressalto que é imprescindível escolher um plano adequado (PGBL ou VGBL, regime tributário progressivo ou regressivo) e que compare rentabilidade e taxas de diversos planos. Caso tenha dúvidas, favor entrar em contato conosco na Ouro Investimentos (2127-2740)

  • Adelcio | Terça-Feira, 14 de Fevereiro de 2017, 13h44
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    Gostaria de saber se valor pago a previdencia privada de um dependente menor de idade ( 12anos) pode ser declarada no imposto de renda do responsavel? Há alguma vantagem nisso ou é indiferente? Obrigado.

  • Elisa | Segunda-Feira, 13 de Fevereiro de 2017, 13h52
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    Discordo dos colegas. O que o assessor colocou é que a previdência privada é um complemento de renda e não um substituto do INSS. E em nenhum momento ele defendeu o governo, mas explicou do risco que há em confiar apenas na previdência social para sua aposentadoria. Do mesmo modo, em nenhum momento na matéria ele fala de banco, as corretoras estão aí para isso. E quanto a preço, é só pesquisar e verá que não é bem assim. Há planos mensais baixos e acessíveis sim. parabéns pela matéria e pela informação. Que o nosso cidadão brasileiro aprenda a poupar mais desde já.

  • Brasileiro | Segunda-Feira, 13 de Fevereiro de 2017, 10h03
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    6

    É evidente que o Governo Federal esta impondo esta reforma da previdência para atender a grupos que vendem previdência privada a população tem que reagir contra as reformas para atender interesses dos banqueiros...

  • Sampaio | Segunda-Feira, 13 de Fevereiro de 2017, 09h20
    3
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    " Meu amigo especialista discordo parcialmente disso , Que forma cidadãos vão pagar a previdência privada , Se muitos estão inadimplentes com suas contas pessoas e do dia dia , Muitos desempregados, e muitos que estão ativo no mercado de trabalho estão no limite dos gastos , Agora se você trabalha em um órgão publico Ex. Assembléia , e Câmara de vereadores ou no Governo e Prefeituras que são os melhores e maiores salários e menores horas de trabalhadas ai sim concordo com você..."

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