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Judiciário Sábado, 28 de Julho de 2018, 07:59 - A | A

Sábado, 28 de Julho de 2018, 07h:59 - A | A

CONFISSÃO BOMBÁSTICA

Gerson entrega Paulo Taques e afirma que grampos começaram antes da campanha

Eduarda Fernandes

O interrogatório do cabo Gerson, réu no processo que investiga grampos ilegais na gestão do governador Pedro Taques (PSDB) e até na campanha eleitoral que o elegeu, caiu como uma bomba. Ele contou tudo sobre a instalação das escutas e os motivos da arapongagem, prática ilegal. Entregou o ex-secretário de Estado Paulo Taques, primo do governador, que está preso. Respondeu aos questionamentos do juiz Murilo Mesquita das 23h53 às 5h da madrugada deste sábado (28). O acompanhou todo depoimento até o amanhecer na 11ª Vara Militar no Fórum da Capital. A audiência que ouviu todos os réus do caso durou mais de 15 horas.

Em uma confissão detalhada, Gerson afirma que o ex-secretário Paulo Taques tinha conhecimento e financiou o esquema de escutas ilegais.

Gerson inicia falando ao MPE e demais presentes que, desde o início do processo, buscou a “verdade real dos fatos” por meio das testemunhas que arrolou, inclusive com a tentativa de arrolar o governador Pedro Taques que, por conta de um processo que tramita o STJ, não pode depor.

Gilberto Leite

cabo gerson segunda audiencia grampos

Cabo Gerson é interrogado em audiência no TJ e confirma  participação de Paulo Taques no esquema dos grampos

Declara que veio dizer a verdade. “Se eu errei ou não, não sou eu quem devo julgar, mas vossas excelências. Então estou pronto para responder tudo o que perguntarem”. Acusado de falsidade documental e ideológica, ele pede que o juiz o questione pontualmente para ele poder responder.

Conta que ingressou na PM em 27 de outubro de 2003. “De lá para cá, assim que me formei, fui convidado a atuar no Gaeco, em maio de 2004, onde fiquei até 2016. São 12 anos de serviço, sempre no setor de interceptações. Posso afirmar que participei de mais de 200 operações”.

 

Eu falei que tinha uma sala de estudo. Mas não tinha sala de estudo. Desde o início essa sala foi usada para funcionar esse núcleo de inteligência

De maio de 2016 a maio de 2017, Gerson diz que atuou na Casa Militar, até ser preso. No Gaeco, relembra já trabalhou com inúmeros promotores, Mauro Zaque, Paulo Prado, Marco Aurélio, Samuel Frungilo, dentre outros.

No final de julho de 2014, ele fala que recebeu ligação do Coronel Zaqueu, então subchefe de Estado Maior, o chamando para ir ao comando da PM. “Recebi e fui até o gabinete dele. Ele me fez uma explanação que queria fazer uma limpeza na instituição, que queria retirar policiais do Estado que estavam com desvio de conduta e disse que precisava implementar interceptação telefônica no âmbito da PM do Estado”.

Gerson cita que Zaqueu lhe apresentou placas de escuta Wytron, que o coronel contou ter conseguido com um amigo, sem revelar quem. “Disse que tinha viabilidade técnica, mas que tinha um custo para que isso acontecesse”, lembra o cabo.

Gilberto Leite

Paulo Taques

Ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques é acusado de pagar custos da arapongagem, algo em torno de R$ 50 mil

“Nessa ocasião o coronel também me pediu para escrever um projeto de interceptação no âmbito da PM. Escrevi um bem básico em uma tarde”, detalha Gerson, que pontua ter feito o projeto e repassado um orçamento de R$ 12 mil ao coronel. A placa servia, segundo ele, uma metade para telefonia fixa e outra para telefonia móvel e só a móvel foi usada.

“Coronel Zaqueu disse que o sistema todo era para funcionar dentro da Diretoria da Agência Central da Polícia Militar (Daci)”, afirma o cabo e comenta que lá não tinha equipamentos de interceptação. “Foi quando surgiu a ideia de alugar um imóvel. Eu falei que tinha uma sala de estudo. Mas não tinha sala de estudo. Desde o início essa sala foi usada para funcionar esse núcleo de inteligência”.

Para minha surpresa, tomei conhecimento de que tinha um pano de fundo atrás da interceptação realizada pela PM, porque o referido senhor Paulo veio como coordenador de campanha de um certo candidato

Por ordem do coronel, o cabo foi atrás de alugar uma sala comercial. No contrato de locação constava que o lugar seria usado como uma sala de estudo de contabilidade. O imóvel pertencia a André Pozzeti. “Tudo o que eu fiz foi com feedback, com reporte, com autorização do 03 da Polícia Militar (coronel Zaqueu)”, declara.

“Eu morava praticamente no Gaeco nessa época, em 2014. E minha esposa estava grávida de oito meses, então imagine como eu estava atarefado. Mesmo assim não deixei de atender o coronel”, continua Gerson.

Encontro com Paulo Taques

Ele afirma ter encontrado com Paulo Taques no restaurante chamado Reserva, localizado na estrada de Chapada dos Guimarães. O encontro teria sido intermediado por Zaqueu e serviu para tratar da interceptação, que seria custeada por Paulo Taques. Segundo Gerson, o coronel Lesco estava junto, Zaqueu não. Esse episódio ocorreu em agosto de 2014.

“O senhor Paulo iria pagar e ter conhecimento daquilo que iria ser produzido. Nessa data, para minha surpresa, tomei conhecimento de que tinha um pano de fundo atrás da interceptação realizada pela PM, porque o referido senhor Paulo veio como coordenador de campanha de um certo candidato”.

“Minha situação financeira e da minha família é precária, não tem milhão nem milhinho, vivo do meu salário e da minha esposa. Não tem milhão para ficar calado. Não tem porque ficar calado”, assegura. “Minha dignidade vale mais que muito dinheiro”, ressalta com voz embargada.

O cabo Gerson segue contando que “foi especificado que ele iria bancar, que o orçamento para iniciar os trabalhos era de R$ 12 mil, que tinha despesa com locação, que eu era pessoa de confiança do Zaqueu e que tudo que precisasse materialmente era para reportar a ele”, explica em relação a Paulo Taques.

A única coisa que fiz foi gravar em um pendrive para ele. Mas não ouvi nada. No sábado, véspera de eleição, entreguei um pendrive ao cel Zaqueu. Nunca me disse o destino do pendrive. Lógico que sabia que alguém iria escutar

Cabo Gerson

Perguntado pelo juiz Murilo Mesquita se o dinheiro vinha de Paulo Taques ou Pedro Taques, Gerson diz que não sabe informar. “Realmente eu fui buscar uma certa quantia em dinheiro, não sei se escritório dele, se local de reunião de campanha. Posteriormente vou explicar quando foi, mas nessa ocasião foram R$ 50 mil”, afirma o cabo. “De Paulo Taques?”, pergunta o juiz. “De Paulo Taques”, responde Gerson. “O Paulo entregou para o coronel Lesco”, completa.

Os dois primeiros meses de locação da sala foram pagos por Lesco, segundo o réu. “Quem conhecia o Paulo Taques não era o coronel Lesco nem eu. Quem conhecia era o Zaqueu, de onde eu não sei”, prossegue no depoimento.

Aí, diz, começaram a juntar equipamentos, peças de computadores, CPUs usadas, para montar a sala de interceptação. “Saímos da parte do software e fomos atrás do hardware. A placa tinha, estava pronta, era só encaixar”.

No depoimento, Gerson isenta o cabo Euclides Torezan. Afirma que ele apenas estava cumprindo uma ordem superior. E aí, com os R$ 50 mil conseguiram montar a sala. Cabia a Gerson comprar os equipamentos e guardar o que sobrava. O cabo diz que Torezan o ajudou nessas compras, mas acreditando que a origem do dinheiro era a PM.

Eduarda Fernandes

Cabo Gerson

 Cabo Gerson vai ao depoimento fardado e antes de prestar esclarecimentos ao juiz Murilo Mesquita conversa com a defesa. Ele já sinaliva que ia confessar

Gerson conta que o empresário José Marilson dava suporte ao sistema Guardião no Estado. Explica que os desvios eram enviados de forma analógica do celular grampeado para outro celular. “A sala era repleta de cabos. Bem analógico, bem precário, mas atendeu ao sistema de interceptação”.

O cabo cita que Zaqueu lhe passou aproximadamente 10 números de Cáceres para serem interceptados. O primeiro relatório de interceptação elaborado por Gerson tinha duas laudas, não foi assinado e foi entregue pessoalmente ao coronel Zaqueu. “Eu jamais iria imaginar que esse relatório iria embasar um pedido de interceptação telefônica. Esse relatório foi o que iniciou tudo”. Neste ponto, Gerson assegura que não sabia que esse relatório daria origem ao esquema e justifica que os relatórios que produziu durante sua carreira sempre foram muito bem fundamentados. O juiz se mostra desconfiado.

O réu lembra que os trabalhos na sala de interceptação começaram em setembro de 2014. Enfatiza que só frequentava o local no período da noite, fora de seu horário de expediente no Gaeco e que não dava conta de analisar tudo. “Impossível analisar interceptação com uma pessoa só”, reclamou ao coronel Zaqueu, que teria lhe prometido arrumar uma pessoa para lhe ajudar.

Ele cita que, na semana que antecedeu a eleição de outubro daquele ano, recebeu mais uma leva de números. Gerson elabora o relatório de interceptação e entrega a Zaqueu, que lhe explica mais tarde quem eram as pessoas grampeadas.

Neste momento, o cabo revela que foram grampeadas figuras conhecidas em Cuiabá, como os advogados José do Patrocínio e José Antônio Rosa, todos ligados à campanha política daquele ano, tanto de Lúdio Cabral,  quanto do ex-deputado estadual José Riva, ambos que disputaram ao governo do Estado. O jornalista Muvuca também estava grampeado. Os números estavam identificados com apelidos.

Gerson nega ter ouvido as ligações dessas pessoas. Ele explica que gravava as ligações em pendrive e levava até três vezes ao dia para Zaqueu. “Eu não ouvi nenhum deles. A única coisa que fiz foi gravar em um pendrive para ele. Mas não ouvi nada. No sábado, véspera de eleição, entreguei um pendrive ao cel Zaqueu. Nunca me disse o destino do pendrive. Lógico que sabia que alguém iria escutar”.

Gerson fala que, nessa oportunidade, não estavam grampeados a deputada Janaína Riva nem o desembargador José Ferreira Leite. O objetivo era pegar algum flagrante de crime eleitoral nas coligações adversárias. Neste contexto, comenta que Zaqueu disse que Muvuca era uma “ameaça real” ao governador porque “batia” nele e tinha fontes dentro do Palácio. “Meu maior pecado, meu maior erro foi nunca falar não ao coronel Zaqueu”.

O juiz o alerta de que há diferença entre cumprir uma ordem legal de cometer um crime e Gerson se defende dizendo que ainda achava que aquilo se tratava de um serviço para a PM. 

Gerson isenta o coronel Lesco das interceptações e nega estar protegendo ele. Pontua que ele apenas lhe emprestou R$ 2,4 mil e só. “Nunca falei com ele sobre fulano de tal e fulano de tal”.

O cabo fala que soube só mais tarde que Tatiane Sangalli, grampeada pelo codinome “Tatu” era a amante de Paulo Taques. Sobre as pessoas ligadas à campanha, advogados e assessores, o cabo se recorda de que foram grampeadas apenas no período eleitoral. Gerson também tenta amenizar a situação ao destacar que os trabalhos de investigação de policiais em desvio de conduta tiveram resultados positivos.

Mais tarde, relata que surgiu interesse comercial na plataforma de interceptação. O interesse seria do próprio Gerson, do empresário José Marilson e do cabo Torezan. “Ele veio aqui e mentiu em juízo”, afirma em relação ao depoimento de Marilson. “Foi quando surgiu a plataforma Sentinela. Não surge do cabo Correia, do coronel Zaqueu. Surge exatamente quando queima a placa”, pontua.

Quando a placa queimou, já haviam sido produzidos vários relatórios de barriga de aluguel. “Se eu soubesse que tem juiz envolvido eu falaria, se soubesse que tem membro do MP envolvido eu falaria, podem ter certeza”, assegura o cabo.

O sistema Sentinela estava com sua primeira versão pronta em um ou dois meses. O custo inicial foi o que sobrou dos R$ 50 mil inicialmente pagos.

No segundo semestre de 2015, o Sentinela (equipamento de escuta ilegal) gerou gasto de aproximadamente R$ 34 mil, valor que Gerson afirma ter pago a Marilson. Essa quantia teria sido financiada por Paulo Taques. A primeira versão foi testada até março, ocasião em que foi criado o grupo de whats formado pelo coronel Barros, Soler, e os cabos Gerson, André e Dorileo, e Torezan. Gerson garante que Barros e Soler nunca ouviram as interceptações.

Em julho de 2015, com apoio de Torezan, o Sentinela foi instalado nos computadores de Andreia e Dorileo. Gerson confirma que pegou R$ 24 mil de Lesco, depois fez dois empréstimos de R$ 2,4 mil (referente a dois alugueis da sala comercial), e mais R$ 50 mil de Paulo Taques (usado na compra de equipamentos para a sala de interceptação). “Se ele (Lesco) tomou como empréstimo, ele tomou um cano porque eu nunca vou pagar. Falei que era para financiar o projeto”, fala sobre os R$ 24 mil de Lesco. 

Gerson revela que acessava o conteúdo do Sentinela por seu computador no Gaeco. O sistema teria sido instalado por Torezan. “Nunca eu fiz barriga de aluguel no Gaeco”, assegura cabo Gerson com relação ao aparelho Guardião, usado legalmente para interceptações, e afirma desconhecer tal prática pelos demais analistas de interceptação que lá atuam.

Cabo Gerson cita que médicos do Hospital Regional de Alta Floresta foram incluídos na barriga de aluguel. O policial Marcelo Costa, que administrava uma OSS, estaria em conluio com o médico para desvio de recurso. “Com o tempo você começa a perceber que o interesse não era do cel Zaqueu. Que interesse ele teria em interceptar o Muvuca? O interesse era do Paulo Taques e do Pedro Taques”.

Em outubro de 2015, Gerson recebeu ordem de Zaqueu para interromper todos os trabalhos do núcleo porque havia ocorrido um vazamento. “Encerramos expediente, procurei Torezan e Marilson e falei: encerra tudo. O projeto está interrompido por determinação do comandante geral. Na hora não fiquei sabendo o motivo, fiquei sabendo depois”.

Por conta desse encerramento abrupto que ele garante não ter ouvido o grampo colocado na Major Fleck, implementado como forma de retaliação por um atrito que tiveram. Gerson alega que grampeou a major porque tinha medo do que ela poderia fazer contra ele, pois falava do atrito o tempo todo. "Mas não deu tempo de escutar".

A ordem de Zaqueu foi motivada porque ficaram sabendo que o promotor Mauro Zaque havia descoberto o esquema e estava com um dossiê pronto sobre o caso. Gerson garante ter destruído todos os equipamentos depois disso. 

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ANTONIO 28/07/2018

Digite o texto aqui1- O cabo conta que ouviu uma conversa do presidente Michel Temer com o ex-governador Silval Barbosa para agilizar a soltura da ex-primeira dama Roseli Barbosa.(http://www.pontonacurva.com.br/penal/os-donos-disso-aqui-sao-o-paulo-taques-e-o-pedro-taques-declara-cabo-gerson/6168) 2- [...] interceptaram ligações telefônicas do ex-governador que na última segunda-feira, 14, teve sua prisão preventiva decretada pela juíza Selma Arruda, de Cuiabá, no âmbito da Operação Sodoma. Silval Barbosa teria cobrado R$ 2 milhões de três empresas em troca de benefícios fiscais. Nesta quinta-feira, 17, o ex-governador se entregou à Justiça. ( https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/ex-governador-buscou-ajuda-de-temer-para-tirar-mulher-da-prisao-diz-promotoria/) 3- Gerson ainda acrescenta que quem lhe passou as informações foi a própria Selma Arruda, que foram levadas por uma assessora de outra vara. Os suspeitos no suposto atentado seriam o ex-governador Silval Barbosa e ex-deputado José Riva. A criação seria para cobrir o conhecimento dela da história.(http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?id=439272¬icia=em-delacao-cabo-da-pm-afirma-que-juiza-selma-e-promotor-inventaram-atentado-para-grampear-alvos) 4- PEDRO TAQUES CONFIRMA SELMA ARRUDA PARA O SENADO: "TERÁ A MINHA LEALDADE" (http://www.pnbonline.com.br/politica/pedro-taques-confirma-selma-arruda-para-o-senado-tera-a-minha-lealdade/50114)

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Fernanda 28/07/2018

Aguardando a prisão desse Desgovernador!! A Lei é para todos!!! #TaquesNuncaMais.

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Diogo Vargas 28/07/2018

Lugar do Paulo Taques é na cadeia ate cumprir toda pena ilícito que cometeu.

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Sergio 28/07/2018

Os denunciados precisam vir a público e defenderem-se destas acusações.......e a Juíza vai subir no palanque com delatados com Pedro Taques.

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4 comentários

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