Cuiabá, 31/10/2026

O MMA em debate

   O brasileiro é um bom apreciador de qualquer esporte e deveras fanático por futebol. É quase impossível um encontro entre duas ou mais pessoas, sem a inevitável provocação das partes sobre o tema, isso sem contar a saudável disputa para convencer a nova geração - ainda em formação -, para fazer valer a sua preferência. É uma verdadeira guerra. Imagine o avô da academia palmeirense ressaltando os feitos do campeão do século XX para convencer/atrair a neta e o neto de pais flamenguistas, corinthianos ou sãopaulinos?

    Com periquitos, urubus, mosqueteiros e "Santo" Paulo à parte, já se sabe que o mar está mais para peixe com a ascensão do craque Neymar que reina absoluto em solo brasileiro. É um craque em campo e fora de campo, segundo o respeitável técnico Muricy Ramalho. Em campo tem um repertório invejável de jogadas, incluindo a folha seca do Didi, drible da vaca, lençol, pedalada do Robinho, elástico do Rivelino, carretilha, calcanhar do Sócrates e o sensacional chute no vácuo do Valdivia. Já extra campo - mesmo muito jovem -, sinaliza possuir responsabilidade, educação, humildade e comprometimento, máxime no seio familiar. É isso que se espera do esporte, passar uma imagem boa para incentivar a formação de jovens pautados em valores éticos e morais.

    Posto isso, a título de ilustração, é preocupante o se vê na atualidade o espaço ampliado de expressões outrora desconhecidas, mas fartamente já utilizadas por crianças e adultos a exemplo de - mata leão, Katagatame, chave de ombro, chave de braço, joelhada voadora, cruzado de direita ou de esquerda, estrangulamento, cinturar... - denotando que um outro tipo de "esporte" vem crescendo em progressão geométrica crescente, ganhando adeptos e admiradores no mundo todo. É o MMA.

    Ainda não regulamentado no Brasil, as Artes Marciais Mistas (MMA), modalidade de luta sem um estilo próprio de arte marcial, o que permite a utilização conjunta de várias técnicas das denominadas artes marciais (jiu-jitsu, boxe, capoeira, judô, karatê entre outras) atualmente vem dividindo opiniões na sociedade brasileira, porquanto é considerado muito violento e vem ocupando um grande espaço nos lares brasileiros, máxime pela sua propagação hoje através da maior rede de televisão brasileira.

    A polêmica já está instalada no próprio Congresso Nacional, de um lado uma corrente liderada pelo Deputado baiano Acelino Popó Freitas, requer a regulamentação do esporte no Brasil, tendo como motivação a sua evolução, a profissionalização do esporte, regras mais severas visando a proteção da integridade física do lutadores e o promissor mercado que impressionam os promotores de eventos e as redes de televisão que disputam esse nicho de mercado.

    O ex-lutador Popó, se inspirando em estrelas mundiais dessa modalidade esportiva, a exemplo de Anderson Silva, Shogun, irmãos Minotauro e Minotouro, Lyoto Machida, Vanderley Silva, Victor Belfort, José Aldo, Cigano entre outros, pretende debater o tema demonstrando não tratar o MMA de pancadaria, mas sim de mais uma modalidade esportiva capaz de proporcionar a inserção social, por isso necessário a sua regulamentação no Brasil. O deputado baiano tem o apoio explícito dos grandes lutadores e da principal rede de televisão brasileira que vislumbra engordar mais ainda seu faturamento empregando abusivamente nos lares brasileiros - pela telinha aberta -, muito soco, cotovelada, pontapé, cabeçada e todo tipo de selvageria que só contribuirá para o aumento desenfreado da violência brasileira.

    A favor da vida e contrário a fabricação em série de brutamontes sem cerébros, o Deputado paulista José Mentor apresentou Projeto de Lei proibindo a transmissão dessa modalidade de luta MMA nos canais de televisão abertos, porquanto o seu conteúdo agressivo é fator fomentador e disseminador da violência gratuita e contribuirá negativamente influenciando crianças e adolescentes, tudo às custas do próprio Estado que detém o monopólio das telecomunicações e responde pela maior fatia da conta publicitária para manter os meios de comunicação.

    A propósito os princípios fixados na Constituição Federal que devem ser atendidos pelas emissoras de rádio e televisão, expõe com precisão e clareza a pauta da programação, que inclui a) preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; b) promoção da cultura nacional e regional estímulo à produção independente que objetive sua divulgação; c) regionalização da produção cultural, artística e jornalística; d) respeito ao valores éticos e sociais da pessoa e da família.

   É indiscutível a força da televisão brasileira interferindo diretamente na sociedade de uma forma geral, tanto podendo colaborar positivamente promovendo a cultura e a educação, assim também influenciar negativamente com programações dedicadas à violência, perversão e sexo, em dissonância com os enunciados de nossa Carta Cidadã. Viva a vida e abaixo a brutalidade.

    José Patrocínio de Brito Júnior é advogado, professor universitário e escreve exclusivamente para este blog às quintas-feiras - jpbj.adv@uol.com.br