Para Dejair, verdadeira facção criminosa não está nas favelas
A Copa de 2014 e o crime organizado
O crescimento do narcotráfico se deve ao fato da omissão do Estado em abandonar as questões sociais. A principal vítima do crime organizado são os nossos jovens, que residem na sua grande maioria em bairros periféricos sem serviços públicos, como pavimentação, iluminação pública, água tratada, saneamento, segurança, saúde e educação. Muitos jovens que residem nesses lugares não têm estudo, qualificação e nem perspectiva de vida e encontram no tráfico um meio de subsistência, o papel que seria do Estado.
Estudos mostram que o tráfico movimenta entre R$ 317 milhões e R$ 633 milhões por ano só no Rio de Janeiro. Se forem computados os demais Estados da federação dá para se ter uma ideia do volume que a maldita droga lucra com a vida de milhões de brasileiros. Cabe a nós brasileiros perguntar: onde estava todo esse tempo a federação da República do Brasil e seus Estados? Quantas famílias perderam um ente querido? Quantos lares estão desamparados por falta de ajuda do Estado no tratamento dos nossos drogados?
Será que só agora o Estado/União descobriu que o narcotráfico tem todo esse poder? Salve o Brasil, fomos novamente descobertos. Graças ao nosso bom Deus, que ajudou o nosso país, ser escolhido para sediar a Copa de 2014. Indepedente do nosso futebol, já somos campeões em vidas que deixarão de ser ceifadas. Teremos finalmente o papel constitucional do Estado, investindo em infraestrutura, saúde, educação, saneamento. Com a violência desenfreada, que todos os dias assistimos em nossos telejornais, este assunto passou a ser visto lá fora. Até então não havia motivo algum para que os nossos governantes usassem o poder do Estado para combater esta maldita droga em nosso país.
O Brasil é hoje controlado por duas facções do crime organizado. A primeira pelos banqueiros, especuladores, jogadores da bolsa de valores e parasitas afins. A segunda pelos narcotraficantes. É neste momento que a primeira facção entra em ação, chamando a atenção do presidente e dos Estados, querendo proteção para o seu dinheiro e não aceitando essa baderna toda com o seguinte refrão: "não temos proteção para que possamos investir".
À primeira facção pouco importa se o regime é liberal, autoritário, social-democrata. Se tem milhares de jovens morrendo com a maldita da droga ou se os filhos dos brasileiros foram adotados por um traficante. A única coisa com a qual eles se importam é manter e ampliar seus lucros. A segunda facção, a do narcotráfico, tem como o mais conhecido dos chefões Fernandinho Beira Mar, sem falar em outros nomes que não merecem nem serem citados.
A primeira facção criminosa tem como o seu líder mais conhecido o Banco Central, que constitui-se na instância maior da República, aquela que efetivamente representa os interesses econômicos. Esta facção criminosa concentra toda a arrecadação de impostos e controla todas as finanças pátrias. Enquanto os narcotraficantes têm que ter lavanderias para esconder o seu dinheiro sujo.
Esta facção obedece fielmente aos ditames dos banqueiros e jogadores. A ela cabe manter elevadas taxas de juros e a lucratividade das empresas que representam e evitar o crescimento do país. Qualquer crescimento acima do preconizado pela facção seria potencialmente perigosa.
Precisou que a primeira facção determinasse ao Estado um basta em todas estas mortes do povo brasileiro. Não que eles sejam bonzinhos, mas com uma anarquia dessas como ficariam os seus capitais. É hora de investir em saneamento e infraestrutura. Porque todo este estado de calamidade é uma política claramente pensada e elaborada: o seu capital será investido no país da Copa, sua lucratividade aumentará e os executores serão eles mesmos.
A segunda facção não tem a lei ou o Parlamento a seu lado. São levados à condição de bandidos, estupradores de vidas, ao contrário da primeira facção, que tem o Banco Central e o poder político. Jamais a segunda facção disporá dos mesmos recursos que os verdadeiros donos do poder. Os recursos que deveriam destinar-se à educação, saúde são desviados e a isto se adiciona mais uma das atribuições da primeira facção: a manutenção de elevados níveis de desemprego. Isto protege os poderosos de greves. O fato do ser humano ser a maior vítima de toda esta situação sequer é considerado relevante pelos donos do poder.
A segunda facção tem todas as instâncias institucionais contra eles. O verdadeiro crime organizado reúne-se em salas confortáveis e decide que limitações devem ser impostas e em que crimes devem ser enquadrados. Em 1789 os brasileiros se revoltaram contra a cobrança extorsiva de 20% em impostos, que eram integralmente enviados à coroa portuguesa, e que em nada beneficiava o povo desta nação. Hoje com uma carga tributária quase na casa dos 40%, que em nada beneficia os brasileiros, não há revolta. Há concordância e conformismo.
O crime organizado no Brasil de hoje é praticado pelos bancos e seus representantes. Enquanto os narcotraficantes ficam se achando os bam-bam-bans, não passam de umas falanges do mal.
Dejair Soares é publicitário, pós-graduado em gestão pública e ambiental