Para Vuolo, jornalista que critica a Copa em Cuiabá é um pateta
Juca Kfouri, o pateta
Para ele, somente os grandes centros futebolísticos podem ser contemplados. Pela sua visão, o único Brasil possível é o da faixa do litoral. Brasília nem deveria existir. Ele não quer o desenvolvimento econômico e social nas demais regiões do país. Cuiabá, Manaus e o Nordeste só devem ver os jogos da Copa, no máximo, pela televisão. O preconceito e a arrogância arrotam em sua boca. É uma visão estreita, totalmente equivocada e que visa agradar alguns paulistanos, que ainda insistem em dizer que só São Paulo pode, o resto fica como está.
Qual a melhor definição para esse jornalista? Por que o senhor Juca Kfouri não defende a integração, ao invés do isolamento em nosso país? Por que ele não quer a democratização no esporte? Por que o ódio e o descaso com Cuiabá?
A melhor definição para esse cidadão é a de um pateta. Alguém que não raciocina, mas que é humano. Sim, um cão antropomórfico, desengonçado, atrapalhado e engraçado.
O canal ESPN deveria escolher melhor seus apresentadores. Ou melhor, pagar um curso de conhecimentos gerais ao seu apresentador. Quem sabe, dar até a passagem aérea para conhecer o nosso Mato Grosso, para poder vislumbrar as belezas naturais dos nossos três ecossistemas: Pantanal, Cerrado e a Floresta Amazônica, relaxar em Chapada dos Guimarães e deliciar Cuiabá, que é um dos melhores lugares para se viver. E por isso, está entre as doze preferidas.
A mais forte razão da vitória cuiabana está ligada a sua rica história e grande diversidade cultural. Ao longo de quase 300 anos de vida, a nossa cidade conviveu com o ciclo do ouro, os bandeirantes, os imigrantes europeus, os índios, negros e brancos que, de todas as formas, produziram trabalho e geraram riquezas. E foi graças à força dos nossos antepassados que podemos afirmar: Cuiabá, hoje é uma grande metrópole brasileira.
Quem conheceu Cuiabá, como os integrantes do Comitê Organizador da FIFA, percebeu a vontade popular e o calor humano como fatores determinantes para a garantia do sucesso da Copa do Mundo. E o cuiabano é mais vibrante. É uma virtude. Outra virtude, talvez a maior, é ser o cuiabano extremamente acolhedor.
É uma mistura de futebol, arte e paixão. Os analistas do Velho Continente, apaixonados pela arte, vêm a cultura como lugar de inovação e expressão da criatividade de um povo. A atividade cultural apresenta-se como parte constitutiva do novo cenário de desenvolvimento econômico socialmente justo e sustentável.
Diferentemente de Campo Grande, Cuiabá é uma cidade histórica, com raízes profundas, cheia de alegria e com enorme vocação para festas. É muito provável que o jornalista tenha conhecido ou ouvido falar em nossas festas religiosas de São Benedito, padroeiro da cidade, São Gonçalo e Divino do Espírito Santo. Na já internacionalmente conhecida “viola de cocho”, que está abrindo espaço para a música cuiabana, o rasqueado cuiabano. Na comida típica, a mojica de pintado e pacu com farofa de banana e, na área da dança, do siriri e cururu. Isto tudo revela o espírito essencialmente festivo e hospitaleiro de nosso povo.
A paixão pelo futebol é uma extensão dessa cultura, enraizada muito antes da inauguração do estádio “Durinha” pelo então presidente cuiabano Eurico Gaspar Dutra. Aqui é o berço do futebol profissional mato-grossense.
Quem não respeita a nossa história é um pateta.
“Lá vem o pato/ Pata aqui, pata acolá/ Lá vem o pato/ Para ver o que é que há. O pato pateta/ Pintou o caneco/ Surrou a galinha/ Bateu no marreco/ Pulou no poleiro/ No pé do cavalo/ Levou um coice/ Criou um galo. Comeu um pedaço/ De jenipapo/ Ficou engasgado/ Com dor no papo/ Caiu no poço/ Quebrou a tigela/ Tantas fez o moço/ Que foi prá panela". (Pato Pateta – Toquinho e Vinicius de Moraes)
Vicente Vuolo é economista formado pela UnB e servidor do senado