Eder transfere poder para um ex-guerrilheiro contratado pelos EUA
Eder escolheu Jefferson como braço-direito dentro da Agecopa, que detém orçamento de R$ 1,6 bilhão para este ano, após ter em mãos vários documentos e dossiês que mostram, na prática, como esteve agindo até agora cada um dos diretores, sendo eles Roberto França (Comunicação e Marketing), Yuri Bastos Jorge (Assuntos Estratégicos), Carlos Brito (Infraestrutura), Agripino Bonilha (Articulação Interinstitucional), Yênes Magalhães (Planejamento) e o próprio Jefferson. Constatou casos graves na condução de licitações, obras e outras "amarrações". O assunto chegou ao Palácio Paiaguás e Eder só aceitou assumir a Agecopa com autonomia para, se necessário, substituir até alguns diretores. O clima entre eles é de insegurança. Com temor de Eder, eles cessaram até as brigas internas.
Ao invés de escolher Yênes, que respondeu cumulativamente pela presidência por praticamente um ano, Eder optou por Jefferson para substituí-lo. Mas, afinal, quem é Jefferson de Castro? Trata-se de um ex-guerrilheiro que chegou a ser contratado pelos Estados Unidos para o combate contra rebeldes das Forças Revolucionárias da Colômbia. Natural do Rio de Janeiro, Jefferson cursou Ciências da Economia e formou-se em Ciências Militares pela Universidade do Kansas (USA) e possui pós-graduação em Logística pela mesma universidade americana.
Guerrilha
Foi nesta época que aceitou entrar no Exército americano para combate a guerrilhas e traficantes na Colômbia, maior produtor mundial de cocaína. Nesse caso, o hoje diretor da Agecopa não agiu pela Pátria, como legítimo representante do Exército Brasileiro, já que foi contratado, mas sim como mercenário. Depois de um certo período, voltou para o Brasil, formou-se em Direito pela Universidade Cândido Rondon e, na iniciativa privada, foi gerente de Exportação, Relações Públicas e Finanças de várias empresas. Conheceu Cloves Vettorato (já falecido), secretário de Projetos Estratégicos, e Luiz Antonio Pagot, o então supersecretário do governo Blairo Maggi.
Jefferson era um simples professor de Língua Inglesa. Como domina alguns idiomas, entre eles inglês, guarani e castelhano, foi contratado pelo governo mato-grossense para ser o intérprete da comitiva de Maggi que, em fevereiro de 2005, com cerca de 120 pessoas, realizou a Expedição Estradeiro Internacional. Por duas semanas, percorreu os países andinos Bolívia, Peru e Chile. Jefferson caiu nas graças da chamada turma da botina, grupo político ligado a Maggi. Se tornou assessor da secretaria de Assuntos e Projetos Estrátegicos, secretário-adjunto da Casa Civil e representante do Escritório de Mato Grosso em Brasília. Sob indicação de Maggi, Jefferson se tornou diretor da Agecopa. Detalhe: sua passagem pelo exercício americano não consta no currículo.